Estava rolando uma brincadeira (aka corrente) no Facebook em que você deveria postar uma foto de um álbum que teria muita importância na sua vida e indicar amigos para continuarem. Me marcaram e não quis pensar muito: citei The Idiot, do Iggy Pop. O escolhi porque desde o final de julho estava ouvindo incansavelmente e dei continuidade em agosto.

Acho esse álbum importante por tantos motivos, por exemplo: ele foi o disco de estreia do Iggy Pop em sua carreira solo (depois do Stooges), lançado em ’77 – ano muito próspero musicalmente e com colaboração intensa de David Bowie.

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Ele foi finalizado basicamente em Berlim, cidade que abrigou Bowie e Pop na tentativa de ambos em diminuir o consumo de drogas pesadas. As letras são exatamente sobre essa fase louca pero no mucho da dupla afinada (Funtime, Nightclubbing, Dum Dum Boys). Segundo Pop contou, Bowie e o produtor Tony Visconti pediam para que ele deixasse o tom punk e cantasse com uma frequência mais “leve”, prestando atenção no timbre. “Cante como a Mae West”, disse o camaleão para o roqueiro de vestido. Deu certo. Tanto é que quando escuto Baby (minha predileta), sinto a sedução na voz de Iggy Pop. E Nightclubbing – que foi regravada pela deusa Grace Jones – também é uma delícia soturna, arrastada. Imagino os dois andando por Berlim à noite, perambulando nas boates diferentonas da cidade.

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O nome do álbum foi inspirado no livro de Dostoiévski, O Idiota, que era adorado pelos meninos. Outro fato legal é que a famosa China Girl, original do The Idiot, foi regravada em 1983 por Bowie para o “Let’s Dance”. Gravado no estúdio Hamsa By The Wall, em Berlim, foi ali que também nasceram Low, Lust For Life e Heroes. Para o The Idiot – que seria o debut solo de Iggy – teve um atraso para finalização, já que Bowie pediu para que Visconti trabalhasse na mixagem. Valeu a pena a espera, pois o sucesso foi tanto que Iggy Pop conseguiu um contrato pela RCA.

iggy bowie
Nightclubbing, we’re nightclubbing. We’re an ice machine. We see people brand new people, they’re something to see
Dum dum boys are you Alive or dead
Dum dum boys are you
Alive or dead
Fun I'm gonna get stoned and run around All aboard for funtime
Fun
I’m gonna get stoned and run around
All aboard for funtime
Listen to me Sister Midnight You put a beggar in my heart Calling Sister Midnight
Listen to me Sister Midnight
You put a beggar in my heart
Calling Sister Midnight
I'm buried deep in mass production You're not nothing new
I’m buried deep in mass production
You’re not nothing new

Dizem que o Ian Curtis, do Joy Division, escutava The Idiot um pouco antes de se enforcar na cozinha de sua casa. Verdade ou não, na alegria ou na tristeza, na vida ou morte, esse álbum está no meu coração e ouvidos para sempre. Para finalizar, indico esse texto aqui que conta a saga de David Bowie e Iggy Pop em 1977.

THE IDIOT, IGGY POP

Lançamento 18 de março de 1977
Gravação julho de 1976 a fevereiro de 1977
  • Iggy Pop – vocal
  • David Bowie – teclado, sintetizador, guitarra, saxofone, xilofone, vocais
  • Carlos Alomar – guitarra
  • Dennis Davis – bateria
  • George Murray – baixo
  • Phil Palmer – guitarra
  • Michel Santangeli – bateria
  • Laurent Thibault – baixo
Espalhe por aí:

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