Cinema

Film Food: comida e cinema

Não sei vocês, mas sou daquelas pessoas lariquentas de filmes e seriados. Citando exemplos:

Já tive uma fase salada por causa do The Office e Michael Scott. Pedia muita salada, muita mesmo. Me sentia no seriado e até mais magra, hahaha. Só faltou comer papel mesmo.

Teve também a fase nojenta que foi com a Liz Lemon e o Cheetos. Aliás, se tem uma pessoa que me identifico 100% é com essa mulher porque até a forma escrota de comer é parecida. Tirando o fato que ela tá em forma e eu não.

Teve a fase fast-food e aloca da geladeira quando assistia Dexter. Teve uma vez que fritei ovo às 01h da matina porque tava fazendo binge-watching dessa série e toda vez que aparecia aquela merda de abertura me dava 3 mil tipos de laricas.

E never forget do monstro Hans Landa (Bastardos Inglórios) em uma cena tensa pra caramba, mas comendo deliciosamente o strudel com creme. Incrível.

wait for the cream

Daí, no começo do ano, revi pela 4657444x o ~~meu~~ filme AMADEUS. Alguns historiadores dizem que o compositor Salieri realmente era bom de garfo e gostava muito de doce, principalmente um chamado Mamilos de Vênus ou Nipples of Venus ou melhor ainda, Capezzoli di Venere. No filme aparece várias cenas de um Salieri glutão e em umas delas, ele e Constanze Mozart devoram o tal doce com tanta vontade que é impossível não ficar lariquenta. E o meu desejo por ele (doce) vem desde os anos 90, quando assisti pela primeira vez.

Foi então que resolvi procurar a receita e achei um blog sobre comidas em filmes, o Film Food. Não é o mais completo do mundo, mas possui bons posts com cenas memoráveis de (com) comida. Vale a pena conhecer. Ás vezes tem uma receita aqui, outra acolá. Esse tinha também um pouco sobre o doce e vou traduzir pra cá:

Nipples of Venus (Capezzoli di Venere)

Nipples of Venus em Amadeus

O nome vem da Vênus, a Deusa romana do amor, beleza e fertilidade. O doce também aparece no filme Chocolat em que Juliette Binoche os prepara. É importante lembrar que não é o mesmo que o MozartKugel, outro bombom criado pelo confeiteiro de Salzburg, Paul Fürst, em 1890, uma homenagem ao compositor Wolfgang Amadeus Mozart.

Nipples of Venus em Chocolat

Existem algumas receitas do docinho e dizem que a original é feita com castanhas romanas encontradas em Viterbo, norte de Roma, além de cobertura chocolate branco, cacau, açúcar refinado e marzipan. Outra receita é usar trufas com chocolate amanteigado, castanhas com conhaque, cobertura de chocolate com a pontinha (o “mamilo”) de chocolate branco. Se um dia o farei? Não sei se tenho dinheiro para os ingredientes e habilidades de doceira para tal. Uma pena, não é mesmo? Mas gostaria muito de achar alguém que faça a receita original no Brasil. Aqui tem um post legal sobre a comida de Amadeus.

Maquiadores do terror

Maquiagem com efeito especial é algo impressionante, principalmente para filmes do gênero terror. Atualmente existem diversas marcas maravilhosas que possuem produtos de alta qualidade que facilitam a vida do maquiador, sem contar as próteses mais leves que aderem bem melhor. Segundo o site Mundo Estranho, a maquiagem de efeito no cinema começou em filmes de Georges Méliès e também pelo inventor Thomas Alva Edison (!) que produziu em 1910 a primeira adaptação cinematográfica de Frankenstein. O Edison Studios contribuiu bastante para diversas especialidades dentro do cinema, inclusive a maquiagem.

não tem info sobre quem fez a makeup

Mas um dos grandes magos da maquiagem do terror foi o ator Lon Chaney. Ele mesmo cuidava de cada caracterização de seus monstrengos como Corcunda de Notre Dame (1923) e O Fantasma da Ópera (1925). Dizem que Chaney chegou a usar uma membrana fina e transparente que reveste o estômago de peixes para puxar o seu nariz em direção da testa e criar aquele visual macabro do seu Fantasma da Ópera. Para o seu Quasímodo, o ator usou uma corcunda de gesso de 9 kg. Sim, bizarro e até cruel, mas tendo em vista o material quase inexistente da época foi necessário. Sua maestria em criar técnicas de maquiagem de efeito acabou o apelidando de “O homem das mil faces”.

