Beauté

Equipe de beleza da Marilyn Monroe

Montar uma entourage afinada é para poucos, mas Marilyn Monroe conseguiu. E conseguiu uma equipe que enalteceu sua beleza mais ainda, a transformando num ícone copiado até hoje. Marilyn teve três profissionais que a acompanharam fielmente para levar autoestima, carinho e a tão sonhada beleza impecável, sensual e platinada que a atriz tanto almejava. E, antes de excelentes maquiadores, cabeleireiros e coloristas, todos foram amigos e confidentes da loira mais amada do show business. Gostaria de apresentá-los:

Allan “Whitey” Snyder

Allan “Whitey” Snyder iniciou sua carreira como maquiador profissional em 1948 na assistência do filme The Walls of Jericho. Já sua parceria com Marilyn Monroe começou um pouco antes, no primeiro teste da atriz para FOX em 1946 e durou até seu fim trágico em 1962. O início do relacionamento dos dois foi meio conturbado: quando ambos se conheceram, Marilyn bateu o pé para que o maquiador usasse um pó de teatro (muito mais forte do que para televisão) que obviamente ficou horroroso. A equipe a mandou de volta para o camarim pedindo para que o profissional – que era de extrema confiança do estúdio – lavasse o rosto da atriz iniciante. Marilyn ficou mortificada, já que sabia que era culpa dela e, a partir daquele dia, confiou plenamente em Whitey como maquiador e confidente. Ele a acompanhava em todos os trabalhos pela FOX, assinando a maquiagem de todos filmes que Monroe participou. Era Whitey que a ajudava quando a atriz tinha crises fortíssimas de ansiedade. Segundo registros, o maquiador refazia a maquiagem até que ela ficasse calma e pronta para entrar no set. Outra estratégia para acalmá-la era tirar fotos dela nos bastidores antes de gravar. Alguns álbuns foram encontrados depois da morte do maquiador em 1994 (aqui você pode ver) e leiolados.

Marilyn e Snyder num momento informal

Conta-se também que Marilyn deu um clipe com diversas notas de dólares que seria o pagamento para que ele a maquiasse quando a mesma morresse: “Whitey, dear…while I’m still warm—Marilyn” (Whitey, meu querido… enquanto eu ainda estou quente—Marilyn), dizia o bilhete. Quando a tragédia aconteceu, Joe DiMaggio (que foi um dos maridos dela e acredito o “melhor”) tomou conta de todo o funeral e o chamou pra maquiá-la pela última vez. Whitey tomou algumas doses de gin e foi cumprir o prometido. Depois da morte de Monroe, ele continuou na FOX, porém, todos tomavam muito cuidado em falar sobre a atriz quando Snyder estava presente, já que o mesmo nunca superou a morte da cliente e amiga. Sobre seu trabalho, Snyder foi nomeado duas vezes pela Primetime Emmy Awards na categoria Outstanding Achievement in Make-Up (Melhor Maquiagem). Uma dessas nomeações foi feita em 1978 pelo seu trabalho para o teledocumentário Marilyn: The Untold Story e em 1981 pelo seriado Little House on the Prairie. Seu último projeto foi na série criada em 1984 Highway to Heaven em que ele trabalhou até 1987. Importante: aqui tem umas dicas preciosas de beleza que o Snyder contou.

Whitey geralmente fazia dupla com duas divas que cuidavam do cabelo de Marilyn Monroe: Agnes Flanagan e Gladys Rasmussen. Bora conhecê-las:

Agnes Flanagan

Agnes Flanagan era uma cabeleireira bem requisitada nos estúdios FOX, assinando alguns filmes icônicos pelo departamento de maquiagem como Festim Diabólico, de Alfred Hitchcock. Seu relacionamento com Marilyn começou em 1950 no set do filme The Fireball (O Faísca). Desde aquele dia, as duas viraram amigas e Agnes fez seu cabelo para seus principais trabalhos como Quanto Mais Quente Melhor (1959), “Let’s Make Love” (1960), The Misfits (1961), “Something’s Got To Give” (1962), entre outros. Inclusive, na gravação de Misfits, Agnes usou peruca, já que o deserto de Nevada destruía o cabelo de Marilyn e não tinha como ajeitá-lo por conta do calor extremo do local.

Agnes cuidava de seu cabelo para sessões de fotos – inclusive esteve na última de sua vida com Bert Stern – e a penteou para seu funeral em 1962. A cabeleireira frequentava a casa da atriz e levava seus dois filhos para brincar com ela, tendo em vista que Marilyn não tinha filhos e tinha o instinto materno aguçado. Ela também cuidava das madeixas de Bette Davis e Elizabeth Taylor, tanto que Agnes e seu marido fazem uma ponta no filme maravilhoso de Liz, Quem tem medo de Virginia Woolf (1966).

