Entrevista

Entrevista: Julie Inada da En Torno Cerâmica

Conheci a Julie Inada por meio das minhas ex-vizinhas maravilhosas Renata e Claudia (oi!) e achei mega interessante o fato dela ter um atelier criativo focado em peças utilitárias de cerâmica, uma arte milenar. Formada em Design de Móveis pela UTFPR (Universidade Tecnológica do Paraná), começou com a En Torno Cerâmicas em 2014 e até hoje continua entregando criações únicas feitas à mão, artesanalmente.

Em seu site, Julie explica que cada objeto é único e tem sua particularidades, sendo que cada cerâmica finalizada possui sua própria identidade e nenhuma é igual a outra. Para modelar bowls, bules, canecas, moringas, vasos, entre outros, a designer usa oleiro – o que cria seu próprio vidrado (que dá a cor) para acabamentos. A convidei para uma entrevista pra cá a fim de contar mais sobre seu trabalho:

 1- Como começou sua paixão por cerâmica? 
Com 14 anos eu fiz uma aula experimental na escola com o torno e amei. Depois disso procurei por um tempo algum lugar onde pudesse aprender mas não encontrei. Quando ia fazer 30 anos queria realmente mudar minha vida e comecei a procurar várias coisas: aulas de yoga, de música, de culinária e por fim encontrei uma professora que dava aulas de torno. A primeira vez que sentei no torno e vi minha primeira peça me apaixonei, queria fazer aulas todos os dias, era como uma necessidade.

2- Podemos dizer que cada peça que você cria à mão é um exemplar único, certo? Como funciona o processo de criação?
Sim, eu gosto de ter um objetivo quando começo uma peça nova. Por exemplo: se hoje eu quero um modelo novo de copo, eu começo a modelar vários e vou vendo o que vai saindo, gosto de deixar fluir bastante e fazer coisas bem variadas até encontrar uma forma que me agrada mais. Aí começo a fazer mais desse mesmo formato pra ver se consigo leva-lo adiante. Algumas coisas saem sem pensar, mas é bem raro.

3- Você foi para fora do país aprender novas técnicas, não é mesmo? Quem são suas principais referências na arte da cerâmica?
Quando decidi ir a Londres para fazer cerâmica eu tinha alguns ceramistas que gostava muito por razões variadas. O Tom Kemp é um ceramista que trabalha com massa de porcelana e o diferencial dele são as peças grandes e o pincelzão que ele usa pra pintar as peças, queria muito conhecê-lo e conheci. O Florian Gadsby é uma celebridade entre os ceramistas e não ceramistas no instagram e manja de técnica pra caralho. Aqui no Brasil tem a Gisele Gandolfi do Atelier Muriqui que trabalha exatamente com o que gosto trabalhar e faz tudo lindamente. Eu poderia citar vários, mas é difícil pensar nisso, minha cabeça ferve haha

4- Qual a maior dificuldade em ter um negócio próprio, ainda mais de um produto artesanal?
Saber dar preço para as coisas e conseguir fazer as pessoas entenderem o valor. Quando comecei o ateliê todo mundo que trabalha com cerâmica me disse que era impossível viver de cerâmica sem dar aula, que vender peças não dá dinheiro. Mas eu vivo assim hoje e vivo bem. Acho que boa parte dos criativos, artesãos, artistas têm o problema de não saber lidar bem com negócios.

5- A En Torno Cerâmicas está com alguma novidade de peças? Pode nos contar?
Várias novidades! Com a volta da viagem e o ateliê novo vim com várias ideias. Estou trabalhando uma massa preta, cores novas, miniaturas, texturas…acho que tem que ter novidade sempre, é o que gosto.
No ateliê novo vai ter uma loja que vai abrir de sábado, a partir da metade de setembro. No Coletivo Alimentar vai ter peças também e ao longo da caminhada vou colocando peças em lugares variados, mas a ideia principal é vender na loja do ateliê.

Foto: Mariana Alves

Se você gostou, a venda dos produtos é feita sob encomenda por e-mail ou por peças disponíveis no atelier. Entre em contato com a Julie que é sucesso.