Já caracterizado como Fantasma da Ópera
Lon Chaney com sua maleta de maquiagem: próteses, perucas e muita técnica
Zoom na mala

Por incrível que pareça, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas (Academy of Motion Picture Arts and Sciences) não premiava (Oscar) os artistas de maquiagem até 1980, sendo a primeira estatueta entregue para Rick Baker, pelo filme Um Lobisomem Americano em Londres (1981). Hoje em dia, essa especialidade vem sendo um pouco prejudicada por conta do avanço da tecnologia. O diretor Guillermo del Toro (do Labirinto do Fauno), por exemplo, utiliza os dois em perfeita harmonia, não descarta nenhum e emprega a todos. Apesar da infinidade de programas computadorizados, nada substitui uma boa prótese de efeitos especiais, na minha opinião como maquiadora, é claro. Para você ter ideia do talento desse pessoal, vou citar alguns artistas de FX que fizeram milagres em uma época com pouco recurso, mas muita boa vontade em fazer algo espetacular que marcou gerações.

Jack Pierce

Jack Pierce foi um dos melhores maquiadores de monstrengos depois de Lon Chaney. Ele criou maquiagens icônicas para os personagens de Boris Karloff como Frankenstein (1931), além de outros monstros criados para a Universal Studios. Pierce tinha a reputação em ser grosseiro no set, mas criou um bom relacionamento com Karloff. Muitas máscaras criadas por ele eram feitas de algodão, cola, colódio e maquiagem para teatro na cor verde (que criava o look pálido nos filmes p&b). Quase todos os personagens que Karloff interpretou (Drácula, White Zombie, Múmia etc) passaram pelas mãos criativas de Pierce. Também maquiou Lon Chaney Jr (filho de Lon Chaney, claro) para o Wolf Man. Pierce inspirou vários nomes que viriam a ser importantes na indústria da maquiagem de efeito como Rick Baker e Tom Savini. Em Maio de 2013, a Cinema Makeup School, em Los Angeles, dedicou uma galeria em memória a ele.

Dick Smith

Esse é um dos meus prediletos! Dick Smith começou sua carreira na década de 40 depois de ler um livro sobre caracterização de personagens. Resolveu se especializar e logo foi chamado para trabalhar na NBC onde permaneceu até 1959. Foi pioneiro em usar espuma de látex e plásticos para criar próteses. Além disso, publicou um livro em 1965 chamado Do-It-Yourself Monster Make-Up Handbook em que ensina passo-a-passo a criar 15 monstros diferentes com maquiagem. Smith é considerado o Godfather of Make-Up por ter trabalhado com efeitos visuais em filmes como Exorcista, Taxi Driver, O Poderoso Chefão, A Morte lhe cai bem, Fome de Viver (o vampiro velho Bowie é dele) e tantos outros. Inclusive, ele assinou a maquiagem no filme Amadeus (meuamô) e ganhou o Oscar por Melhor Maquiagem e Hairstyling (merecido porque o Salieri velho estava incrível). Em 2012 ele recebeu um prêmio honorário da Academia por sua carreira. Dick Smith faleceu em 2014 com 92 anos de causas naturais. O artista deixou uma escola, a Dick Smith’s Advanced Professional Make-Up Course onde tem diversos cursos sobre maquiagem de efeitos especiais. Se eu tivesse oportunidade em estudar sobre isso, claro que seria um luxo frequentar (mas precisa ter um básico).

