Amor

Cartão vintage Dia dos Namorados

O Dia dos Namorados lá fora é comemorado em 14 de Fevereiro, dia de São Valentim. Aqui no Brasil é em Junho, dia de Santo Antônio, hoje (12). Junho é mais legal porque tem as melhores comidas do mundo por causa da festa junina, mas né? Acho uma data pra lá de comercial? Sim, sem sombra de dúvidas.

Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças: “Hoje é um feriado criado pelas companhias de cartão para as pessoas se sentirem feito merda”

Mas gente, acho os cartões americanos vintage de Valentines muito incríveis. É um misto de sem noção com boniteza, sabe? Dizem que o cartão mais antigo data 1415 que foi um poema do Duque de Orleans para sua esposa, quando ele estava aprisionado na Torre de Londres. Depois disso, o Rei Henrique V começou a mandar cartões para uma das (afff) de suas namoradas favoritas como Catherine de Valois. Ele chegou a contratar um poeta profissional para escrever por ele.

Por 1700, reis e duques não eram os únicos que escreviam cartas no Dia de São Valentim. Todo dia 14 de Fevereiro mensagens eram enviadas de Valentine (considerado namorado(a) também), não importando a classe social. Geralmente o cartão vinha acompanhado de um presentinho (e não o contrário como é hoje). Daí virou uma febre amorosa, né? Todo mundo queria receber e mandar um cartão. Era considerado um excelente presente ou até um pedido de namoro.

Esther A Howland

Em 1840 tudo ficou mais bonitinho graças a Esther A Howland que é considerada a “Mãe do Valentine’s day). Esther criava um material muito único e bem feito com rendas e papéis coloridos que fazia muito sucesso entre os enamorados. Depois veio a empresa Hallmark fundada em 1910 por Joyce Hall e a coisa ficou séria. Os cartões que mais amo são os que datam os anos 30/40/50 e geralmente são ilustrados com personagens inanimados ou comidas. Sempre vem acompanhado com uns trocadilhos ridículos (de legais/bonitinhos ou sem noção mesmo, mas adoro e dou risada com esse tipo de politicamente incorreto). Separei uns daqui pra você mandar pro seu mozão. Se não tem, não se preocupe e dê risada porque ser solteiro é bem legal também.

 

Palácio da Solidão: Princesa Soraya

Acredito que é comum do ser humano ter curiosidade a respeito de figuras que fazem parte da tal monarquia. Parece algo tão distante, pomposo e cheio de convenções que é interessante observar. Dia desses estava no Instagram do Vintage Daily onde tinha fotos da Farah Diba e Soraya, ambas princesas do Irã. Achei as duas tão lindas que mostrei pra minha mãe e ela me contou a respeito da segunda. Gostaria de repassar essa estória que não é nenhum conto de fadas.

Soraya Esfandiary-Bakhtiari nasceu na Pérsia, filha mais velha do nobre e embaixador do Irã na Alemanha Ocidental, nos anos 50, Khalil Khan Esfandiari-Bakhtiari, e da russo-alemã Eva Karl. Aos 19 anos, Soraya apaixonou-se pelo Shah do Irã, Mohammad Reza, e tão logo se casaram. Após sete anos de casamento, a princesa tentou diversos tratamentos de fertilidade sem sucesso para que pudesse ter o tão aclamado herdeiro. Como o trono passa de geração em geração, é obrigação ter um filho para dar continuidade à dinastia.Triste, não?

o triste casal :(
o casal. Soraya vestiu Dior no casório real

Como era realmente um caso de amor entre os dois, Shah quis solucionar o impasse com uma ideia bastante tola: ter uma segunda esposa que pudesse ter um filho dele. Soraya, bastante aviltada com a proposta, usou do bom senso e não aceitou a condição, deixando a Pérsia logo em seguida para voltar à casa de seus pais em Colônia, na Alemanha. Nesse meio tempo, o príncipe tentou convencê-la e foi em vão. Segundo a própria, ela teve de renunciar a própria felicidade, pois não poderia aceitar a ideia em compartilhar o amor de seu marido com outra mulher. Lembrando, é claro, que estamos falando de uma cultura onde o machismo é brutal.

O divórcio foi anunciado no Ano Novo Persa, em 21 de março de 1958, em que o Shah fez um discurso emocionado ao povo, transmitido pela televisão e pelo rádio. O caso foi tão discutido que virou letra de música. Je veux pleurer comme Soraya (“Eu quero chorar como Soraya”) foi escrita pela compositora belga Françoise Mallet-Jorris e interpretada pela francesa Marie-Paule Belle.

