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Grace and Frankie – sensibilidade ao envelhecer

Quem acompanha o blog faz um tempo ou me conhece pessoalmente, sabe que sou totalmente a favor do envelhecimento e defendo pessoas mais velhas com unhas e dentes. Existe falta de sensibilidade e muito preconceito com pessoas que passaram dos 50 anos e isso é um fato que a sociedade tenta esconder a qualquer custo. Como se envelhecer fosse um absurdo, sabe como? Nesta categoria aqui falo bastante a respeito disso. Dada a introdução, quero falar sobre um seriado que aborda esse assunto com maestria.

Desde que a Netflix disponibilizou (2015) Grace and Frankie, acompanho e sou apaixonada por esta série. Não sei porque cargas d’água nunca escrevi sobre ela, mas assistindo à terceira temporada e me emocionando em alguns episódios resolvi fazê-lo. O que me motivou a assistir foi basicamente o retorno da Jane Fonda (Grace) às telas e a Lily Tomlin (Frankie) que é outra atriz sensacional. A trama que é estilo sitcom e criada por Marta Kauffman (Friends) e Howard J. Morris, também me chamou atenção: dois advogados e parceiros de empresa com mais de 70 anos (Martin Sheen e Sam Waterston, respectivamente) saem do armário e decidem se casar, deixando as duas esposas perdidas.

Na primeira temporada vemos o início do caô gerado pela revelação também por meio dos filhos dos casais que estão na faixa etária de 30 anos. Me identifiquei porque sou filha de uma mulher de 70 anos e tenho 31 anos, logo o entrosamento entre as mães (70+) e filhas (30+) é muito parecida, mesmo que seja um pouco fantasioso para oferecer o charme necessário ao telespectador. As duas mulheres que possuem personalidade completamente diferentes – Grace é a cocota egoísta e Frankie é a hippie neurótica – vão morar juntas na casa de praia da família e começam a se apoiar na dificuldade uma da outra, questionando o fim do casamento, a velhice e outras agruras da atual conjuntura delas.

A personalidade difícil de Grace é até compreensível, já que a mesma passou a vida com um homem de educação dura irlandesa, totalmente frustrado por ser gay que não compreendia sua própria sexualidade. Grace era CEO de uma empresa de cosméticos que agora é de sua filha Brianna (my animal spirit), então logo comandava seu próprio negócio. Já Frankie é easy-going até um determinado momento: ela é a tia maconheira legal e amável que ensina as coisas da vida, mas é que a tem mais dificuldade em aceitar o novo relacionamento do marido, já que os dois se davam muito bem. Também é compreensível a falta de compreensão (heh) de Frankie ao término do seu relacionamento: Sol parece ser claramente bissexual e a gente entende que eles eram extremamente apegados e parceiros um do outro. Deve ser muito frustrante sair da zona de conforto aos 70 anos e é isso que elas demonstram.

Na segunda temporada as duas já estão mais entrosadas e o relacionamento de Sol e Robert não é mais preocupação entre as duas, pois os exes estão casados e tudo está mais ou menos resolvido. O grande lance da segunda temporada é sobre o envelhecimento e a falta de respeito dos jovens. Para mim, chamar alguém de velho não deveria ser xingamento, bem como chamar alguém de gordo. É um estado físico, oras. Se você não morrer aos 20, obviamente envelhecerá e qual é o problema disso? Admirar senhoras e senhores que envelheceram com dignidade é maravilhoso porque foi entre os 20 e 30 anos que eles tiveram o bom senso em se cuidar. Eu, aos 31, tenho dores nas costas, muita fadiga, esteatose hepática e pedra na vesícula, e é provável que eu não chegue nem aos 50.

E verdade seja dita, para uma mulher envelhecer pode ser pior ainda porque a cultura da velha bonita e “pegável” ainda é um mito. O homem da barba branca e rugas é um charme que só, mas a mulher é considerada um maracujá que é esquecido na gaveta. Por isso, que amo e divulgo as advanced style, a Catherine Deneuve no alto dos seus 73 anos que ainda faz filme transando, a Vanessa Redgrave aos 79 numa campanha pra Gucci, entre outras quebras de paradigmas. Veja a Jane Fonda com 79 anos, meu Brasil! Que corpão, que pele, que cabelo! Veja minha mãe com 71 anos que finalmente deixou o cabelo embranquecer, tá amando ser aposentada etc. Uma cena dessa temporada que me chamou a atenção é quando as duas vão ao supermercado pra comprar cigarros depois de um momento difícil e não são atendidas. Quando aparece uma novinha, o funcionário atende prontamente. A situação é deplorável.

Outra parte emocionante na segunda temporada é o encontro das duas com a amiga Babe (Estelle Parsons) que representa uma grande virada na série. Babe é amiga de longa data das meninas que sempre foi muito independente: não teve filhos e não casou por opção e sempre estava viajando. Ao voltar para os EUA, descobre que está muito doente e escolhe o suicídio assistido (depois de dar uma festa). Tudo é apresentado com um humor muito incrível, sem ser piegas. A amiga ainda deixa um vibrador de presente e, ao usar, Grace diz que fez mal à sua artrite. Esse será o fio condutor da terceira temporada: elas decidem criar vibradores projetados para mulheres mais velhas. Eu lembro que fiz minha mãe assistir ao season finale porque foi tão incrível e inspirador para mulher de qualquer idade!