O Salieri de Amadeus

Rick Baker

Como citado acima, Rick Baker é uma figura fundamental e aclamada no meio da maquiagem FX. Baker começou a brincar de maquiagem na adolescência quando criava artificialmente partes do corpo humano na cozinha de casa. Seu primeiro trabalho foi como assistente de Dick Smith para o filme Exorcista. Com seu talento e dedicação, o artista despontou e chegou a receber o primeiro Oscar da categoria por Um Lobisomem Americano em Londres (1981). Foi criação dele a maquiagem feita em Michael Jackson no clipe Thriller, Grinch, Homens de Preto, Planeta dos Macacos (2001), Professor Aloprado, Malévola e Star Wars (sim!), entre outros. Baker já foi indicado 12 vezes ao Oscar, ganhando sete. Para ele, um dos seus trabalhos mais interessantes foi em Um Hóspede do Barulho (1987). Em 2013 recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood e em 2015 anunciou sua aposentaria no cinema por se sentir cansado da competição com a parte tecnológica. Infelizmente, Baker fechou o estúdio que tinha e leiloou diversas máscaras criadas por ele.

Ve Neil

Sim, existe mulher maquiadora de efeitos especiais! Ve Neil é um dos grandes nomes na indústria cinematográfica e possui trabalhos incríveis em seu currículo. Seu primeiro filme foi Laserblast (1978) em que o maquiador Fred Phillips de Star Trek foi seu mentor. Hoje em dia ela é um dos grandes nomes da maquiagem no cinema e queridinha do Tim Burton e Johnny Depp. Inclusive, ganhou Oscar pelas maquiagens de Beetleljuice e Ed Wood. Neil foi indicada oito vezes e tem mais de 60 filmes assinados como Piratas do Caribe, O Iluminado, Inteligência Artificial, Edward Mãos de Tesoura, Jogos Mortais, Capitão Gancho, Batman (Tim Burton e com Schumacher) Constantine, Sweeney Todd, Amistad, Uma Babá Quase Perfeita (ganhou Oscar por ele também), entre muitos outros. A maquiadora veio para o Brasil em 2010 e deu uma entrevista legal para o R7 aqui.

Criando o Scissorhands

Tom Savini

Tom Savini é um dos mestres da maquiagem sangrenta, tendo o apelido de Godfather of Gore. Sua paixão por maquiagem de monstros começou na infância ao assistir as obras de Lon Chaney. Logo, treinava maquiagem caseira nele mesmo a fim de assustar seus amigos. Savini serviu ao Vietnã como fotógrafo de combate e, segundo o próprio artista, a experiência na guerra ajudou a criar seu estilo de maquiagem, pois ao registrar os cadáveres mutilados, tentava focar na destruição como se fosse efeito especial para que não surtasse com todo o horror mais do que real. Quando voltou do Vietnã, resolveu estudar na Carnegie-Mellon University e ganhou uma bolsa de estudos integral no programa de atuação e direção. Em 1974 gravou seu primeiro filme, o Confissões de um Necrófilo. Em 1977 conheceu George Romero, diretor do clássico Night of the Living Dead (1968) e formou a parceria no mesmo ano com o filme Martin. No ano seguinte fizeram Dawn of the Dead que foi um dos grandes sucessos de Savini como maquiador de efeitos especiais. Além de fazer vísceras mega reais e membros decepados, o maquiador também interpretou o líder da gangue de motoqueiros. Nos anos 80, Savini criou a imagem de Jason Voorhees de Sexta-Feira 13. Fez também Maniac (1980), Creepshow (1982) e Day of the Dead (1985), sendo os dois últimos de Romero. Também dirigiu o remake de Night of the Living Dead em 1990 que teve o roteiro reescrito pelo diretor amigo. Savini também criou sua escola em 2000, a Tom Savini’s Special Make-Up Effects Program na Douglas Education Center em Monessen, Pennsylvania, em que ensina tudo sobre efeitos especiais na maquiagem.

