Quando completei 30 anos não consegui passar direito pela crise pré-balzaquiana. Quer dizer, passei por uma “crise” profissional que hoje vejo que valeu a pena, apesar d’eu ainda estar penando. Mas nada na vida é fácil, né não? Quando estava para completar 31, um mês antes para ser exata, passei por um turbilhão pessoal que foi extremamente necessário. Me vi como uma adolescente: bebendo vinho barato no bico no cavalo babão (curitibanos entenderão), perdendo celular caríssimo pelas ruas, tendo crush em pessoas beeeem mais novas, sentada no meio fio não entendendo bulhufas e rindo além da conta com um choro no final. Enfim, essas coisas que uma pessoa de 30 anos não quer se dar ao luxo em fazer, pois está muito maduro para tal. Me arrependo? JAMAIS. Só não perderia meu celular porque foi um dos maiores prejuízos de 2016, de verdade. Esse foi foda. No mais, eu precisava passar por essa experiência mais uma vez (porque né, não foi exatamente uma novidade – tirando o lance do celular).

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Depois da turbulência emocional e social, comecei a entender meu momento. Sempre tive essa coisa meio wild, meio vidaloca mesmo. Isso vai me acompanhar pra sempre, inclusive espero nunca perder. Então, surgiu uma boa oportunidade, digamos assim. Algo que sempre foi muito travado na minha vida e já escrevi muito a respeito por aqui. Os arquivos não mentem. Logo, sem muito medo, resolvi me dar ao luxo e a sentir, a tentar melhorar, fazer acontecer, sentir segurança e confortabilidade. Senti como algo que agrega, apesar de algumas diferenças que existiram e me fizeram amadurecer.

Como nada é lindo, comecei a questionar tudo a minha volta. A minha disponibilidade foi questionada e a minha paciência, testada. As pessoas me veem como amiga, como uma posse ou uma diversão temporária? Por que as pessoas gostam de mijar no meu pé para marcar território achando que vão me perder? Por que as pessoas gostam de competir comigo, sendo que não me vejo numa competição de egos e aparência? Preciso deixar claro que não vou me perder, que não irão me perder e que sempre estive ali, apesar do estágio novo que, no frigir do ovos, nem deu certo.

AMIZADES. Algo sagrado pra mim. Eu não sou amiga de quem não quero, já finalizei relacionamentos com sanguessugas, pessoas que me colocavam pra baixo. Amigo é pra te acordar quando você tá fazendo cagada, pra ter abraçar quando você tá na merda, pra você falar suas bobagens, bem como os assuntos sérios, para ficar feliz quando você tá muito feliz. É para confiar, é para se sentir seguro. A troca eterna, não importa se você tá perto ou não. Se você cair, ele vai estar atrás pra te segurar e aliviar a queda. Se não estiver por algum motivo pessoal, vai vir com um remédio pra curar a ferida. Não precisa ser grude, aliás, nem gosto, não sou daquelas que manda mensagem todos os dias. Às vezes peco com isso. Enfim, enxergo assim.

Também veio outro questionamento: quando você passa por momento passivo-agressivo, simplesmente porque sente que existe insegurança de outrem pela sua personalidade. Quantas conversas são necessárias para deixar alinhado e melhorar? Até onde vale a canseira, seja no amor ou na amizade? Mais perguntas do que respostas, claro. A vida é assim mesmo, parece uma criança aprendendo a andar: pega um impulso-cai-chora-levanta de novo-aprende.

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Depois dos 30, você acaba se dando o luxo em amadurecer a fim de sofrer menos. De ter mais entendimento, de tentar ser menos cruel e mais esperta com seus sentimentos. Se questiona, escreve texto, apaga linhas que talvez machuque alguém que gosta, mas deixa seu recado porque é necessário. Depois dos 30 as coisas melhoram sim, só ter calma, bom senso e amor próprio.

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