Para seguir: Facebook | Instagram

Entrevista: Juliana Pegoraro, a Ju das Bolhas

Se você é de Curitiba, sabe muito bem que a Rua XV é um palco a céu aberto. Os artistas são essenciais nesse trecho icônico da capital paranaense, seja com música, performance, pintura etc. A artista mato-grossense Juliana Pegoraro faz parte desse circuito criativo e, com suas bolhas gigantes, deixa o calçadão curitibano ainda mais divertido. Também como conhecida como Julieta Antoniana ou Ju das Bolhas, a estudante de Educação Física faz pesquisas de movimentos físicos e possui o projeto Tô de Bolhas, além de dar palestras sobre “A interdisciplinaridade da Bolha de Sabão”. Com seu “q” de cigana e Janis Joplin (amo), Ju participou do Global Bubble Parade no final de maio que é um grande encontro feito há quatro anos para os entusiastas dessa performance linda. A convidei para falar mais sobre esse mundo que é tudo em nome da água, detergente e açúcar.

1- Ju, qual foi sua motivação em começar a fazer performance com bolhas?
De início foi descolar uma grana! Sendo bem honesta, sendo palhaça desde os 18, mas não atuando de forma direta no trabalho, sendo crítica, enfim, apenas aquela palhaça cultural, e insatisfeita. Reencontrei uma amiga que havia feito anos atrás em Itajaí, durante uma performance na rua em Curitiba com a Trupe do TAO em 2014, que durante sua estadia aqui, em paralelo com trabalhos “normais”, ia para Rua XV fazer Bolhas e vender as Varinhas Mágicas que produzia, que ela chamava de Bolhadores.

De início não dei muita bola, não sabia da profundidade do assunto “Bolhas de Sabão”, porém elas me encantavam muito.
Então Aline me ensinou a confeccionar uma Varinha Mágica, a fazer a receita da Poção Mágica. Demorou uns meses pra eu de fato usar artisticamente as Bolhas Gigantes como performance, compreendê-la. E isso se deu ao fato de estar precisando de grana, e utilizar um trocado que possuía para investir nos primeiros materiais, ir para a Rua XV e entender sobre a magia desta Bolha Gigante e sua atuação em meio ao movimentado cotidiano de quem transita aquele espaço: tumultuado, com pressa, hora marcada, e de repente, uma palhaça brincando de Bolhas de Sabão. E as estátuas vivas, e os músicos, enfim, me senti fazendo parte daquele meio, em meio a tranqüilidade de brincar com as bolhas. Foi impressionante o feedback, e cada dia é uma surpresa aventurosa. Com o tempo constante de atuação na rua, construí amizades e novos trabalhos surgiram, e o estudo cresceu, virou a palestra “A interdisciplinaridade da Bolha de Sabão”, e a performance interativa constituída e mutável: Tô de Bolhas.

2- Seu principal ponto de interação é na XV, certo? Qual a faixa etária das pessoas que te param para observar ou até perguntar como faz os movimentos?
Sim, o principal ponto de interação é a Rua XV, mas hoje próximo ao chafariz entre as ruas Muricy e Mal. Floriano Peixoto. Aos domingos, tenho feito a ação do Tô de Bolhas na Praça João Cândido, junto às iniciativas da Secretaria de esportes, lazer e juventude que leva brinquedos para as crianças e jogos, e shows produzidos pela rádio Mundo Livre, porém a ação do Tô de Bolhas não leva patrocínio ou apoio dos órgãos citados, ela se auto sustenta com a venda das Varinhas Mágicas e divulga-se pelo boca a boca, além claro pelos ventos que levam as bolhas entre as barracas.
É uma surpresa, a maioria são adultos, convidados a “Não perca a oportunidade de aprender a fazer uma Bolha Gigante!” Então as crianças de todas as idades se encantam, os cachorros, é bem divertido. Ainda que as vezes algumas pessoas aparentem algum incômodo, lhes bendigo: está abençoado em nome água, detergente e açúcar! Amém!… Elas respondem Amém! (rsrs)


3- Como foi a Global Bubble Parade? O que você sentiu em participar desse evento?
O movimento da Global tem intenções maravilhosas! Foi bolhudo no dia! O tempo ajudou, haviam muitas pessoas fazendo bolhas de sabão! Lavamos a calçada do Cavalo Babão.