Depois do divórcio, Soraya – que continuou com o título de sua Realeza Imperial Princesa do Irã – resolveu se lançar como atriz. Era belíssima (uma mistura de Sophia Loren com Ava Gardner, na minha opinião) e fotogênica, mas fez somente dois filmes, ambos em 1965: I tre volti (“As Três Faces”), de Franco Indovina e She, dirigido por Robert Day. Indovina e a então atriz começaram a namorar, relacionamento que durou pouco, pois o diretor faleceu em 1972 em um acidente de avião.

filmando
filmando

Após a morte dele, Soraya viveu reclusa em Paris. Além disso, escreveu suas autobiografias Princess Soraya: Autobiography of Her Imperial Highness (“Princesa Soraya: Autobiografia de Sua Alteza Imperial”), de 1964 e Le Palais Des Solitudes (“O Palácio da Solidão”), de 1991.

Em 26 de junho de 2001, a princesa solitária morreu em Paris aos 69 anos de causas não divulgadas. Seu irmão mais novo, Bijan, ficou inconsolável e morreu uma semana depois. Muitos dizem que ambos foram assassinados. Existe um telefilme de 2003 chamado Soraya (a.k.a. Sad Princess), estrelado pela Miss Itália 95, Anna Valle.

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Humans of Letícia: D. Hermínia

Preciso contar algo que aconteceu semana passada e quero deixar guardado por aqui. Foi numa terça-feira, 14/06, saindo do Museu Oscar Niemeyer juntamente com a Bia e o Fred. Quando entrei no ônibus, logo avistei uma senhora miúda segurando um buquê robusto de flores. Meu coração até disparou! Então, pedi gentilmente se poderia tirar foto dela porque era uma cena muito bonita que gostaria de guardar. Apenas escutei um doce “sim, claro que pode”. Depois de ter me enrolado para pegar o celular (não estava o achando – como de praxe), comecei a fazer diversas fotos daquela senhora tão bonita. Quando finalizei, sentei ao lado dela para mostrar como tinha ficado e escutei o seguinte: – hoje é meu aniversário de 91 anos e você está fazendo meu dia muito feliz. Dei um abraço bem apertado, um beijo na bochecha e gravamos um vídeo! Ela até encostou a cabeça no meu ombro para a gente gravar. Quem fez meu dia foi ela, a Dona Hermínia! Mal a conheci, já amei.

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Foi um dia muito especial: boa companhia de amigos, um encontro tão singelo e cervejas artesanais. Nessas horas a gente dá valor à vida, sabe?

Humans of NY: we are one

Mais uma vez passeando pelo HONY (veja aqui o que já escrevi a respeito) achei um depoimento de um senhor que perdeu a esposa recentemente. Os dois ficaram casados por 62 anos e ele conta que agora está lendo sonetos de Shakerspeare e pensando no amor. Ele comenta que o amor não é algo apenas físico como a literatura romântica sugere. Vai além. E sabemos disso, certo? Jamais conseguiria namorar alguém que achasse apenas bonito. Mas conseguiria dividir minha vida com alguém que, a princípio nem achasse tão atraente fisicamente, mas conseguisse me manter segura e tivesse bastante coisa em comum. Geralmente tenho muito medo de me envolver, pois na sociedade atual tudo é muito fácil, distante e rápido. O tal amor líquido que Bauman tanto fala. As pessoas nem se enamoram direito, se enjoam rápido, ou são tão mal resolvidas que acabam arrastando todo mundo pro mesmo buraco. Dia desses mandei um recado prum amigo dizendo o seguinte: “nunca vou dar certo com ninguém, ainda bem que tem bastante cachorro no mundo pra eu adotar e me fazer companhia”. Go figure.

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“Minha esposa faleceu no Janeiro passado. Estávamos casados há 62 anos. Você me pegou num momento em que tenho pensado muito sobre o amor, pois estou lendo os sonetos de Shakespeare. A definição de amor é ilusória, e é por isso que vamos escrever sobre isso interminavelmente. Nem Shakespeare podia tocá-lo. Todas as grandes estórias de amor só parecem ser sobre a atração física. Romeu e Julieta não sabiam se gostavam dos mesmos livros ou filmes. Foi apenas físico. Depois de 62 anos, torna-se algo totalmente diferente. Minha esposa costumava dizer: ‘nós somos um só.’ E acredite, ela não era o tipo de pessoa que exagerava algo. Agora que ela se foi, percebo como ela tinha razão. Tantas coisas das nossas vidas estavam ligadas. Era físico e amoroso. Mas nós também compartilhávamos cada ritual de nossas vidas. Tenho saudades dela cada vez que assisto um filme e não posso pedir a opinião dela. Ou cada vez que vou a um restaurante e não posso dividir um pedaço do meu frango. Sinto falta dela mais à noite. Íamos juntos pra cama todas as noites.” [daqui]

Lendo os comentários – como sempre faço – achei o seguinte:

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Joan Strick: Eu rezo todos os dias para achar esse tipo de amor. Mary-Ellen Madigan: Você não acha um amor como esse, você constrói um amor como esse.

