Depois de alguns dias da morte do David Bowie, acredito que posso escrever o que senti. Acordei com uma mensagem da minha mãe contando que ele havia morrido. Antes de respondê-la, chequei a informação porque uma vez ela confundiu o Bowie com o Elton John, dizendo que o primeiro vinha pro Brasil fazer um show (depois de anos, imagina). Claro que era uma confusão da senhora minha mãe (e nem fui ao show do Elton John, infelizmente). Enfim, entrei em portais sérios, até na BBC UK pra confirmar. Era verdade e foi brutal.

Pra começo de conversar nem eu tinha consciência que era tão fã dele. Às vezes eu não tenho dimensão do quanto gosto de algo ou alguém, é meio que um retardo sentimental. Só tenho 100% de certeza do meu amor pela minha mãe, meu cachorro e o Interpol.

Fiquei anestesiada. Como qualquer surfista da internet, fui “urrar” minha dor no Facebook. “O David Bowie morreu, galera!! Dá pra crer?”, escrevi (ou algo do gênero). Lembrei de um DVD que comprei com 16/17 anos num sebo de Londrina, cidade que frequentava quando minha mãe fazia mestrado na UEL. Fui procurá-lo. Tirei foto e contei a respeito. Como eu amava aquele DVD. Assistia em Pvaí e ficava doida com a doidice dele. Ques gênio.

Daí lembrei do meu vinil do Labirinto – que também achei num sebo por um preço ridículo de barato. Em seguida recordei que fazia duas semanas que tinha revisto o filme. Fiquei feliz em achá-lo no Netflix. Depois lembrei de um poster de uma exposição dele em Amsterdam e o quanto havia ficado feliz em encontrar do nada um “David Bowie” na minha viagem linda do ano passado. Sim, ele sempre esteve ali comigo.

Passei o dia compartilhando homenagens de outros fãs porque não conseguia escrever nada. Tantos textos lindos que expressavam minha tristeza pela morte do DAVID BOWIE. Ah sim, comecei a escrever o nome dele em caps lock como se ele fosse ler e ressuscitar. É O MEU JEITINHO, TÔ GRITANDO.

Caralho. Nem eu sabia que gostava tanto dele, que bizarro. Resolvi fazer uma homenagem diferente e impulsiva: falei com um tatuador broder e perguntei se ele poderia fazer uma tattoo pequena de um raio e uma estrela. AI ME DEIXA, tava 8 meses sem tatuar nada. Fui checar se tinha 100 dilmas pra gastar nesse luxo (que fase), apertei o verde e confirmei. Fui lá e sai com uma tattoo maior do que havia combinado. O preço foi realmente um brinde, mas meu tatuador recebeu muitos likes graças a ela. Troca justa, eu acho. Na volta pra casa, comprei um monte de comfort food e fui encher o bucho assistindo um show do Ziggy Stardust no canal Bis. Do nada, chorei enquanto escutava “all the young dudes”. Tava com a boca cheia de amendoim. Patético, mas foi ótimo. Pior do que término de relacionamento. É A MORTE DO DAVID BOWIE!

Pra dormir foi um terror: toda hora checava meu cachorro pra ver se ele tava vivo. Meu luto durou algumas semanas. Nem eu sabia que o David Bowie poderia morrer um dia, do nada, e deixando um álbum réquiem. E ainda poucos dias depois do aniversário. Filho da puta de um danado. Sempre causando.

Nem pergunte se superei esse acontecimento trágico porque ainda acho que ele vai voltar com um novo personagem, o tal Blackstar e escrever uma música chamada “surprise, bitches”. Se isso é superar, nem sei mais. De qualquer forma, obrigada por ter visitado essa terra, Mr. Jones. Você viverá pra sempre.

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Comentário *