David Miller

Outro cara que fez um trabalho inesquecível para o terror cinematográfico foi David B. Miller. Ele foi responsável pela cara assustadora de Freddy Krueger da Hora do Pesadelo (1984). Miller começou em 1982 com o filme Monstro do Pântano e quando conheceu o diretor Wes Craven sua carreira deslanchou. Para criar o rosto de Krueger, o maquiador fez uma pesquisa profunda com vítimas reais de queimadura para que parecesse o mais real possível. A aplicação da maquiagem no ator Robert Englund durava em média de quatro horas. Miller também trabalhou em filmes como Corra que a Polícia vem aí (1988), Contos da Cripta (1989), Coração Selvagem (1990) e no seriado Angel, o vampiro namorado da Buffy.

Tom Sullivan

Outro maquiador conhecido de filmes de terror é o Tom Sullivan. O artista começou sua carreira depois que sua namorada na época o apresentou ao diretor Sam Raimi. Os dois se entenderam, pois Sullivan era fascinado com animação stop-motion e efeitos especiais. Sam o achou promissor e a parceria foi feita em Evil Dead (1981), um clássico do terror independente. Sullivan também fez a Mosca 2.

A lista é grande e acredito que rola um post parte dois para dar continuidade, mas quem tiver mais interesse em conhecer tem mais aqui.

5 gemas do cinema B na Netflix, por Miguel Andrade

Hoje tem participação especial no blog! Convidei o incrível Miguel Andrade do La Dolce Vita para fazer uma lista de cinco filmes B que podem ser encontrados na Netflix. Como ele é expert no assunto, não tem erro! Inclusive, as dicas foram tão interessantes que o jornalista já está convidado para o Volume 2 do tema. Cada dica vale ouro, confira:

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Netflix é mesmo aquela maravilha de praticidade, mas se não olhar direito, podemos nos deparar com quilos de banalidade. Escavacar o acervo deles é um dos prazeres proporcionados.

Abaixo cinco fabulosos filmes B encontráveis na Netflix. B de bom!

The Godsend

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Essa produção de suspense britânica foi distribuída pela Cannon (aquela dos filmes do Chuck Norris) no começo dos anos 80, o que pode por si já dizer alguma coisa. Família Tradicional, cheia de filhos pequenos recebe a visita de uma estranha grávida.

Estranha no sentido de desconhecida e de esquisita mesmo. Por percalços, ela acaba ganhando o bebê na casa deles e desaparece sem deixar a menor pista. O casal acaba adotando o nenê que ao crescer se revela um pequeno monstro. Mezzo A Profecia, mezzo O Bebê de Rosemary, uma delícia kitsh com criancinha psicopata de interpretação sofrível.

The Vampire Lovers

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Conhecido no Brasil também como Os Vampiros Amantes e Carmilla, a Vampira de Karnstein é atualmente o único da HammerFilms original presente no catálogo Netflix. Um clássico de horror gótico finalmente em versão completa, ou seja, com as decapitações e estacadas intactas.

Após reviver os monstros clássicos da literatura (Drácula, Frankenstein, etc.) a cores a partir de 1957, a produtora inglesa chegava ao começo da década de 70 com sua formula desgastada. A solução foi apimentar seus filmes com muitas vampiras (recrutadas das páginas da Playboy) em camisolas esvoaçantes, erotismo suave e violência acima do que se poderia esperar da época.

Isso tudo com a qualidade e classe típicas da Hammer. O roteiro parte do conto Carmilla de Sheridan Le Fanu, o que equivale, comparando mal, a um tipo de Drácula de BramStoker, só que feminino.

Na Alemanha do século XVII uma família nobre hospeda uma misteriosa baronesa que se aproxima intimamente, sobretudo da filha jovenzinha que passa a sofrer de desconhecida moléstia. Espere por muita volúpia, algum lesbianismo, sangue e “elementos vampíricos” que se tornariam iconográficos no cinema. No elenco o mitológico ator Peter Cushing e as musas Kate O’Mara e Ingrid Pitt como a sedutora protagonista de caninos afiados. Pitt se tornou o principal nome feminino da Hammer.

