Hoje tem uma entrevista muito maravilhosa com uma das minhas amigas de internet, a Luiza Florenzano. Já tem anos que nos conhecemos, quando blog ainda era diário e escutávamos A Perfect Circle e Rasputina. Eu e a Lu nos formamos em jornalismo quase na mesma época, mas em faculdades e cidades diferentes; e cada uma seguiu um rumo distinto dentro da profissão. A Luiza virou uma fotógrafa mega competente e tem um portfolio de respeito no meio. Resolvi chamá-la para falar um pouco sobre seus projetos. Vale a pena conhecer, morro de orgulho em ver minhas amigas – distantes ou não – arrasando por aí.

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1- Nós cursamos jornalismo em um momento que a fotografia não era uma opção fácil, já que as câmeras digitais eram muito mais caras e com menos funções do que as de hoje. Foi uma paixão instantânea por essa matéria e você já via como ganha-pão?
Foi paixão instantânea mesmo. Eu estava bem broxada com a faculdade, pensando até em largar, e no terceiro ano de curso essa matéria chegou como um presente. No começo era mais como um hobby: os momentos mais legais da semana passaram a ser as aulas de fotografia, em que eu fotografava com filme e depois ia pro laboratório revelar. Começar a enxergar a fotografia como ganha pão foi só no quarto ano da faculdade, conforme a formatura se aproximava eu tinha cada vez mais certeza de que era a única coisa pela qual eu me interessava fazer (tanto que me formei em Santos e no ano seguinte me mudei pra São Paulo pra estudar fotografia e começar como assistente de fotógrafa). Sobre as câmera digitais: sim, mesmo uma semiprofissional era (e ainda acho que é) bem cara, mas eu tive a sorte de poder começar sendo “paitrocinada”, então na realidade esse não foi bem um problema. Sem falar que, pra quem tá começando, qualquer câmera que te dê a possibilidade de fotografar completamente no manual, é uma puta câmera. A gente vai pegando as frescuritchas de câmera e, principalmente de lente, quando começa a entender melhor o funcionamento de cada uma e quando começa a entrar mais no mercado de trabalho mesmo. Mas acho que todos sabemos que é possível fazer trabalhos lindos com qualquer câmera e qualquer lente. (Mentira, tem aqueles que não sabem e não tem vergonha nenhuma de soltar o clássico: com essa câmera, até eu. rs)

2- Sei que você faz uma fotografia onde o ser humano realmente é o centro. Você tem alguma preferência entre seus trabalhos (parto, casais, ambientes etc)?
Olha, eu tenho dois amores dentro da fotografia: partos e festas infantis.
Confesso que eu demorei um pouco a gostar de fotografar festas infantis, principalmente porque eu não levava o menor jeito com crianças. Nem com as mais fáceis de lidar. Foi um tema que eu comecei a fotografar por necessidade e hoje faço por paixão. De verdade: hoje eu AMO crianças. E não só isso: amo ter que entrar nas piscinas de bolinhas com elas, e ir na tirolesa, no escorregador, conversar e fazer elas interagirem comigo e com a câmera…
Sobre os partos: eu amei desde o primeiro que fotografei. Isso porque nele eu me torno invisível: é só entrar no centro cirúrgico, observar e fotografar. Eu não preciso dirigir absolutamente nada. Sem falar que, né? É um momento muito lindo. Queria eu que o meu parto tivesse sido fotografado!

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3- Me conte como você começou no Histórias de Casa! É um projeto grande e interessante. Como você enxerga a casa das pessoas?
Antes de começar a fotografar para o site eu já acompanhava o trabalho há alguns meses e adorava. Eis que um belo dia de 2015 eu fiquei sabendo através do instagram do Histórias de Casa que elas estavam buscando por fotógrafos. Mandei um email, conversei com a Bruna e Paula via Skype, fiz umas fotos da minha casa como teste e elas me chamaram! Fotografar ambientes era algo completamente diferente do que eu fazia até então e as duas me ensinam muito sobre esse tipo de fotografia até hoje.
Entrar em casas desconhecidas, onde os moradores também são desconhecidos, é muito bacana porque é um exercício de constante observação. Hoje em dia até os tipos de móveis que um lar possui já me conta um pouco sobre o morador, mas os detalhes são os mais legais de observar. Tem aqueles lares em que a gente entra e percebe marquinhas de mãozinhas nas paredes, tem outras em que são os pelos e brinquedos de animais pelo ambiente (me identifico demais com essas), tem aquelas casas em que grande parte dos objetos decorativos foram feitos manualmente, tem as que são repletas de plantas, tem as das flores artificiais. Enfim, é a ideia que o site abraça mesmo: “Toda casa tem uma história pra contar”.

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4- Por fim, qual a dica que você dá para quem quer começar carreira como fotógrafa?
Eu não me vejo em posição de dar muitas dicas ou dizer o que é certo e errado a se fazer, mas o conselho que eu sempre dou pra quem está começando é fotografar tudo o que der na telha e, principalmente, todo o tipo de trabalho que aparecer. Mesmo que pareça chato. Mesmo que tenha medo. Vai com medo mesmo e com a consciência de que muitas vezes o resultado final vai ser frustrante a ponto de fazer com que você ache que não nasceu pra isso. Isso acontece comigo até hoje e eu acredito que vai acontecer ainda por muito tempo, se não pela minha carreira toda. Foi através da insistência e da curiosidade que hoje eu trabalho com temas que amo e que eu jamais imaginaria trabalhar quando eu comecei a fotografar. E espero que eu descubra ainda alguns outros mais.

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