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Três filmes com Catherine Deneuve

Hoje, 22 de outubro, é o último dia do sol em Libra e aniversário de uma das minhas musas, a Catherine Deneuve. Quem me conhece sabe que tenho uma “obsessão” com a beleza dela porque concordo que é gélida (ela é conhecida na França como “Ice Queen”) e, principalmente, acho sensacional a escolha de roteiros que ela faz. Catherine completa 74 anos com uma lista de 130 filmes que, em sua maioria, possui uma direção incrível. Todos os filmes que assisti com ela sempre me marcaram de um jeito ou outro, nunca foram um entretenimento em vão. Então, vou citar três filmes que acho legal conhecer. Muito mais que um rosto lindo, um talento inegável que até hoje está na labuta nos entregando papéis excelentes.

Bela da Tarde

Belle de jour (1967) é um dos filmes mais conhecidos que Catherine fez em parceria com o diretor espanhol Luis Buñuel. Esse diretor sempre foi um dos meus prediletos, tendo em vista que o utilizei como tema de monografia na minha pós-graduação (abordando a guerra civil espanhola, na verdade). Como não poderia deixar de ser, essa película tem um teor onírico – o que é muito comum nos roteiros de Buñuel, então sequências entre sonhos/realidades são constantes ao contar a vida de Séverine, uma bela mulher que é casada com um médico. Apesar de amar seu marido, ela não consegue ter intimidade física com ele e procura aventuras eróticas fora de casa, começando a trabalhar à tarde em um prostíbulo onde fica conhecida como a Belle de Jour (Bela da Tarde).

Vemos uma Catherine, atriz de 24 anos, em um papel não muito distante do que já havia feito em Repulsa do Sexo (1965), de Roman Polanski, com sua Carol, uma jovem esquizofrênica que é reprimida sexualmente. Papel fácil? Tô fora, a francesa pega sua bike e vai embora. Vale a pena assistir Tristana (1970) que é outra dobradinha Deneuve-Buñuel e foi censurado pelo franquismo (como quase todos seus filmes).

Sereia do Mississipi

La sirène du Mississipi (1969) é um filme que acho pesado, dedicado, inclusive a Jean Renoir. Pode ficar arrastado uma hora ou outra, já que o François Truffaut nunca facilita sua vida mesmo. Mas conta sobre um empresário do tabaco interpretado pelo feio-bonito Jean-Paul Belmondo que aguarda sua noiva de um casamento arranjado via anúncio-correspondência. Quando ele vai buscá-la no navio, quem aparece é uma mulher bem diferente da foto que ele recebera. Fascinado pela beleza da “nova pessoa”, resolve casar com ela mesmo assim, sem esperar maiores explicações. A paixão que ele tem pela aparência da nova esposa acaba virando seu tormento ao descobrir que ela é uma vigarista de marca maior.

Catherine Deneuve está perfeita no papel de uma mulher fria, perspicaz (do mal), com caráter totalmente duvidoso que manda e desmanda nos caras ao utilizar sua beleza e sedução em benefício próprio. O entrosamento entre ela e Belmondo é interessante, ambos excelentes atores conseguem segurar o roteiro que às vezes dá uma balançada. É um filme sobre um amor trágico, cego e trapaças. Ps:- a trilha sonora ajuda muito e é um ode à beleza de Deneuve:

– “Eu sei, você não gosta que eu diga que você é bela, você acha que eu exagero. (…) Você vai ver; não falarei mais da sua beleza, e até, se você preferir, vou dizer que você é feia; eu vou descrever você como se você fosse uma foto, ou uma paisagem. Seu rosto… Seu rosto é uma paisagem, e, veja, estou sendo neutro e imparcial… Sim, uma paisagem. Para começar, há os dois olhos, eles são dois pequenos lagos… Marrons.” Ela intervém: – “Marrons esverdeados.” – “Dois pequenos lagos marrons esverdeados; a testa é uma planície e o nariz… aqui… é uma pequena montanha. Pequena. A boca é um vulcão. Abra um pouco para que eu possa ver os dentes… Não tanto assim, só um pouco… Assim!”