4- Você tem algum movimento especial para fazer suas bolhas “de respeito”?
Sim! Eu chamo de Ginástica da Bolha: primeiro é necessário sentir a direção do vento, depois, prepare as Varinhas Mágicas, uma em cada mão, e com uma perna a frente, braços acima esticados, une-se as extremidades da Varinha Mágica, e flexiona-se o tronco até que a cordinha de barbante que há no brinquedo se afunde completamente na bacia que contém a Poção Mágica. Então, eleva-se os braços, e lentamente afaste as extremidades da Varinha lateralmente em paralelo, e ainda caminhe para trás com parcimônia, tudo isso, compassado, sentido, respirando. O vento sopra e leva as bolhas ao alto.

5- Qual seu próximo passo como “Ju das Bolhas”?
Produzir Varinhas Mágicas, fabricar poções, continuo a estruturar e melhorar o projeto Tô de Bolhas e a palestra A interdisciplinaridade da Bolha de Sabão, e compor com os bambolês a performance é uma parte dos estudos, treinos e pesquisas também.

RECEITA PARA CRIAR BOLHAS POR JU
2 copos de detergente
5 copos de água
1 copo de açúcar
+paciência e persistência
Vamos todos ficar De Bolhas!

Créditos para fotos:  Yuri Reisemberg e Guilherme Artigas

Bate-papo com R. F. Lucchetti

O mestre do pulp fiction brasileiro está entre nós. Rubens Francisco Lucchetti, 87 anos, sete décadas de carreira com 1.547 títulos, 300 HQs assinados, 25 roteiros de cinema – sendo, inclusive, premiado com um Kikito no Festival de Gramado para “O Segredo da Múmia” (1982), de Ivan Cardoso e inspiração primordial para o Grand Guignol curitibano, a companhia Vigor Mortis. R.F. Lucchetti é uma dessas figuras do horror que jamais deve ser esquecida.

Depois de assistir a peça A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti, na Cia dos Palhaços (em Curitiba), segui o conselho dado para o público pelo diretor Paulo Biscaia Filho em entrar em contato com Lucchetti e angariar seu livro que vem com dedicatória. Assim o fiz e recebi a resposta do meu pedido (O abominável Dr. Zola e Museu dos Horrores) com tanta educação e presteza – algo muito raro nos dias atuais – que fiquei mais admirada ainda. Com mais um pouco de fôlego e aquela falta de vergonha na cara que já é conhecida por alguns – quem lembra dos meus encontros no portão do Dalton Trevisan? – resolvi chamá-lo para uma entrevista pra cá. Então, diretamente de Jardinópolis (SP), se deliciem com as dicas do pai da literatura brasileira do horror, R.F. Lucchetti.

1- Sr. Lucchetti, sei que é grande fã de cinema, principalmente do gênero horror/terror. O senhor poderia nos indicar dois filmes imperdíveis que lhe inspiraram em sua carreira literária?

O Solar das Almas Perdidas, com Ray Milland e uma atriz que passei a venerar: Gail Russell. Sangue de Pantera, que deu início ao ciclo de filmes de Horror produzidos por Val Lewton na RKO. A atriz do filme, Simone Simon, parece mesmo um felino. A fita foi dirigida por Jacques Tourner, que, anos mais tarde, nos brindaria com outro clássico do Horror: A Noite do Demônio.

Sangue de Pantera (1942) – um dos filmes citados por Lucchetti. Tem um remake “A Marca da Pantera” de 1982 com Nastassja Kinski e Malcolm McDowell em que trilha criada por David Bowie e George Moroder

2- Sabemos que o senhor tem uma biblioteca com um acervo invejável – e macabro, com perdão do trocadilho- com mais de 10.000 títulos. Qual obra de outro escritor que o senhor tem mais estima e foi crucial em algum momento de sua vida?

Poesia e Prosa (em três volumes, lançados pela Livraria do Globo, de Porto Alegre), do Edgar Allan Poe.