The Vampire Lovers gerou outros dois filmes, formando a chamada trilogia de Karnstein. Os outros são Luxúria de Vampiros e As Filhas de Drácula, todos de continuidade relativa, mas igualmente interessantes.

Las brujas de Zugarramurdi

las brujas

O espanhol Álex de la Iglesia dirige outra orgia de referências pop num emaranhado de críticas sociais. O filme começa e acaba algumas vez, nos levando junto aos bizarros personagens por momentos de histrionismo cômico e terror gráfico semelhante ao dos antigos gibis do gênero.

Basicamente um grupo de bandidos em fuga vai parar num vilarejo comandado por bruxas. Mas resumir em poucas linhas um filme de Álex de la Iglesia pode não ser justo, do mesmo jeito que a apreciação deles depende muito da absorção das referências.

Boa parte da trama se passa em Zugarramurdi, um município espanhol que realmente existe na fronteira com a França. Em 1610 (de verdade!) foi palco da condenação de 40 vizinhas pela Santa Inquisição e o roteiro faz muito bom proveito desse encontro da história com a ficção.

A principal atração turística do pequeno povoado é a Caverna do Sabbat ou Zugarramurdi, repleta de lendas do século XVI que todo ano atraem turistas e curiosos no ocultismo. E é nesse lugar onde se desenrola o apoteótico desfecho, uma das melhores sequencias musicais filmadas nos últimos tempos.

No elenco Carmen Maura (que dispensa qualquer apresentação) e os astros Macarena Gómez e Hugo Silva, um dos pilotos de Os Amantes Passageiros de Almodóvar. Os dois últimos depois trabalhariam juntos no sensacional Shrew’sNest, conhecido ainda como Sangre de Mi Sangre ou Musarañas e que também está disponível na Netflix.

The Lost Empire

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Geralmente filmes B são divertidos visualmente e nas situações absurdas, mas têm um roteiro chato nas raias do insuportável. The Lost Empire é uma das bobagens mais legais que já vi!

Pense num lixo que envolve ninjas, mulheres de pouca roupa e seios fartos, um homem numa fantasia de gorila (!!!), espionagem, seita secreta milenar meio nazista, gostosas na cadeia, tudo isso em 1985, com uma incrível estética ultrapassada. Risos involuntários é o mínimo que você pode esperar.

Ah, as protagonistas são “três lindas garotas”, destemidas, que remetem imediatamente ao seriado As Panteras, embora aquela altura ele já tinha acabado. Mas elas, quem sabe, poderiam substituir o trio da TV (aham!). A índia do grupo é a atriz e playmate Raven De La Croix, também vista nos filmes de Russ Meyer, ou seja estava disposta para muita coisa. Consta que ela mesma criou seus figurinos, o que não quer dizer muito coisa, sério!

A cópia da Netflix é tão perfeita que ainda tem alguns daqueles rabiscos na película. Claro que é restaurado, áudio estéreo que deixa a trilha sonora executada num tecladinho vagabundo ainda melhor.

Clown

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Palhaços são insuportáveis e podem ser perigosos. Para eles mesmos!

Amável pai tenta resolver a ausência do palhaço que animaria a festa de seu filho, no porão ele encontra uma velha roupa de palhaço e decide usá-la. Aí ficamos em dúvida sobre quem usa o quê e qualquer outra informação pode ser spoiler.

Pequena surpresa independente com uma ideia realmente original. Jon Watts, que deve dirigir o próximo filme do Homem Aranha, estreava na direção em 2014 nessa pérola de ritmo irregular, mas com ótimos momentos de horror e suspense.

O filme é a versão em longa metragem do curta dirigido pelo mesmo Watts em 2010, o que pode justificar certa dilatação nas situações, mas também o apuro em soluções eficazes. Cult por natureza.

  • Miguel Andrade, 39 anos é fascinado por cultura B e o século XX. Nunca conseguiu manter seu Tamagochi por mais de duas semanas, mas desenvolve o blog La Dolce Vita há 14 anos.

