Pop art por Malcom Smith

Malcolm Smith é um desses artistas da cultura pop que merece ser visto, simplesmente porque sabe o que faz. Nascido em Essex, Reino Unido, Smith estudou engenharia e arquitetura em Londres e Cambridge. Ao mesmo tempo conseguia expressar sua paixão pelas artes por meio de hobbies.

Ao mudar para Montreal nos anos 70, o artista cuidou do design de alguns bares e restaurantes da cidade, o que o ajudava a exteriorizar mesmo com o trabalho maçante do dia a dia em escritórios de engenharia. Percebendo que estava infeliz com o cotidiano, Smith deixou a companhia que trabalhava e começou a fazer projetos de design de interiores e decoração. Depois dessa decisão foi apenas sucesso: ele se especializou em pinturas e continua embelezando residências, restaurantes e empresas por 20 anos.

Em 2012, Smith recebeu um pedido de um cliente antigo para pintar um retrato dele, já que o mesmo colecionava pinturas e trabalhos de arte. Foi o início para que ele começasse a criar peças em Ben-Day que é um processo gráfico em homenagem ao ilustrador Benjamin Day e similiar ao pontilhismo, bem como Roy Lichtenstein fazia. No maior estilo pop art, tudo  é feito em cores primárias (vermelho, amarelo e azul) em retratos de mulheres dos quadrinhos dos anos 60. Geralmente, Smith usa apenas duas partes do corpo como rosto (tronco) e mãos a fim de mostrar expressão ou emoção com frases de filmes clássicos nos balões. As mulheres de Smith são fortes, inteligentes e não deixam barato.

O mais incrível no trabalho dele é que nada é feito digitalmente, tudo é produzido a mão e pintado com tinta acrílica diretamente no quadro.

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Lookeiras de responsa: Goth Pikes

Como já contei neste post aqui, meu visual predileto desde adolescente é o do post-punk anos 80. Gosto do mais clássico (meio batcave), roupa toda preta com acessórios mais pesados como colares, botas com fivelas, maquiagem pesadona clássica e cabelo idem. Os dois últimos não uso, não curto em mim, pois criei uma identidade com meu delineador e batom vermelho, tô ótima assim. Andando pelo Facebook da vida, encontrei na fanpage Underground People uma marca de botas góticas maravilhosa, a Goth Pikes. Diretamente de Berlim (afff), ela recria os clássicos oitentistas dos anos 70/80 nos deixando loucos para ter tudo. Amei essa em especial:

O mais legal são as fotos que a marca posta do pessoal usando as botinhas. É o crème de la crème do gótico atual com o visu clássico. É completamente inspirador e fiquei muito contente que tem vários looks que eu mesma uso e posso me inspirar também. Minha vontade de investir em blazer de alfaiataria aumentou muito mais depois de explorar essa belezinha.


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Pop drag art: Cheyne Gallarde

Pop art meets drag queen nem é tão diferente assim se você conhece as polaroids do Andy Warhol montadíssimo. Mas Cheyne Gallarde resolveu criar um mash-up digno com as meninas da RuPaul’s Drag Race. O ilustrador do Hawaii que foi criado em uma vila de plantação em Waipahu, hoje tem um estúdio localizado no prédio histórico Old Blaisdell Hotel. Cheyne ilustra novelas para livros infantis e terminou recentemente o “Ordinary Ohana”, escrito pelo autor local Lee Cataluna.

Nos tempos livres, o designer cria essas maravilhas que brilham nossos olhos. Agora tem bastante ilustra com a temporada 9 (amando horrores e ansiosa para a finaleira) que teve bons momentos e excelentes drags. Ele costuma fazer no estilo cartoon pop art com quadrinhos ou capas de terror e fica lindo! A Aja fazendo voodoo da Valentina foi a minha predileta:

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Entrevista: Juliana Pegoraro, a Ju das Bolhas

Se você é de Curitiba, sabe muito bem que a Rua XV é um palco a céu aberto. Os artistas são essenciais nesse trecho icônico da capital paranaense, seja com música, performance, pintura etc. A artista mato-grossense Juliana Pegoraro faz parte desse circuito criativo e, com suas bolhas gigantes, deixa o calçadão curitibano ainda mais divertido. Também como conhecida como Julieta Antoniana ou Ju das Bolhas, a estudante de Educação Física faz pesquisas de movimentos físicos e possui o projeto Tô de Bolhas, além de dar palestras sobre “A interdisciplinaridade da Bolha de Sabão”. Com seu “q” de cigana e Janis Joplin (amo), Ju participou do Global Bubble Parade no final de maio que é um grande encontro feito há quatro anos para os entusiastas dessa performance linda. A convidei para falar mais sobre esse mundo que é tudo em nome da água, detergente e açúcar.

1- Ju, qual foi sua motivação em começar a fazer performance com bolhas?
De início foi descolar uma grana! Sendo bem honesta, sendo palhaça desde os 18, mas não atuando de forma direta no trabalho, sendo crítica, enfim, apenas aquela palhaça cultural, e insatisfeita. Reencontrei uma amiga que havia feito anos atrás em Itajaí, durante uma performance na rua em Curitiba com a Trupe do TAO em 2014, que durante sua estadia aqui, em paralelo com trabalhos “normais”, ia para Rua XV fazer Bolhas e vender as Varinhas Mágicas que produzia, que ela chamava de Bolhadores.