3- O senhor tem uma bibliografia extensa que inclui quadrinhos assinados e roteiros de filmes (inclusive com Zé do Caixão), qual livro de sua autoria que indicaria para quem quer começar a se aprofundar em sua obra?

As Máscaras do Pavor, que deu início a uma coleção com meu nome. Essa coleção irá publicar quinze títulos, reunindo as mais representativas histórias que criei.

MEUS LIVROS

Os dois livros escolhidos: Museu dos Horrores e O Abominável Dr. Zola. Chegaram num envelope datilografado pela sua Underwood 298 (<3) com dedicatórias queridíssimas. Fiquei muito feliz com o carinho de Lucchetti.  Você pode encomendar obras dele via Facebook.

Gelado, o suor escorre pelas nossas faces; os cabelos se eriçam. Um frio percorre nossas espinhas, os dedos crispam-se de emoção. O pavor toma conta de todo o nosso ser, enquanto o homem-lobo e o vampiro engalfinham-se numa luta de vida ou morte. Estamos hipnotizados pelos seres sobrenaturais e horripilantes. O medo nos atrai, nos emociona e nos cativa. Queremos fugir do nosso cotidiano sem emoção. Buscamos as histórias e os contos terroríficos, com a avidez dos viciados. Transportamo-nos para o universo do Terror, penetramos na dimensão do impossível. Estamos no mundo do Horror, um mundo onde é sempre noite e as ruas são becos escuros e encobertos por um eterno nevoeiro. Fonte
Nas noites de luar, quando o relógio marca meia-noite, ouve-se um uivo sinistro, fazendo gelar nosso sangue. É o uivo de um ser de corpo peludo e dentes aguçados que ataca os incautos viandantes noturnos. Durante o dia, é um homem comum; mas, por artes do mal ou por artes de algum gênio louco, transforma-se à noite num monstro que aterroriza os habitantes de aldeias longínquas e tranquilas, como a de Westmoreland, na Inglaterra. Somente a morte poderá trazer paz a esse pobre homem. Apenas a morte poderá amenizar-lhe o terrível sofrimento de ser transformado subitamente numa criatura horripilante com uma sede implacável de matar e destruir. Fonte

Vale a pena assistir ao documentário que a Vigor Mortis fez com o Papa do Pulp brasileiro também. A peça A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti está agora em São Paulo até 14 de maio, no Cemitério de Automóveis. Recomendo MESMO.

Entrevista: Hellen Albuquerque do Indumentária

Hoje é dia de entrevista com a maravilhosa cacheada Hellen Albuquerque do portal de notícias independente e agência de comunicação para áreas criativas Indumentária. A conheci em uma produção de ensaio Boudoir onde ela cuidou do figurino, eu da maquiagem e a Mel Gabardo da fotografia (que era nossa ponte). Foi um dia bem divertido e mais para a frente a Hell me chamou para outra produção. Nos demos mega bem e como já conhecia o Indumentária, logo a convidei para contar mais sobre seu veículo que produz conteúdo autoral sobre moda, comportamento, design, beleza e outros assuntos que amamos. Bora conhecer mais sobre essa mulher sensacional:

1- O Indumentária nasceu para ser uma extensão da sua coluna no Jornal Bem Paraná, em 2013, certo? Você como editora, jornalista e produtora de moda de um portal independente sobre moda, design e artes em geral imaginava que sairia uma agência de comunicação por meio dele? Como foi esse processo?