A terceira temporada – que finalizei em apenas três dias, sempre com muito custo para não fazer binge-watching- tem momentos bem interessantes e começa com o preconceito que bancos americanos possuem em fazer empréstimo para pessoas mais velhas. Fala sobre irmandade (as filhas de Grace e os filhos de Frankie), sobre abrir negócios depois de velho e o marketing para essa classe (muito legal essa parte), sobre mulheres que contratam garotos de programa (gente, eu adoro a Brianna, sério), sobre mulheres de 30 com muitos filhos e outras que não querem, sobre realizar sonhos antigos (a exposição da Frankie), entre outros. Um assunto relacionado que me pegou de jeito foi sobre aposentadoria: Robert e Sol estão cansados do escritório de advocacia e pensam em se aposentar. O primeiro acha perfeito e uma escolha inteligente porque tá de saco cheio e quer aproveitar a vida. Já Sol ainda resiste em deixar o trabalho, mesmo tendo preparado seu filho de 32 anos, o Bud. Quando ele se dá conta que realmente tá na hora de aposentar é de partir o coração, eu até chorei:

Eu sou a Joan-Margaret

Me emocionei porque minha mãe também tinha dificuldade em se aposentar, era um misto de medo e achar que ia perder a capacidade. Um amigo deles ainda fala: “se aposentar é maravilhoso, se eu pudesse seria sempre aposentado” ou algo do gênero. Era isso que eu tentava passar para minha mãe, a pessoa trabalha anos e anos, agora tem independência financeira para curtir um pouco mais da vida, pra quê ficar se estressando à toa?

Grace and Frankie é uma série para todos, de qualquer idade, de verdade. É divertida, tem sacadas inteligentes, fala sobre sexo na terceira idade (as duas arrumam namorados ou paqueras), parceria entre mulheres de todas as idades, vícios, medos, frustrações, coragem, mãe e filha, pai e filho, mãe e filho, aceitação, negócios, homossexualidade depois dos 70 etc. Sempre de forma delicada, divertida e respeitosa. Ah, a fanpage oficial da série é maravilhosa e cheia de gifs, vale a pena seguir.

La Fleur de L’âge

Ah, quanta coisa a gente precisa desmitificar, não é mesmo? Tem um certo tempo que defendo a velhice com unhas e dentes neste blog ou qualquer rede social. Sou uma pessoa que sempre admirou pessoas mais velhas, sempre convivi mais com adultos quando era criança. Hoje, aos 30 anos, logo considerada balzaquiana, devo dizer que defendo mais ainda. Minha percepção das coisas melhorou muito. Aqui tem alguns posts que já fiz a respeito.

Quando a gente trata sobre a velhice atual de uma maneira mais midiática, o que é mais centrado no “saber envelhecer” é a respeito do estilo e maquiagem, por exemplo. Parece que é um ponto crucial em que você soube lidar consigo mesma com o passar dos anos. Temos o Advanced Style que comprova tudo isso. Pessoas mais velhas não são vistas mais assim:

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Dona Benta

Elas se vestem com mais estilo, possuem vida sexual ativa, estão fazendo propaganda de cosméticos etc. Viraram pauta mesmo e vão mostrar que a vida só acaba quando se está a sete palmos e não antes disso. O jornal francês Le Monde costuma publicar semanalmente a Le Magazine du Monde. Por ser uma das revistas de maior veiculação do país, resolveram publicar um ensaio de beleza encantador com mulheres acima de 70 anos usando maquiagens bem coloridas. A maquiadora Isamaya Ffrench que faz trabalhos pra MAC, Yves Saint Laurent e o fotógrafo Richard Burbridge deram vida ao editorial  ‘La Fleur de L’âge‘ (A Flor da Idade) que quebra o esteriótipo em que senhoras só usam maquiagem nude.

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[Via Vica e MakePRO]

Estilo jamais terá idade

Lyn Slater do Accidental Icon  7Semana passada assisti ao documentário do blog Advanced Style como contei aqui. Mais pra frente vou fazer um post somente com os docs que ando assistindo, prometo! Mas então, eu já contei que amo e respeito muito a velhice. Tenho crush confesso em todas as senhoras e senhores que sabem viver bem nessa idade e ainda são estilosos. Depois de terminar o doc, fiquei fuçando vários perfis das senhoras que aparecem no blog do Ari Seth Cohen e a Lyn Slater do Accidental Icon me encantou muito.

Lyn mora em Nova York e é expert em arte e moda japonesa. Para ela, o mundo fashion sempre esteve presente por conta do seu interesse em arte, teatro e cultura. Com mais de 60 anos, a blogueira sempre usou a moda como maneira de entender sua própria identidade e, de 5 anos para cá, ela começou a levar mais sério ainda, principalmente por causa do blog.