Oscar 2016 – Só os lindos

Habemos post sobre o Oscar 2016. Desde 2014 faço um geralzão do que me comoveu nesta grande festa do cinema e não vai ser diferente dessa vez. O grande “tchan” desse ano foi a torcida pelo Leonardo DiCaprio que, finalmente, ganhou o prêmio como melhor ator e gerou memes divertidos. Acredito que ele deveria ter recebido quando atuou em Gilbert Grape, mas enfim, a academia não deixou passar batido dessa vez. Tô com a Glória Pires e não assisti nada ainda. Porém, já fiz minha lista do que me chamou a atenção: Garota Dinamarquesa (quero muito assistir esse); O Quarto de Jack, Spotlight e O Regresso.

carimbo gloria pires

 

HIGHLIGHTS

Lady Gaga

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Depois do fiasco da apresentação do Grammy, Lady Gaga tirou o fôlego de geral ao cantar a música “Til it happens to you”, do filme “Hunting Ground”. Para fechar a apresentação que foi intensa, algumas vítimas de violência sexual subiram ao palco. A música foi indicada ao Oscar de melhor canção original e infelizmente perdeu para o Sam Smith. Já disse 13145x que não sou fã da faceta over dela. Morro de preguiça, acho forçado e parece que ela se esconde naquela piração toda. Não vejo como algo natural, estilo David Bowie, Freddie Mercury, Madonna e outros artistas que são/foram inovadores. Essa versão atual dela é bem mais interessante, sabe? A mulher é talentosa e não precisa daquele circo bizonho. Para quem perdeu, veja aqui.

Leonardo DiCaprio

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Nem vi “O Regresso” e estava na torcida pelo Leozinho. Em verdade vos digo: o Eddie Redmayne era um concorrente de peso, sorte que levou ano passado e seria uma baita injustiça da Academia não passar o prêmio para o DiCaprio. Ele sempre foi um excelente ator, fato. Mesmo em filmes fiascos como “A Praia”, por exemplo, o menino tem seu charme. Sem contar que temos todo um carinho de crush juvenil, né? Eu sempre salvava um dinheirinho pra comprar aqueles posters da Atrevida. Além do prêmio em si, o ator fez um discurso louvável sobre o meio ambiente. E não foi só bláblá porque ele é mega engajado nas questões ambientais. Para quem não assistiu, veja aqui.

Jenny Beavan

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Mad Max foi o grande campeão da noite. Pensei que o filme de Alejandro González Iñárritu iria bombar, mas fuén. Um dos prêmios foi para Jenny Beaven que é uma figurinista bem requisitada. Para você ter ideia: já foi indicada 10 vezes! Confesso que nem tinha reparado no look dela, não sei se era sono ou se sou apenas uma mongolona que não ligou para o fato dela estar de jaqueta. Geralmente não boto reparo nos ganhadores das áreas técnicas, fico de olho mesmo nos atores e atrizes, hahaha. Vi no meio da tarde de ontem (29) que estava o maior auê por causa disso. GENTE, POR FAVOR! A mulher TRABALHA com FIGURINO HOLLYWOODIANO e é um dos MAIORES NOMES da área. Você acha mesmo que ela vai estar preocupada com dresscode de festa de bacana? NÃO. Segundo li no site da Lilian Pacce (que a defendeu também), ela disse: “Estou muito feliz em falar sobre isso. Não sou de vestidos e absolutamente não sou de saltos, tenho problemas nas costas. Fico ridícula em um vestido lindo. Essa foi uma homenagem a ‘Mad Max’ (…). [Essa jaqueta] é Marks & Spencer com [bordado] Swarovski nas costas. Tive um problema no sapato e o glitter caiu. Estou me sentindo confortável e, até onde percebo, estou realmente arrumada!”. Eu queria ter essa personalidade porque se fosse comigo, ficaria meses passando fome para me sentir desconfortável e julgada na premiação (com um vestido Chanel). Pra quê, né? Tava nem aí e ainda levou um Oscar.

