Design

Javier Mayoral, o pulpbrother

Javier Mayoral não quer facilitar a vida de ninguém quando você encontra as obras dele. O espanhol é chef de cozinha radicado em Miami, mas nas horas vagas faz das suas pinturas uma forma de mostrar seus pensamentos totalmente randômicos e nonsense, porém, sempre divertidos. No mais, Javier é uma máquina de criar posters, geralmente faz três por dia, o que rendeu um livro pela editora alemã Lappan Verlag. No IG você o encontra como @pulpbrother.

Ele tá no Tumblr também

 

Entrevista: Julie Inada da En Torno Cerâmica

Conheci a Julie Inada por meio das minhas ex-vizinhas maravilhosas Renata e Claudia (oi!) e achei mega interessante o fato dela ter um atelier criativo focado em peças utilitárias de cerâmica, uma arte milenar. Formada em Design de Móveis pela UTFPR (Universidade Tecnológica do Paraná), começou com a En Torno Cerâmicas em 2014 e até hoje continua entregando criações únicas feitas à mão, artesanalmente.

Em seu site, Julie explica que cada objeto é único e tem sua particularidades, sendo que cada cerâmica finalizada possui sua própria identidade e nenhuma é igual a outra. Para modelar bowls, bules, canecas, moringas, vasos, entre outros, a designer usa oleiro – o que cria seu próprio vidrado (que dá a cor) para acabamentos. A convidei para uma entrevista pra cá a fim de contar mais sobre seu trabalho:

 1- Como começou sua paixão por cerâmica? 
Com 14 anos eu fiz uma aula experimental na escola com o torno e amei. Depois disso procurei por um tempo algum lugar onde pudesse aprender mas não encontrei. Quando ia fazer 30 anos queria realmente mudar minha vida e comecei a procurar várias coisas: aulas de yoga, de música, de culinária e por fim encontrei uma professora que dava aulas de torno. A primeira vez que sentei no torno e vi minha primeira peça me apaixonei, queria fazer aulas todos os dias, era como uma necessidade.

2- Podemos dizer que cada peça que você cria à mão é um exemplar único, certo? Como funciona o processo de criação?
Sim, eu gosto de ter um objetivo quando começo uma peça nova. Por exemplo: se hoje eu quero um modelo novo de copo, eu começo a modelar vários e vou vendo o que vai saindo, gosto de deixar fluir bastante e fazer coisas bem variadas até encontrar uma forma que me agrada mais. Aí começo a fazer mais desse mesmo formato pra ver se consigo leva-lo adiante. Algumas coisas saem sem pensar, mas é bem raro.

3- Você foi para fora do país aprender novas técnicas, não é mesmo? Quem são suas principais referências na arte da cerâmica?
Quando decidi ir a Londres para fazer cerâmica eu tinha alguns ceramistas que gostava muito por razões variadas. O Tom Kemp é um ceramista que trabalha com massa de porcelana e o diferencial dele são as peças grandes e o pincelzão que ele usa pra pintar as peças, queria muito conhecê-lo e conheci. O Florian Gadsby é uma celebridade entre os ceramistas e não ceramistas no instagram e manja de técnica pra caralho. Aqui no Brasil tem a Gisele Gandolfi do Atelier Muriqui que trabalha exatamente com o que gosto trabalhar e faz tudo lindamente. Eu poderia citar vários, mas é difícil pensar nisso, minha cabeça ferve haha

4- Qual a maior dificuldade em ter um negócio próprio, ainda mais de um produto artesanal?
Saber dar preço para as coisas e conseguir fazer as pessoas entenderem o valor. Quando comecei o ateliê todo mundo que trabalha com cerâmica me disse que era impossível viver de cerâmica sem dar aula, que vender peças não dá dinheiro. Mas eu vivo assim hoje e vivo bem. Acho que boa parte dos criativos, artesãos, artistas têm o problema de não saber lidar bem com negócios.

5- A En Torno Cerâmicas está com alguma novidade de peças? Pode nos contar?
Várias novidades! Com a volta da viagem e o ateliê novo vim com várias ideias. Estou trabalhando uma massa preta, cores novas, miniaturas, texturas…acho que tem que ter novidade sempre, é o que gosto.
No ateliê novo vai ter uma loja que vai abrir de sábado, a partir da metade de setembro. No Coletivo Alimentar vai ter peças também e ao longo da caminhada vou colocando peças em lugares variados, mas a ideia principal é vender na loja do ateliê.

Foto: Mariana Alves

Se você gostou, a venda dos produtos é feita sob encomenda por e-mail ou por peças disponíveis no atelier. Entre em contato com a Julie que é sucesso.

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Low brow com Brandi Milne

Como muitos sabem, sou grande entusiasta do low brow, como já contei em diversos posts daqui. Uma artista dessa linha que adoro é Brandi Milne. Nascida nos anos 70 em Anaheim, California, Milne sempre acompanhou os cartoons clássicos, brinquedos, doces, a Disney e os feriados em família que sempre preencheram sua imaginação. O trabalho dela é rico justamente nessas referências de infância, além de detalhes como amor, perda, dor e coração partido – tudo lindamente coberto por doces. Sempre usando esses elementos, a artista cria um mundo surreal comandado por ela.

Com sua arte consistente no universo low brow e com grandes nomes a acompanhando como Mark Ryden, por exemplo, Brandi já participou de exposições internacionais e pelos Estados Unidos. Também já apareceu em revistas renomadas como a Hi Fructose e Bizarre Magazine. Em 2008, ela publicou seu primeiro livro, o So Good For Little Bunnies e, em 2014, foi a vez de Frohlich, ambos pela Baby Tattoo Books. Brandi também já colaborou com sua arte em algumas companhias como a Billabong, Disney, Sugarpill Cosmetics e Acme Film Works para CVS Pharmacy. Este ano ela terá uma nova exposição que começará em 19 de Agosto, na Galeria Corey Helford, em Los Angeles. Sucesso!

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Capas de vinis maravilhosas

Dias desses encontrei um perfil maravilhoso no Pinterest com as melhores pastas do universo. Era do americano Todd Skelton, um entusiasta da estética nipônica, do horror, low brow e uma sorte de assuntos que adoro. A curadoria dele é muito bem feita e um álbum em especial me chamou a atenção, o das capas de vinis: todas dos anos 50, 60 e 70 com o teor kitsch, de terror, humor etc. Todd fez uma seleção digna que tem John Waters, Serge Gainsbourg, Surf music, satanismo, Divine e até do mordomo da Família Addams.