Este ano posso dizer que virei a louca do documentário. Já foram mais de 10 assistidos na Netflix e a lista só aumenta. Amo documentários, já que é possível conhecer personalidades de uma maneira mais “humana”, sem colocar num pedestal inalcançável. Gostaria de recomendar dois por aqui: da Diana Vreeland e da Bettie Page. Ah, assisti ao da Amy Winehouse e esse merece um post só pra ele. Vou falar um pouco sobre cada personalidade intercalando com minha opinião, ok?

Diana Vreeland: The Eye Has To Travel

diana vreelands

Diana Vreeland é um nome conhecidíssimo no universo fashion. Nascida em uma família abastada em Paris, sempre viveu com luxo e conforto. Sua família (pai inglês e mãe americana) mudou-se para Nova York no início da Primeira Guerra Mundial e foi lá que conheceu seu futuro marido, o banqueiro Thomas Vreeland.

A socialite sempre foi motivo de chacota pela sua mãe que a cobrava por não ser tão bonita quanto à irmã. Diana e seu marido mudaram-se para Londres e ela resolveu trabalhar. Mesmo não precisando necessariamente do dinheiro, a então empresária achava interessante ter seu próprio negócio e nunca mais parou.

Em 1936, o casal voltou para Nova York e foi nessa época que ela começou a carreira em que ficou conhecida internacionalmente: como editora de moda da Harper’s Bazaar. Diana iniciou na revista como colunista e mostrou seu potencial de maneira bem humorada. Foram 25 anos trabalhando na revista e a modificando de modo genial, saindo completamente do senso comum. Diana descobriu grandes fotógrafos, artistas e modelos icônicas como Veruschka e a atriz Lauren Bacall. É incrível acompanhar a percepção criativa da editora que não media esforços para entregar uma edição impecável para as leitoras. Afinal, os olhos precisam viajar e ela estava disposta em passar esse mundo de sonhos para quem comprasse a revista. Diana tinha uma visão cultural ampla e quis unir isso ao universo fashion.

diana vreeland

Depois de anos com a Harper’s Bazaar, a editora foi para Vogue e modificou o jornalismo de moda, o que deu nome à revista. Trabalhou com o fotógrafo e amigo Richard Avedon e era apaixonada pelo Jack Nicholson. No documentário mostra tudo isso com direito aos depoimentos de figuras conhecidas que conviveram com ela.

Como Diana sempre foi cobrada pela mãe por causa da sua beleza diferente, resolveu quebrar paradigmas e levou artistas e modelos que eram consideradas “estranhas” como Barbra Streisand, Cher e Anjelica Huston para editoriais de moda. Um nariz grande, um dente separado, um cabelo diferente, tudo isso era glorificado por ela. Diana unia artistas da moda, cinema, fotografia, literatura em uma única revista.

Para quem precisa de uma dose de energia e criatividade, esse doc é perfeito! Mostra uma mulher que sim, teve uma educação exemplar e dinheiro, mas nunca viveu encostada em ninguém e ainda revolucionou um mundo que é considerado cruel e fútil: o fashion.

Bettie Page Reveals All

bettie page

Se Diana Vreeland colaborou na revolução da revista de moda, Bettie Page ajudou na liberdade sexual feminina. O documentário conta a vida da pin-up mais famosa do mundo, sendo narrada pela própria. Bettie revela desde o início da sua carreira, seus medos, amores, tristezas, seu transtorno mental e religiosidade. Sem vergonha nenhuma de seu passado, ela explica como amava posar e respeitava a naturalidade e sensualidade de seu corpo. Muito além de um ícone sexual, fashion e cult, Bettie curtia cada momento da sua vida, se divertia ao criar seus biquínis e camisolas. Inclusive, é exposto até mesmo como foi ingênua em diversos momentos, seja na carreira ou amorosamente.

O documentário dirigido por Mark Mori vem com um acervo de tirar o fôlego com os filmes e fotos do trabalho de Bettie em que a própria explica fase por fase. Apesar de tido uma carreira curta, a pin-up deu um soco no estômago na sociedade conservadora do pós-guerra com suas poses sensuais com misto de inocência.

bettie page bunny

Bettie cresceu em uma família simples e desde cedo chamava atenção pela beleza. Depois de sofrer abusos dentro de casa e com seu primeiro marido, resolveu mudar-se para Nova York. No início trabalhou como secretária, fazendo uns freelas como modelo. Sua franja icônica foi feita por terem dito que sua testa era muito larga e tornou seu diferencial para as fotos. A pin-up mantinha seu corpo esbelto com dança e ginástica – algo que adorava. O pulo do gato em sua carreira como modelo foi ter conhecido Irving Klaw que a contratou com a condição de que ela receberia o pagamento apenas depois de posar com elementos bondage. A ascensão foi rápida, pois a modelo tinha carisma, beleza e naturalidade para posar. As melhores fotos de sua carreira são as de Klaw e da fotógrafa pin-up Bunny Yeager (vale um post).

Ao completar 35 anos, Bettie sumiu da mídia depois de causar bastante (foi presa e tudo). Apesar de ser bem religiosa, não fumar ou beber, em nenhum momento sentiu-se culpada em posar nua, já que sempre achou algo natural.

O documentário é muito interessante e leve de assistir, escutar a própria Bettie narrando sua vida é inspirador. Além disso, tem depoimentos com a mulher de Klaw, Hugh Hefner, os editores e autores da Eros Comics e Dark Horse e outros artistas que foram altamente influenciados por ela. Bettie foi uma mulher fora do tempo que não tinha vergonha de seu corpo e suas ações. Soube viver a vida na medida do possível e saiu de cena quando achou pertinente.

Espalhe por aí:

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Comentário *