Fome de Viver

Mais um roteiro sabiamente escolhido por ela: The Hunger (1983), de Tony Scott (irmão do Ridley) virou cult do underground com toda razão do mundo. Quem escolheria ser uma vampira burguesa bissexual, amante de David Bowie que anda pelo submundo novaiorquino em que o Peter Murphy dá pinta? Somente ela, La Deneuve. Com um teor totalmente darks, conta a vida (secular) da vampira Mirian e seu lover, o músico-vampiro John que se alimentam de góticos mal informados que viram mortos-vivos engavetados numa sala. Com medo de envelhecer, os dois procuram uma médica especializada, interpretada por Susan Sarandon. Pronto, foi feito o triângulo amoroso.

Plus: Ela Vai

Para encerrar, vale indicar mais um sim! Elle s’en va é mais recente, de 2013, e gostei tanto que merece a menção. É a vida de Bettie que é abandonada pelo amante, com problemas em seu restaurante e precisa levar seu neto em uma viagem. Papel criado especialmente para Catherine pela diretora Emmanuelle Bercot, mostra uma mulher de 70 anos que foi ex-rainha de beleza e, durante a viagem, frequenta bares, dorme com homem mais novo e tenta educar o neto da pior maneira possível. Ela tá soberana e no auge! Outro papel que adoro em que ela está mais velha é “Potiche – Esposa Trófeu” (2010) que é bem filme europeu cheio de reviravoltas.

Feliz aniversário, bela! Continue trampando bastante e sendo maravilhosa. 

Catherine Deneuve como Crazy Cat Lady

CATHERINE DENEUVE as THE CRAZY CAT LADY 6

Quem disse que toda crazy cat lady é largadona, tem a casa é bagunçada ou que é ruim ser solteira com gatos? Pois a fotógrafa Alice Rosati e o stylist Jonathan Huguet convidaram a diva francesa Catherine Deneuve para um ensaio que desmitifica o que é ser uma crazy cat lady (ou a doida dos gatos). As fotos serão publicadas na revista alternativa King Kong e aqui dá pra assistir um vídeo do backstage. Espero ser uma maravilhosa cheia de gatos que veste Lanvin ;)

A diva tatuada: Catherine Deneuve

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Sim, sempre falo dela e já tem um post a respeito de sua beleza aqui. Semana passada estava procurando uma foto da Catherine Deneuve – minha musa da beleza madura – para ilustrar um evento de aniversário e descobri que a diva possui uma tatuagem nas costas. Fiquei surpresa sim, é claro. Venhamos e convenhamos que o pessoal dessa época não é muito fã de arte no corpo. Minha mãe, por exemplo, que tem quase a idade dela, não gosta MESMO. Fica doidinha quando apareço com um desenho novo, mas superou o fato de ter uma filha tatuada.

Fato é, que sempre achei essa mulher bem à frente de seu tempo, tendo em vista os roteiros que ela já aceitou por aí (fetiche sexual, vampira bissexual, feminista enrustida etc). Acho que para ser atriz é preciso um pouco de ousadia para lidar consigo mesma e interpretar papéis variados. E ela tem isso de sobra… e eu não deveria ter ficado espantada!

Deneuve sempre foi exemplo de elegância e garbo. Foi uma das musas de Yves Saint Laurent, sempre está muito bem arrumada e achei sensacional ela aparecer em um red carpet com sua tatuagem à mostra. Isso ajuda a desmitificar sobre  mulheres mais velhas que são tatuadas e elegantes. É possível ser assim e mais um pouco! <3

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Ensaio que ela fez com 71 anos para a New York Magazine. Como ser sexy e ter mais de 70 anos ;)
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A tattoo é uma tribal de tamanho mediano em suas costas. Achei bonitinha.
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Like a boss <3
Também tem um tribal adendo no pé
Também tem um tribal adendo no pé
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Montagem da Vanity Fair França
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Não gostou? Ela provavelmente vai rir e acender um cigarro em um lugar proibido.

Eye-candy – Catherine Deneuve

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Loira, libriana, linda, pegou o Marcello Mastroianni e teve uma filha com ele, fez filme cult gótico com David Bowie, já foi garota propaganda da Chanel e ainda virou uma senhora divônica.  Minha musa francesa do nariz perfeito, Catherine Deneuve! Ela, Brigitte Bardot e a Ava Gardner são minhas principais referências de beleza, fato. Quem segue minha outra fanpage deve reparar que elas aparecem com frequência e não é à toa, as admiro muito.