Agnes, Marilyn e Snyder

Gladys Rasmussen

Outra cabeleireira e amiga de confiança da bombshell era Gladys Rasmussen. Gladys acompanhou a transformação do loiro de Marilyn Monroe durante os anos. O sonho da atriz era ser platinada como Jean Harlow, uma de suas divas, mas seu cabelo – segundo Gladys, era extremamente fino e encaracolado o que dificultava o processo. “Existem muitos problemas em fazer o cabelo de Marilyn; é muito fino e, por isso, difícil de lidar. Ele fica oleoso se não for lavado diariamente, e seu cabelo natural é tão encaracolado que tenho que fazer um permanente liso antes de construir um penteado. O jeito que encontramos para chegar no tom platinado foi com minha mistura secreta do descolorante Sparkling Silver volume 20 e uma fórmula secreta de um creme platino-prata para tirar o amarelado” (tradução livre daqui).

Troca de funções: Marilyn penteando o cabelo de Gladys

Marilyn Monroe era grata à Gladys por sempre cuidar de seu loiro e penteados que uma vez deu uma foto colorida pra ela escrito “To Gladness, for making me look like this. Love Marilyn” (Pra Gladness, por me fazer ficar assim. Com amor, Marilyn). A cabeleireira costumava atender a atriz em casa todo o final de semana para descolorir sua raiz, já que crescia incrivelmente rápido. Por ter o cabelo castanho escuro, o cabelo de Marilyn precisava de manutenção constante e era Gladys que cuidava de tudo (e com muito estilo, né? porque ôô lookeira massa dela).

La Fleur de L’âge

Ah, quanta coisa a gente precisa desmitificar, não é mesmo? Tem um certo tempo que defendo a velhice com unhas e dentes neste blog ou qualquer rede social. Sou uma pessoa que sempre admirou pessoas mais velhas, sempre convivi mais com adultos quando era criança. Hoje, aos 30 anos, logo considerada balzaquiana, devo dizer que defendo mais ainda. Minha percepção das coisas melhorou muito. Aqui tem alguns posts que já fiz a respeito.

Quando a gente trata sobre a velhice atual de uma maneira mais midiática, o que é mais centrado no “saber envelhecer” é a respeito do estilo e maquiagem, por exemplo. Parece que é um ponto crucial em que você soube lidar consigo mesma com o passar dos anos. Temos o Advanced Style que comprova tudo isso. Pessoas mais velhas não são vistas mais assim:

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Dona Benta

Elas se vestem com mais estilo, possuem vida sexual ativa, estão fazendo propaganda de cosméticos etc. Viraram pauta mesmo e vão mostrar que a vida só acaba quando se está a sete palmos e não antes disso. O jornal francês Le Monde costuma publicar semanalmente a Le Magazine du Monde. Por ser uma das revistas de maior veiculação do país, resolveram publicar um ensaio de beleza encantador com mulheres acima de 70 anos usando maquiagens bem coloridas. A maquiadora Isamaya Ffrench que faz trabalhos pra MAC, Yves Saint Laurent e o fotógrafo Richard Burbridge deram vida ao editorial  ‘La Fleur de L’âge‘ (A Flor da Idade) que quebra o esteriótipo em que senhoras só usam maquiagem nude.

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[Via Vica e MakePRO]

Make drag: Lucy Garland

Uma coisa é fato nessa vida: depois que você começa a assistir RuPaul’s Drag Race, sua visão no mundo fica muito mais interessante. Não importa se você é mulher, homem, hétero, gay, trans, assexuado etc, RuPaul tenta abraçar todo mundo. Claro que ainda tem umas piadocas infelizes dentro do próprio show, mas nunca é tarde pra desconstruir preconceitos. E é sobre isso que quero falar: BIO QUEEN (também conhecida como faux queen) OU mulheres que se transformam em drag queens. Drag é arte, sem gênero, sem mimimi. Homem faz drag, mulher também faz. Simples. Num país que existe ELKE MARAVILHA nem deveria ser uma surpresa, não é mesmo? Para mim o que importa é saber o que está fazendo.lucy garland 5

Lucy Garland é uma garota australiana que domina a arte dos pincéis e é encantada pelo drag world. Uniu tudo isso e criou um canal no Youtube onde ensina maquiagens baphonicas. INCLUSIVE, aguardando o momento em que RuPaul irá quebrar o paradigma e chamar uma bio queen pro programa (ou fazer um a respeito).

