Acredito que é comum do ser humano ter curiosidade a respeito de figuras que fazem parte da tal monarquia. Parece algo tão distante, pomposo e cheio de convenções que é interessante observar. Dia desses estava no Instagram do Vintage Daily onde tinha fotos da Farah Diba e Soraya, ambas princesas do Irã. Achei as duas tão lindas que mostrei pra minha mãe e ela me contou a respeito da segunda. Gostaria de repassar essa estória que não é nenhum conto de fadas.

Soraya Esfandiary-Bakhtiari nasceu na Pérsia, filha mais velha do nobre e embaixador do Irã na Alemanha Ocidental, nos anos 50, Khalil Khan Esfandiari-Bakhtiari, e da russo-alemã Eva Karl. Aos 19 anos, Soraya apaixonou-se pelo Shah do Irã, Mohammad Reza, e tão logo se casaram. Após sete anos de casamento, a princesa tentou diversos tratamentos de fertilidade sem sucesso para que pudesse ter o tão aclamado herdeiro. Como o trono passa de geração em geração, é obrigação ter um filho para dar continuidade à dinastia.Triste, não?

o triste casal :(
o casal. Soraya vestiu Dior no casório real

Como era realmente um caso de amor entre os dois, Shah quis solucionar o impasse com uma ideia bastante tola: ter uma segunda esposa que pudesse ter um filho dele. Soraya, bastante aviltada com a proposta, usou do bom senso e não aceitou a condição, deixando a Pérsia logo em seguida para voltar à casa de seus pais em Colônia, na Alemanha. Nesse meio tempo, o príncipe tentou convencê-la e foi em vão. Segundo a própria, ela teve de renunciar a própria felicidade, pois não poderia aceitar a ideia em compartilhar o amor de seu marido com outra mulher. Lembrando, é claro, que estamos falando de uma cultura onde o machismo é brutal.

O divórcio foi anunciado no Ano Novo Persa, em 21 de março de 1958, em que o Shah fez um discurso emocionado ao povo, transmitido pela televisão e pelo rádio. O caso foi tão discutido que virou letra de música. Je veux pleurer comme Soraya (“Eu quero chorar como Soraya”) foi escrita pela compositora belga Françoise Mallet-Jorris e interpretada pela francesa Marie-Paule Belle.

Depois do divórcio, Soraya – que continuou com o título de sua Realeza Imperial Princesa do Irã – resolveu se lançar como atriz. Era belíssima (uma mistura de Sophia Loren com Ava Gardner, na minha opinião) e fotogênica, mas fez somente dois filmes, ambos em 1965: I tre volti (“As Três Faces”), de Franco Indovina e She, dirigido por Robert Day. Indovina e a então atriz começaram a namorar, relacionamento que durou pouco, pois o diretor faleceu em 1972 em um acidente de avião.

filmando
filmando

Após a morte dele, Soraya viveu reclusa em Paris. Além disso, escreveu suas autobiografias Princess Soraya: Autobiography of Her Imperial Highness (“Princesa Soraya: Autobiografia de Sua Alteza Imperial”), de 1964 e Le Palais Des Solitudes (“O Palácio da Solidão”), de 1991.

Em 26 de junho de 2001, a princesa solitária morreu em Paris aos 69 anos de causas não divulgadas. Seu irmão mais novo, Bijan, ficou inconsolável e morreu uma semana depois. Muitos dizem que ambos foram assassinados. Existe um telefilme de 2003 chamado Soraya (a.k.a. Sad Princess), estrelado pela Miss Itália 95, Anna Valle.

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