Já contei aqui que a Deneuve é minha senhora predileta, aquela que você almeja ser um terço parecida na idade madura, sabe? Fazia tempo que não aparecia um eye-candy, então toma essa linda para admirar:

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Por Helmut Newton para a Vogue França, em 1962

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sem photoshop!

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Com meu muso Mastroianni, essa mistura da Itália com França <3
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Com a irmã Françoise Dorléac, tão linda quanto! Faleceu em um acidente de carro :~~
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Com o filho Christian Vadim, o pai é o cineasta Roger Vadim
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Com a filha Chiara Mastroianni (que é a cara do pai)
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muah

Fonte das fotos e gifs daqui.

Grace and Frankie – sensibilidade ao envelhecer

Quem acompanha o blog faz um tempo ou me conhece pessoalmente, sabe que sou totalmente a favor do envelhecimento e defendo pessoas mais velhas com unhas e dentes. Existe falta de sensibilidade e muito preconceito com pessoas que passaram dos 50 anos e isso é um fato que a sociedade tenta esconder a qualquer custo. Como se envelhecer fosse um absurdo, sabe como? Nesta categoria aqui falo bastante a respeito disso. Dada a introdução, quero falar sobre um seriado que aborda esse assunto com maestria.

Desde que a Netflix disponibilizou (2015) Grace and Frankie, acompanho e sou apaixonada por esta série. Não sei porque cargas d’água nunca escrevi sobre ela, mas assistindo à terceira temporada e me emocionando em alguns episódios resolvi fazê-lo. O que me motivou a assistir foi basicamente o retorno da Jane Fonda (Grace) às telas e a Lily Tomlin (Frankie) que é outra atriz sensacional. A trama que é estilo sitcom e criada por Marta Kauffman (Friends) e Howard J. Morris, também me chamou atenção: dois advogados e parceiros de empresa com mais de 70 anos (Martin Sheen e Sam Waterston, respectivamente) saem do armário e decidem se casar, deixando as duas esposas perdidas.

Na primeira temporada vemos o início do caô gerado pela revelação também por meio dos filhos dos casais que estão na faixa etária de 30 anos. Me identifiquei porque sou filha de uma mulher de 70 anos e tenho 31 anos, logo o entrosamento entre as mães (70+) e filhas (30+) é muito parecida, mesmo que seja um pouco fantasioso para oferecer o charme necessário ao telespectador. As duas mulheres que possuem personalidade completamente diferentes – Grace é a cocota egoísta e Frankie é a hippie neurótica – vão morar juntas na casa de praia da família e começam a se apoiar na dificuldade uma da outra, questionando o fim do casamento, a velhice e outras agruras da atual conjuntura delas.

A personalidade difícil de Grace é até compreensível, já que a mesma passou a vida com um homem de educação dura irlandesa, totalmente frustrado por ser gay que não compreendia sua própria sexualidade. Grace era CEO de uma empresa de cosméticos que agora é de sua filha Brianna (my animal spirit), então logo comandava seu próprio negócio. Já Frankie é easy-going até um determinado momento: ela é a tia maconheira legal e amável que ensina as coisas da vida, mas é que a tem mais dificuldade em aceitar o novo relacionamento do marido, já que os dois se davam muito bem. Também é compreensível a falta de compreensão (heh) de Frankie ao término do seu relacionamento: Sol parece ser claramente bissexual e a gente entende que eles eram extremamente apegados e parceiros um do outro. Deve ser muito frustrante sair da zona de conforto aos 70 anos e é isso que elas demonstram.

Na segunda temporada as duas já estão mais entrosadas e o relacionamento de Sol e Robert não é mais preocupação entre as duas, pois os exes estão casados e tudo está mais ou menos resolvido. O grande lance da segunda temporada é sobre o envelhecimento e a falta de respeito dos jovens. Para mim, chamar alguém de velho não deveria ser xingamento, bem como chamar alguém de gordo. É um estado físico, oras. Se você não morrer aos 20, obviamente envelhecerá e qual é o problema disso? Admirar senhoras e senhores que envelheceram com dignidade é maravilhoso porque foi entre os 20 e 30 anos que eles tiveram o bom senso em se cuidar. Eu, aos 31, tenho dores nas costas, muita fadiga, esteatose hepática e pedra na vesícula, e é provável que eu não chegue nem aos 50.

E verdade seja dita, para uma mulher envelhecer pode ser pior ainda porque a cultura da velha bonita e “pegável” ainda é um mito. O homem da barba branca e rugas é um charme que só, mas a mulher é considerada um maracujá que é esquecido na gaveta. Por isso, que amo e divulgo as advanced style, a Catherine Deneuve no alto dos seus 73 anos que ainda faz filme transando, a Vanessa Redgrave aos 79 numa campanha pra Gucci, entre outras quebras de paradigmas. Veja a Jane Fonda com 79 anos, meu Brasil! Que corpão, que pele, que cabelo! Veja minha mãe com 71 anos que finalmente deixou o cabelo embranquecer, tá amando ser aposentada etc. Uma cena dessa temporada que me chamou a atenção é quando as duas vão ao supermercado pra comprar cigarros depois de um momento difícil e não são atendidas. Quando aparece uma novinha, o funcionário atende prontamente. A situação é deplorável.

Outra parte emocionante na segunda temporada é o encontro das duas com a amiga Babe (Estelle Parsons) que representa uma grande virada na série. Babe é amiga de longa data das meninas que sempre foi muito independente: não teve filhos e não casou por opção e sempre estava viajando. Ao voltar para os EUA, descobre que está muito doente e escolhe o suicídio assistido (depois de dar uma festa). Tudo é apresentado com um humor muito incrível, sem ser piegas. A amiga ainda deixa um vibrador de presente e, ao usar, Grace diz que fez mal à sua artrite. Esse será o fio condutor da terceira temporada: elas decidem criar vibradores projetados para mulheres mais velhas. Eu lembro que fiz minha mãe assistir ao season finale porque foi tão incrível e inspirador para mulher de qualquer idade!

A terceira temporada – que finalizei em apenas três dias, sempre com muito custo para não fazer binge-watching- tem momentos bem interessantes e começa com o preconceito que bancos americanos possuem em fazer empréstimo para pessoas mais velhas. Fala sobre irmandade (as filhas de Grace e os filhos de Frankie), sobre abrir negócios depois de velho e o marketing para essa classe (muito legal essa parte), sobre mulheres que contratam garotos de programa (gente, eu adoro a Brianna, sério), sobre mulheres de 30 com muitos filhos e outras que não querem, sobre realizar sonhos antigos (a exposição da Frankie), entre outros. Um assunto relacionado que me pegou de jeito foi sobre aposentadoria: Robert e Sol estão cansados do escritório de advocacia e pensam em se aposentar. O primeiro acha perfeito e uma escolha inteligente porque tá de saco cheio e quer aproveitar a vida. Já Sol ainda resiste em deixar o trabalho, mesmo tendo preparado seu filho de 32 anos, o Bud. Quando ele se dá conta que realmente tá na hora de aposentar é de partir o coração, eu até chorei:

Eu sou a Joan-Margaret

Me emocionei porque minha mãe também tinha dificuldade em se aposentar, era um misto de medo e achar que ia perder a capacidade. Um amigo deles ainda fala: “se aposentar é maravilhoso, se eu pudesse seria sempre aposentado” ou algo do gênero. Era isso que eu tentava passar para minha mãe, a pessoa trabalha anos e anos, agora tem independência financeira para curtir um pouco mais da vida, pra quê ficar se estressando à toa?

Grace and Frankie é uma série para todos, de qualquer idade, de verdade. É divertida, tem sacadas inteligentes, fala sobre sexo na terceira idade (as duas arrumam namorados ou paqueras), parceria entre mulheres de todas as idades, vícios, medos, frustrações, coragem, mãe e filha, pai e filho, mãe e filho, aceitação, negócios, homossexualidade depois dos 70 etc. Sempre de forma delicada, divertida e respeitosa. Ah, a fanpage oficial da série é maravilhosa e cheia de gifs, vale a pena seguir.