Para seguir: Youtube | Instagram

O cabelo de Charlotte Olympia

A gente baba no look da Charlotte Olympia, né? É atemporal com toque contemporâneo. Estava andando pelo IG dela e descobri seu cabeleireiro, John Hilliard. Antes de falar sobre ele, não posso deixar de comentar sobre a colaboração linda que ela fez com a MAC Cosmetics. Essa não é a primeira colab legal que a designer de sapatos faz. Por ser meio brasileira, meio inglesa, a bonita também criou uma coleção com a brasileríssima Havaianas. Aqui tem todas as bonitezas e, acredito que pelos preços altos, não bombou tanto como essa parceria da maquiagem.

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esses são os principais produtos da coleção! os batons estão um desbundeee! se quiser saber mais, recomendo essa review da Vic Ceridono

Informação dada, bora falar sobre o cabelon da bonita. A gente dá importância mesmo nisso, fazer o que? É a moldura do rosto.

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Foi com a postagem acima que descobri quem cuida do cabelo lindo de Charlotte Olympia. Ela menciona John Hilliard e seu primeiro cabeleireiro, o italiano fino Massimo Spazzoli. Verdade seja dita, se tem uma pessoa que devemos total fidelidade é ao cabeleireiro(a) que acerta tudo. É um caso de amor eterno e verdadeiro. A manutenção do cabelo de Charlotte – feita por John – é super simples e old fashioned: loção especial, rolinhos feitos a mão e grampinhos, redinha para segurar e a mão especial de seu melhor amigo. John Hilliard que teve contato direto com Vidal Sasson, hoje atende no Daniel Hersheson Salon London e é especialista em penteados dos anos 40/50, logo foi um casamento perfeito para a designer que adotou o glamour dessa época como sua marca registrada.

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John e Chalotte para The Coveteur

Em uma matéria para The Coveteur, Charlotte explica que todo o processo leva uma hora e é bastante duradouro. Tendo como exemplo sua mãe (a modelo brasileira Andrea Dellal) e sua vó que são bastante glamourosas, a designer levou isso para vida. Como não é naturalmente loira, Charlotte já foi ruiva por causa da Rita Hayworth, um de seus ícones favoritos de estilo. Outras divas em que Charlotte se inspira: Lauren Bacall, Carmen Miranda e Marilyn Monroe. Segundo a própria, ficar loira foi um processo gradual que começou com luzes até chegar ao platinado (mais amarelado).

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ph: Jake Rosenberg

Como disse acima, a manutenção é simples e dura uma hora. Ela conta com a ajuda de John para ajeitá-la, o que é uma benção (imagina ter um cabeleireiro bapho à sua disposição?), mas durante a semana, ela mesma quem cuida. Além de Charlotte, John também atende as meninas que trabalham na loja matriz, assina desfiles na London Fashion Week e cuida das madeixas de socialites londrinas. Infelizmente o que ele tem de excelente como hairdresser, tem de péssimo na arte de registrar seus penteados, hahaha! Dei uma boa garimpada no IG de John e consegui montar uma galeria com alguns de seus trabalhos que, mesmo desfocados, ainda ficam bonitos.

The Moonlight, o zodíaco por Shady Jordan

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As drags internacionais são lindas e maravilhosas, mas as nossas são tão lindas e maravilhosas quanto elas. FATO. Hoje quero falar de Shady Jordan. A drag do estudante de moda e maquiador Jonas Hu está causando na internet esta semana com seu projeto “The Moonlight“. Com apenas 19 anos e morando em São Paulo, a artista criou 14 produções de tirar o fôlego em que caracterizou cada signo zodiacal com maquiagem e cabelo impecáveis.

O projeto começou a ser pensado em janeiro de 2016 para comemorar seu aniversário que é no primeiro dia de Áries (21/03). Por gostar da simbologia do assunto, resolveu procurar referências imagéticas em desfiles, ensaios fotográficos e revistas. No total foram 16 fotos produzidas sozinha, ou seja, o trabalho não foi apenas com maquiagem e cabelo, mas também com a luz, câmera, posição e edição.

Segundo Shady, é por meio dos pincéis e produtos de beleza que sua arte, sentimentos e pensamentos são traduzidos. “Colocar tudo em prática é o melhor treinamento pra vida. Todo mundo tem uma caixinha mirabolante dentro de si, só basta encontrá-la”, finaliza.

Realmente, a danada chegou chegando na sociedade. O trabalho é lindo e pode ser visto em alta aqui! E nunca esqueça: