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Eu sou dessas que vai fazer caminhada e volta com um cachorro sem olho. E aconteceu de novo: fui sair para encontrar uma amiga na Vinada Cultural e voltei com um cachorro de porte médio. O lance (surreal) foi o seguinte: eu estava saindo do evento de gordos que amam salsichas quando vi um senhor com um cachorro. Obviamente fui fazer um agradinho no bichano e o velho, com bafo de pinga, começou a falar muita besteira do tipo que tinha o achado na rua e batido em vários moleques, pois os mesmos queriam matá-lo (o cachorro), que ele era grego e do exército não-sei-o-que-dos-infernos etc. Sem sentido nenhum mesmo.

Vi que o cachorro estava meio perdidaço em Cristo com um semblante WTF e meio judiado. O tal senhor disse que não poderia ficar com ele o largou comigo (com coleira e ração que ele havia conseguido). E eu o peguei. Peguei sem pensar mesmo, peguei porque, julgando todas essas ONGs existentes, pensei que seria fácil deixá-lo em lugar mais tranquilo.

Mas as coisas não funcionam assim, meus queridos. Fui em um petshop perto de casa e me passaram dois números de abrigo para cachorros abandonados. De todas as ONGs que liguei nenhuma poderia ficar com ele. Estavam superlotadas e não tinham ninguém para indicar (sério?). Os tais abrigos só aceitavam cachorros vacinados (que tal ter um veterinário voluntário para ajudar nisso?).  Resolvi postar no Instagram, Facebook e Twitter para pedir ajuda. Graças a Deus muita gente começou a compartilhar e encontrei a Andrea – amiga da Cooperativa de Jornalistas – para dar um super duper help aqui em Curitiba.

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Ela foi até a minha casa e ligamos para protetoras sérias que nos deram uma ajuda inestimável com nomes e telefones de locais que poderiam nos ajudar. O bichano vai passar a noite na casa da Andrea. Infelizmente não teria como ficar aqui porque 1) eu moro em apartamento; 2) eu tenho o Camões Caolho e eles podem brigar e/ou passar doencinha um para outro; 3) minha mãe quer dar uma de Chico Picadinho para cima de mim (se bem que ela me ajudou bastante depois).

Apesar de tudo, da correria, da minha aflição, tristeza e decepção, a vida do Ulisses ainda não está resolvida. Ele ainda não tem um lar. Ainda iremos levá-lo em um veterinário, vaciná-lo e dar um banho. Levaremos em um abrigo que custará R$ 150 por mês, mas ele ainda não tem um dono(a). O que para mim é mais do que necessário.

Estou triste por muitos motivos, segue em tópicos:

1) despreparo das ONGs mais “fodelonas” que, simplesmente, não me ajudaram em nada. Eu sei da dificuldade e do custo que elas devem ter SIM, mas quando alguém liga desesperado, o mínino que se espera é uma ORIENTAÇÃO. Nenhuma, digo, NENHUMA, até mesmo uma que super respeito (não vou citar nomes), não me orientou em NADA. Apenas falaram que não havia mais lugar ou que só pegam cachorros castrados, beijosnãomeliga. Quando pedi contato de alguém que poderia ajudar era o mesmo que nada;

2) ignorância alheia, principalmente da minha própria mãe, achando que largá-lo na rua seria uma solução OK para o cachorro. Não, não é uma solução, acredite. Como eu resgato um cachorro e simplesmente o jogo na rua de novo? CADÊ O BOM SENSO, MINHA GENTE?;

3) ver claramente que o ser humano julga de forma equivocada e acredita que a galera que pega cachorros na rua é “louca”, “inconsequente”, “retardada”, “doente mental”. Brasil, de boa, eu ali vendo que o velho que estava com o Ulisses era completamente transtornado iria deixar o cachorro com ele? HOJE NÃO, MÁRCIO;

4) a coisa que mais me deixou triste de todas não irei citar aqui, mas doeu como se tivesse levado uma facada no olho (entendedores entenderão haha). Talvez eu tenha pagado todos os meus ataques por impulso que já tive nessa vida, HOJE.

Quando estava o levando para casa com a Simone e seu namorado (que me ajudaram mesmo achando o meu comportamento bizarro, haha), comecei a ficar zonza e não estava acreditando que tinha aceitado ficar com o cachorro. Eu passei 5 horas desesperada e triste em busca de um lugar para ele e,  nas primeiras duas horas,  me senti tão desamparada quanto o Márcio (o chamei assim e ele obedecia) Ulisses (por causa da música do Franz Ferdinand mesmo). Quando fiz uma propaganda no Instagram, Facebook e Twitter, me senti mais acolhida. Sei claramente da importância e força das redes sociais. Graças aos meus posts consegui a ajuda fundamental da Andrea e muita força dos amigos que estavam compartilhando a foto dele (e dando apoio moral).

Não me arrependo de ter o pegado e agido de maneira “inconsequente” como alguns falaram. Inconsequente é quem deixa um cachorro com um velho louco ou quem abandona um animal de estimação na BR. Eu posso ter agido de maneira impulsiva, é verdade, mas foi simplesmente pensando em ajudar um ser que não sabe pra onde vai ou veio.

No mais, vamos achar um lar pro Ulisses!!

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6 Comentários em A dor de uma crazy dog lady

  1. Quando eu peguei a Muffin na estrada e levei pra casa da minha mãe ela também começou a surtar. Pensei rápido e disse “Dona Marilia, você não me criou pra abandonar gato na rua! Ou eu me enganei e você queria uma filha pior???”. Funcionou pra deixar ela confusa uns minutos hehehehehe.

    Flor, você tem um coração gigante. Tenho certeza que daqui a pouco aparece alguém tão legal quanto e dá uma casa pra esse lindo :) Queria poder te ajudar mais! Se tiver como fazer algo à distância, avisa!

  2. eu te conheço e não é de hoje e sei bem a pessoa maravilhosa que você é. como te falei por mensagem, acho que o mundo precisa de mais pessoas assim, inconsequentes e loucas, que façam as coisas de coração. se pudesse teria trazido ele pra cá, só que no apto não cabe. mas quero ajudar no que mais for preciso.
    ainda bem que sua amiga conseguiu levá-lo pra casa.

    aquele senhor parecia bem estranho mesmo. a história do cd e do violão esquecido no estúdio. vai saber se tudo aquilo era verdade mesmo.

    essas ongs deveriam ter informações mais claras para dar nessas situações né? deveriam manter uma lista de locais/pessoas para indicar, para facilitar um pouco para quem s[o está querendo ajudar.

    gostaria de ter feito mais, mas realmente não sabia como. e peço desculpas por qualquer coisa.

  3. Migs, fiquei de coração na mão com essa história e só posso imaginar a sua angústia. Você fez a coisa certa, tenha certeza! Ulisses é um lindo e logo, logo vai arrumar um lar :) Se eu puder ajudar mesmo com essa distância enorme, é só falar!

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