Accidental Icon surgiu realmente sem querer. Quando Lyn começou a arriscar mais em seu estilo, logo teve uma recepção excelente – principalmente dos jovens – que sempre a pararam pra perguntar de suas roupas. Um desses jovens a incentivou para criar o blog e foi sucesso imediato.

O que mais amo no estilo de Lyn é o fato dela usar brincos grandes e roupas com cores sóbrias, porém, com detalhes maravilhosos.

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Lyn Slater do Accidental Icon

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Aqui tem um entrevista bem completa e bacana sobre ela.

Grandmas Rock por Jay Hynes

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Eu ainda acho que as pessoas têm uma visão completamente equivocada sobre a velhice. Já disse aqui a respeito disso, mas repito que envelhecer é legal porque você se torna menos neurótica, mais leve etc. Digo isso, pois a Letícia de 15 anos não tem nada a ver com a de quase 30. Ainda tenho mil inseguranças, medos e bobices, porém, consegui superar muita coisa que me incomodava quando mais nova. Acredito que daqui 10 anos, já não encanarei com várias idiotices que me incomodam hoje (espero, amém). E assim vamos crescendo, amadurecendo e envelhecer é algo muito natural, a não ser que a morte chegue antes.

Minha geração está mudando um pouco, o feminismo está cada vez mais forte, alguns homens começaram a prestar atenção e estão se posicionando, as tatuagens já são bem mais aceitas, bem como outras pautas que antes nem eram comentadas (racismo e homossexualidade, por exemplo). 2015 anos e muita coisa para mudar ainda, né? Então tá na hora de parar de tratar pessoas mais velhas como lixo ou algo extremamente frágil. Óbvio que a velhice nos deixa com o corpo mais cansado, a vista fica mais embaçada, a memória fica mais fraquinha etc, mas tem muito senhor e senhora por aí BOMBANDO na sociedade. VAMÔ RESPEITÁ.

Dito isso, venho apresentar o trabalho de Jay Hynes. O fotógrafo australiano é especializado em campanhas, retratos e fotografia de shows. Hynes resolveu retratar vovós com camisetas de bandas de rock, só que em situações simples como arrumar a cama, tomar um chá, costurar etc. Será que elas topariam um showzinho?

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Grandmas Rock

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Grandmas Rock 3

LEMBRANDO QUE:

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Mas continua fazendo show ;)

 

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Sobre ser velho(a)

Desde criança acho O máximo ser velho. Observava minha vó e achava lindo ser velhinha bonitinha e, aparentemente, despreocupada. É uma coisa minha mesmo, pois a maioria tem horror em envelhecer. Tirando as dores no corpo e trombose, só vejo vantagem: 1) você tá aposentado(a) e pode viajar sem ter obrigação em voltar para trabalhar; 2) viveu um monte e não se preocupa com bobagens, apenas com a saúde; 3) se você estiver casado(a), pode aproveitar a companhia do seu véio(a) para viajar; observar as pessoas; comer besteiras sem culpa; 4) se você teve filho, ele já estará meio que encaminhado na vida (i hope so).

É CA-LARO que estou focada no presente e pretendo angariar experiências legais, viajar bastante (para voltar depois de velha) e ser felizona por aí. Mas quero ser aquelas senhoras gatas com cabelão armado, tipo a Catherine Deneuve. Sim, eu romantizo muito a velhice.

The 63rd Annual Golden Globe Awards - Arrivals
oui, ça va

Provavelmente irei me vestir de forma equivocada e engraçadona, tipo isso:

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risos em francês
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60 e poucos anos com carinha de 50 e poucos PLUS BRINCÕES: euzinha
vez ou outra poderia ir nas balada hip hop com jovens
vez ou outra poderia ir nas balada hip hop com jovens
Clássicas-08-Catherine-Deneuve
tomarei bebidas exóticas pelo mundo. que serão tomadas quando eu for jovem, tipo hoje em dia. OI, VOLTEI
French actress Catherine Deneuve winks during a photo call for the "Lecon d'Actrice" (the Acting Masterclass) at the 58th edition of the International Cannes Film Festival 12 May 2005. Since 1991, the Film Masterclass has a world renowned filmmaker or actor giving a public lesson. The Cannes film festival, the world's top showcase of cinema, started 11 May with a slew of veteran auteurs lining up for the prestigious Palme d'Or prize, and Hollywood muscling in to promote this year's blockbusters.                AFP PHOTO   PASCAL GUYOT
enquanto tiver energia e saúde, APROVEITE
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desculpa aí se serei uma véia foda

Se você já chegou lá e não gosta, repense aí e vá ser feliz! Se aposente logo e vá viajar com seus filhos ou sozinho ou com genros/noras ou marido/esposa ou namorado/namorada ou seus bichinhos de estimação. VÁ APROVEITAR A VELHICE RADICALMENTE, uhuuu.