Amy Winehouse

amy linda

Minha grande torcida era para o documentário “AMY”. Realmente me desgraçou a cabeça e achei bem mais honesto do que da Nina Simone que deu palavra para o marido abusador e a filha recalcada. O doc da Nina foi muito bem produzido, mas mancha a alma dessa mulher incrível. Aqui tem um texto sobre o insulto à memória da artista onde está bem explicadinho e que concordo MUITO (vou fazer a Glória Pires de novo). Já o da Amy Winehouse humaniza a cantora, mostra os altos e baixos sim, porém, deixa bem claro que o pai e o ex namorado foram manipuladores e cruéis. Amy não tinha nenhum personagem no palco, era ela mesma e pronto. Não tinha preparo para ser mundialmente famosa (apesar de merecido), não fazia tanta questão em ser milionária. Mas sem a fama, como iríamos conhecê-la?

A menina só queria se expressar da maneira mais honesta possível: compondo e cantando. Esse documentário é muito cruel, pois do início ao fim, nos coloca na cabeça da própria Amy. Destrincha algumas músicas partindo de suas memórias mais íntimas. Dói no peito vê-la tão insegura, sendo explorada pela indústria musical, seu pai, namorado etc. Dói mais ainda, relembrar uma artista tão completa em momentos tão frágeis. Fiquei muito tocada quando mostra o dueto com o Tony Bennett. Ela o escutava desde criança e é visível seu nervosismo ao gravar com o ídolo. Foi o grande retorno dela depois de meses de recuperação. Tony, com seu zelo e conhecimento artístico, deixou Amy à vontade e a fez perceber o quanto era incrível (talvez ela nem tenha sacado). Fiquei MUITO emocionada. Fico mais triste ainda em não ter ido ao show dela em Floripa, já que foi na época que minha grande amiga de infância havia morrido de acidente e fui ao velório dela. Ou seja, ligações dolorosas. Amy, te respeito.

RED CARPET

Nunca vi um tapete vermelho mais sem graça como este de 2016. Tinha vestidos bonitos, é claro, mas sem nenhuma emoção. Em 2014 teve Lupita como princesa, Cate Blanchett como uma fada etc. O que tivemos? O mais do mesmo e outras breguices como da Heidi Klum, Kate Winslet e Alicia Vikander, por exemplo. Fiz uma montagem com os que gostei mais, outros aqui:

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Brie Larson de Gucci – amei o cinto; Margot Robbie de Diane von F.; Rooney Mara foi minha predileta e nada óbvia de Givenchy; Naomi Watts de sereia Armani; Jared Leto diferentão de Gucci e Lady Gaga com Brandon Maxwell

Para não matar a tradição neste bloguinho, bora ver as fotos lindas que Mark Seliger fez este ano para festa da Vanity Fair:

O que acho mais incrível na festa da Vanity Fair? Geralmente os vestidos after party são bem mais bonitos.

¯\_(ツ)_/¯

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Nina Dobrev foi de Elie Saab que é sempre um acerto; Elizabeth Banks toda deusa com Ralph and Russo; Diane Kruger sempre impecável foi de Reem Acra; Alicia Vikander trocou o vestido cafona Louis Vuitton por outro belíssimo da mesma grife; Jessica Biel ficou chic de Tom Ford e a grávida linda Anne Hathaway foi estilo 60s Naeem Khan.
aqui é assim mesmo: tá bacana. desempenho joia <3
aqui é assim mesmo: tá bacana. desempenho joia <3

 

Documentários sobre mulheres admiráveis

Este ano posso dizer que virei a louca do documentário. Já foram mais de 10 assistidos na Netflix e a lista só aumenta. Amo documentários, já que é possível conhecer personalidades de uma maneira mais “humana”, sem colocar num pedestal inalcançável. Gostaria de recomendar dois por aqui: da Diana Vreeland e da Bettie Page. Ah, assisti ao da Amy Winehouse e esse merece um post só pra ele. Vou falar um pouco sobre cada personalidade intercalando com minha opinião, ok?

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