E não é? A gente tem preguiça em construir algo bacana com outro ser humano. Tô me incluindo nesse pensamento. Mesmo tendo consciência das minhas falhas e neuroses, continuo sendo passiva-agressiva e afastando qualquer possibilidade.

O amor é muito mais complexo do que a gente imagina. Antigamente as pessoas eram obrigadas a casar, outras casavam com um certo desespero pra não virarem motivo de chacota na sociedade. Algumas pessoas realmente deveriam (ou aprenderam) a ser amar e por isso ficaram juntas até o fim. Mesmo eu não me sentindo obrigada a casar e nem pressionada a arrumar alguém, às vezes me pego pensando em ter um parzinho pra me ajudar a segurar as pontas. É bom ter um ser amado pra algo físico e sentimental, né? Por isso que a gente sempre fica encantado com depoimentos de casais que viveram 62 anos juntos e se amavam mais do que tudo, a gente vê tão pouco disso hoje em dia…

Humans of NY: Tendo calma

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Todo mundo em minha volta está em um relacionamento, exceto euzinha. Toda vez que alguém diz que gosta de mim, logo eu falo “eu  também me gosto”. Talvez eu faça isso para mostrar que sou confiante, que me amo, e não sou insegura”

Eu já comentei aqui que sou apaixonada pelo Humans of New York. Acho simples, honesto e encantador. As pessoas se abrem para o mundo mesmo, o que é encorajador. A menina acima não está em um relacionamento, bem como minha tradução toscona explica. Realmente ela deve tentar se amar e, obviamente é insegura, por isso posou de costas (pelo menos é bem humorada). Realmente não é tarefa fácil estar em um relacionamento. As pessoas têm vários problemas, medos, inseguranças, traumas. Eu, por exemplo, tenho um monte. Mas o que prometi para mim mesma que, se o medo surgir, vou enfrentá-lo, mas não vou mais fugir de algo que pode ser bom. Não acho justo comigo mesma, sabe? Posso enfrentar sozinha, mesmo que a outra pessoa desista (o que é muito comum e acontece/u dezenas de vezes, desde os meus 15 anos, precisamente), mas não posso desistir de ser feliz. Atrás do medo, existe a coragem. E é tão bom estar com coração preenchido, ter alguém para trocar ideia, dar risada e ficar pensando durante o dia, né? Eu assumi que sim, sou romântica, sensível e mereço algo bem legal :)

Voltando ao Humans of NY, acho importante ler os comentários. Eles dão continuidade ao lance de repartir experiências, parece uma terapia em grupo. Daí nesse mesmo post (aqui), li esse maravilhoso, esperançoso (minha tradução não tá mega literal, mas dá para entender):

beth-hony
Eu vivi isso. Exatamente isso. Todos os meus amigos casaram, compraram casas, começaram a ter filhos. Todo mundo estava em um mundo adulto, enquanto eu crescia por minha conta. Quando eu tinha 30 anos, eu conheci minha alma gêmea. Isso foi há quase 16 anos. Nós estamos casados há 14 anos, e tem sido incrível. A pessoa certa não dará o fora; será paciente, mas persistente; e quando ele for o certo para você, ele irá vê-la através do muro e não se importará, porque vai aceitá-la do seu jeito e irá apreciá-la. Todas suas defesas irão cair tão rápido, que você não saberá o que te atingiu. De repente, tudo que não estava ok, ficará TÃO ok, que você não vai parar de sorrir, e se tornará cada vez mais irresistível. Como mulher que pensou cada canção sobre dor de cabeça e solidão foi escrita para mim, eu posso dizer honestamente que o outro lado de cada canção, livro, e filme sobre amor verdadeiro é real. Não desista. Não se feche completamente, mesmo que você esteja no modo “proteção”. Deixe sua porta um pouco aberta, e quando for o certo, você abrirá sem medo, apenas com alegria. Enquanto isso, seja você e tenha orgulho disso. A vida não é sobre marido/mulher, é sobre sobreviver e ter bastante diversão a cada dia. Boa sorte e nunca esqueça que mesmo nos momentos mais silenciosos, você é uma rock star.