De início não dei muita bola, não sabia da profundidade do assunto “Bolhas de Sabão”, porém elas me encantavam muito.
Então Aline me ensinou a confeccionar uma Varinha Mágica, a fazer a receita da Poção Mágica. Demorou uns meses pra eu de fato usar artisticamente as Bolhas Gigantes como performance, compreendê-la. E isso se deu ao fato de estar precisando de grana, e utilizar um trocado que possuía para investir nos primeiros materiais, ir para a Rua XV e entender sobre a magia desta Bolha Gigante e sua atuação em meio ao movimentado cotidiano de quem transita aquele espaço: tumultuado, com pressa, hora marcada, e de repente, uma palhaça brincando de Bolhas de Sabão. E as estátuas vivas, e os músicos, enfim, me senti fazendo parte daquele meio, em meio a tranqüilidade de brincar com as bolhas. Foi impressionante o feedback, e cada dia é uma surpresa aventurosa. Com o tempo constante de atuação na rua, construí amizades e novos trabalhos surgiram, e o estudo cresceu, virou a palestra “A interdisciplinaridade da Bolha de Sabão”, e a performance interativa constituída e mutável: Tô de Bolhas.

2- Seu principal ponto de interação é na XV, certo? Qual a faixa etária das pessoas que te param para observar ou até perguntar como faz os movimentos?
Sim, o principal ponto de interação é a Rua XV, mas hoje próximo ao chafariz entre as ruas Muricy e Mal. Floriano Peixoto. Aos domingos, tenho feito a ação do Tô de Bolhas na Praça João Cândido, junto às iniciativas da Secretaria de esportes, lazer e juventude que leva brinquedos para as crianças e jogos, e shows produzidos pela rádio Mundo Livre, porém a ação do Tô de Bolhas não leva patrocínio ou apoio dos órgãos citados, ela se auto sustenta com a venda das Varinhas Mágicas e divulga-se pelo boca a boca, além claro pelos ventos que levam as bolhas entre as barracas.
É uma surpresa, a maioria são adultos, convidados a “Não perca a oportunidade de aprender a fazer uma Bolha Gigante!” Então as crianças de todas as idades se encantam, os cachorros, é bem divertido. Ainda que as vezes algumas pessoas aparentem algum incômodo, lhes bendigo: está abençoado em nome água, detergente e açúcar! Amém!… Elas respondem Amém! (rsrs)


3- Como foi a Global Bubble Parade? O que você sentiu em participar desse evento?
O movimento da Global tem intenções maravilhosas! Foi bolhudo no dia! O tempo ajudou, haviam muitas pessoas fazendo bolhas de sabão! Lavamos a calçada do Cavalo Babão.

4- Você tem algum movimento especial para fazer suas bolhas “de respeito”?
Sim! Eu chamo de Ginástica da Bolha: primeiro é necessário sentir a direção do vento, depois, prepare as Varinhas Mágicas, uma em cada mão, e com uma perna a frente, braços acima esticados, une-se as extremidades da Varinha Mágica, e flexiona-se o tronco até que a cordinha de barbante que há no brinquedo se afunde completamente na bacia que contém a Poção Mágica. Então, eleva-se os braços, e lentamente afaste as extremidades da Varinha lateralmente em paralelo, e ainda caminhe para trás com parcimônia, tudo isso, compassado, sentido, respirando. O vento sopra e leva as bolhas ao alto.

5- Qual seu próximo passo como “Ju das Bolhas”?
Produzir Varinhas Mágicas, fabricar poções, continuo a estruturar e melhorar o projeto Tô de Bolhas e a palestra A interdisciplinaridade da Bolha de Sabão, e compor com os bambolês a performance é uma parte dos estudos, treinos e pesquisas também.

RECEITA PARA CRIAR BOLHAS POR JU
2 copos de detergente
5 copos de água
1 copo de açúcar
+paciência e persistência
Vamos todos ficar De Bolhas!

Créditos para fotos:  Yuri Reisemberg e Guilherme Artigas

Banks and Steelz – Paul Banks & RZA indahouse


Não é de hoje essa parceria, mas como faz tempo que não posto nada de música, né? Tudo começou com jogos de xadrez entre Paul Banks vocalista da minha amada banda Interpol e Robert Diggs, mais conhecido como RZA e um dos vocais do grupo de rap de respeito Wu-Tang Clan. Em 2011, os dois gravaram uma demo em que Banks – grande fã de hip-hop- improvisou os vocais com o beat criado por RZA. Pois bem, a brincadeira foi longe e em 2013 a dupla Banks & Steelz iniciou a gravação de um álbum.

Intitulado como Anything But Words, o disco foi lançado somente em 26 de agosto de 2016, já que Banks estava atarefado em 2014 com o projeto do quinto álbum do Interpol, o El Pintor (maravilhoso, por sinal).

Como estou em alguns grupos relativos ao Interpol, acompanhei quando foi lançado e também vi um pouco do show que eles fizeram no Coachella este ano (só não vi todo porque a o streaming tava uma droga). O álbum é excelente, bem diferente do que os dois fazem por aí, mas com a cara dos dois. Cheio de referência bonitas e participações como Florence Welch (Florence and the Machine, voz de fada), Ghostaface Killah, Masta Killa e Method Man (do Wu-Tang Clan) e Kool Keith. Para quem gosta de música que mistura conceitos diferentes, mas muito bem feitos, então esse álbum é perfeito. Sou grande fã de hip-hop clássico (anos 80/90) e louca pelo trabalho do Paul Banks e confesso que tinha tudo para ficar sem entender coisa nenhuma… Fiquei maravilhada com o resultado final. Ah, eles já estão com dois clipes, inclusive o Love + War traz ligação direta ao filme de Tarantino, Cães de Aluguel (lembrando que RZA é ator e já trampou com o diretor). Escute sem preconceitos e seja feliz, os fãs dos dois estão recebendo bem: