Hoje tem participação especial no blog! Convidei o incrível Miguel Andrade do La Dolce Vita para fazer uma lista de cinco filmes B que podem ser encontrados na Netflix. Como ele é expert no assunto, não tem erro! Inclusive, as dicas foram tão interessantes que o jornalista já está convidado para o Volume 2 do tema. Cada dica vale ouro, confira:

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Netflix é mesmo aquela maravilha de praticidade, mas se não olhar direito, podemos nos deparar com quilos de banalidade. Escavacar o acervo deles é um dos prazeres proporcionados.

Abaixo cinco fabulosos filmes B encontráveis na Netflix. B de bom!

The Godsend

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Essa produção de suspense britânica foi distribuída pela Cannon (aquela dos filmes do Chuck Norris) no começo dos anos 80, o que pode por si já dizer alguma coisa. Família Tradicional, cheia de filhos pequenos recebe a visita de uma estranha grávida.

Estranha no sentido de desconhecida e de esquisita mesmo. Por percalços, ela acaba ganhando o bebê na casa deles e desaparece sem deixar a menor pista. O casal acaba adotando o nenê que ao crescer se revela um pequeno monstro. Mezzo A Profecia, mezzo O Bebê de Rosemary, uma delícia kitsh com criancinha psicopata de interpretação sofrível.

The Vampire Lovers

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Conhecido no Brasil também como Os Vampiros Amantes e Carmilla, a Vampira de Karnstein é atualmente o único da HammerFilms original presente no catálogo Netflix. Um clássico de horror gótico finalmente em versão completa, ou seja, com as decapitações e estacadas intactas.

Após reviver os monstros clássicos da literatura (Drácula, Frankenstein, etc.) a cores a partir de 1957, a produtora inglesa chegava ao começo da década de 70 com sua formula desgastada. A solução foi apimentar seus filmes com muitas vampiras (recrutadas das páginas da Playboy) em camisolas esvoaçantes, erotismo suave e violência acima do que se poderia esperar da época.

Isso tudo com a qualidade e classe típicas da Hammer. O roteiro parte do conto Carmilla de Sheridan Le Fanu, o que equivale, comparando mal, a um tipo de Drácula de BramStoker, só que feminino.

Na Alemanha do século XVII uma família nobre hospeda uma misteriosa baronesa que se aproxima intimamente, sobretudo da filha jovenzinha que passa a sofrer de desconhecida moléstia. Espere por muita volúpia, algum lesbianismo, sangue e “elementos vampíricos” que se tornariam iconográficos no cinema. No elenco o mitológico ator Peter Cushing e as musas Kate O’Mara e Ingrid Pitt como a sedutora protagonista de caninos afiados. Pitt se tornou o principal nome feminino da Hammer.

The Vampire Lovers gerou outros dois filmes, formando a chamada trilogia de Karnstein. Os outros são Luxúria de Vampiros e As Filhas de Drácula, todos de continuidade relativa, mas igualmente interessantes.

Las brujas de Zugarramurdi

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O espanhol Álex de la Iglesia dirige outra orgia de referências pop num emaranhado de críticas sociais. O filme começa e acaba algumas vez, nos levando junto aos bizarros personagens por momentos de histrionismo cômico e terror gráfico semelhante ao dos antigos gibis do gênero.

Basicamente um grupo de bandidos em fuga vai parar num vilarejo comandado por bruxas. Mas resumir em poucas linhas um filme de Álex de la Iglesia pode não ser justo, do mesmo jeito que a apreciação deles depende muito da absorção das referências.

Boa parte da trama se passa em Zugarramurdi, um município espanhol que realmente existe na fronteira com a França. Em 1610 (de verdade!) foi palco da condenação de 40 vizinhas pela Santa Inquisição e o roteiro faz muito bom proveito desse encontro da história com a ficção.

A principal atração turística do pequeno povoado é a Caverna do Sabbat ou Zugarramurdi, repleta de lendas do século XVI que todo ano atraem turistas e curiosos no ocultismo. E é nesse lugar onde se desenrola o apoteótico desfecho, uma das melhores sequencias musicais filmadas nos últimos tempos.

No elenco Carmen Maura (que dispensa qualquer apresentação) e os astros Macarena Gómez e Hugo Silva, um dos pilotos de Os Amantes Passageiros de Almodóvar. Os dois últimos depois trabalhariam juntos no sensacional Shrew’sNest, conhecido ainda como Sangre de Mi Sangre ou Musarañas e que também está disponível na Netflix.

The Lost Empire

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Geralmente filmes B são divertidos visualmente e nas situações absurdas, mas têm um roteiro chato nas raias do insuportável. The Lost Empire é uma das bobagens mais legais que já vi!

Pense num lixo que envolve ninjas, mulheres de pouca roupa e seios fartos, um homem numa fantasia de gorila (!!!), espionagem, seita secreta milenar meio nazista, gostosas na cadeia, tudo isso em 1985, com uma incrível estética ultrapassada. Risos involuntários é o mínimo que você pode esperar.

Ah, as protagonistas são “três lindas garotas”, destemidas, que remetem imediatamente ao seriado As Panteras, embora aquela altura ele já tinha acabado. Mas elas, quem sabe, poderiam substituir o trio da TV (aham!). A índia do grupo é a atriz e playmate Raven De La Croix, também vista nos filmes de Russ Meyer, ou seja estava disposta para muita coisa. Consta que ela mesma criou seus figurinos, o que não quer dizer muito coisa, sério!

A cópia da Netflix é tão perfeita que ainda tem alguns daqueles rabiscos na película. Claro que é restaurado, áudio estéreo que deixa a trilha sonora executada num tecladinho vagabundo ainda melhor.

Clown

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Palhaços são insuportáveis e podem ser perigosos. Para eles mesmos!

Amável pai tenta resolver a ausência do palhaço que animaria a festa de seu filho, no porão ele encontra uma velha roupa de palhaço e decide usá-la. Aí ficamos em dúvida sobre quem usa o quê e qualquer outra informação pode ser spoiler.

Pequena surpresa independente com uma ideia realmente original. Jon Watts, que deve dirigir o próximo filme do Homem Aranha, estreava na direção em 2014 nessa pérola de ritmo irregular, mas com ótimos momentos de horror e suspense.

O filme é a versão em longa metragem do curta dirigido pelo mesmo Watts em 2010, o que pode justificar certa dilatação nas situações, mas também o apuro em soluções eficazes. Cult por natureza.

  • Miguel Andrade, 39 anos é fascinado por cultura B e o século XX. Nunca conseguiu manter seu Tamagochi por mais de duas semanas, mas desenvolve o blog La Dolce Vita há 14 anos.
Espalhe por aí:

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