O Indu começou por causa do Bem Paraná, e tenho muito a agradecer a Josianne Ritz por isso, quem me deu esse espaço. Ela conheceu meus textos pelo Fashion PUC, que era um projeto de faculdade de cobertura de eventos de moda. Achou interessante e disse pra eu fazer uma proposta de blog de moda para o Portal. Indumentária era uma palavra que sempre estava na minha cabeça, por eu estudar muito história da moda. Dei o nome, e enviei essa perspectiva cultural de moda como ideia para a linha editorial. Ela aprovou, depois de uns três meses no Portal, me cedeu também um espaço no jornal impresso, em que eu escrevi todas as sextas-feitas por dois anos. Foi incrível pra mim, com 19 anos, já ter minhas palavras impressas em um jornal de verdade! haha Tenho minha primeira coluna enquadrada até hoje. Logo no começo eu já enxergava o Indumentária como um projeto a longo prazo, e para isso, eu pensava nele como um meio de comunicação mas também como um espaço de troca, onde eu pudesse transpassar o eu estava aprendendo. A Agência foi a melhor forma para isso, pois assim consigo atender marcas de moda que acreditam no mesmo que eu, e precisam dessa expertise de comunicação, que vem da minha formação em jornalismo. Então tudo aconteceu de forma natural, depois de anos escrevendo no Indu, em 2015 comecei a formatar melhor essa ideia. Foi quando decidi que meu tempo no Bem Paraná estava no fim, e transferi para uma plataforma independente. Ali, continuam meus textos críticos de moda, a envolvendo com a cultura, como era lá no começo, mas também apresento os trabalhos que tenho feito, e ofereço esses serviços.

2- As pautas no portal geralmente possuem grande teor social e regional, o que difere de outros canais. Como é feita a curadoria de conteúdo e a escolha das colaboradoras?

Sim! Essa sempre foi minha ideia, todo mundo se envolve com moda, porque ela está não só na nossa vestimenta, mas em nossos hábitos e costumes. Agora, pensar sobre isso… Não é tão natural, né? Minha vontade é questionar, quebrar paradigmas, preconceitos e padrões. Como uma boa aquariana! Todas as pautas seguem nossas premissas que são o empoderamento feminino, o consumo consciente e a produção autoral. Tanto que nenhum dos textos é uma reprodução, são sempre artigos únicos, vivências e opiniões. É mais denso que a maioria do conteúdo produzido no segmento, mas eu gosto disso, e acho que quem gosta de ler está ali comigo. Os colaboradores são muito fluídos também, eles vem e vão, e eu gosto da ideia do Indumentária de portas abertas. Sempre que alguém se interessar em publicar por lá, e acredite nesses pilares, terá espaço para isso!

Hellen

3- Como você costuma explicar o que é Indumentária, além do sentido literal?

Eu sempre falo que Indumentária é a moda quando ela é cultura. A palavra em si vem da história, quando pensamos em um conjunto visual representativo, como as vestimentas gregas ou do Império Bizantino. Quando identificamos uma profissão pelo jaleco ou terno. E principalmente quando escolhemos esses signos como representação da nossa personalidade – e isso acontece toda vez que abrimos o guarda roupa, por mais desinteressados no assunto que digamos ser. Essa simbiose que a moda faz ao ambiente onde está inserida, é Indumentária. Uma representação visual e estética de tudo que vivemos e acreditamos. É por isso que me sinto livre por percorrer diversos assuntos, como o próprio feminismo, pois vejo a moda descrevendo movimentos sociais, vestindo revoluções políticas – que o digam os Sans Culottes!

4- Você costuma dar vários workshops sobre moda e comportamento. Quais são os próximos projetos para 2017?

O próximo projeto que estou bem empolgada é formatar um workshop sobre moda e empoderamento, que tenha um viés acessível a todas as mulheres. Fiz esse experimento no Dia da Mulher, em um evento do Shopping Crystal. Foi uma fala bem curta sobre como nossas roupas são uma ferramenta para encontrarmos nosso poder pessoal. Quero tornar essa informação mais prática e disseminá-la o quanto der!

5- Se você pudesse escolher apenas um ícone de estilo que englobe tudo o que portal costuma tratar, quem seria e por qual razão?

Com certeza, Audrey Hepburn! haha Ela é minha musa desde muito pequena, e a admiro grandemente como figura feminina. A Audrey quebrou padrões em sua época, assumindo um corpo esguio, quando Marilyn Monroe e Brigitte Bardot exibiam curvas infindáveis. Foi chamada de esquisita e atrapalhada com seus traços finos, mas ainda assim conseguiu reconhecer a própria beleza, e hoje é considerada a mulher mais bela do séc. XX. Inspirou Humbert de Givenchy por toda uma vida, usando suas roupas nos filmes como parte da narrativa e roteiro. Expressando muito mais em um chapéu do que qualquer método de Stanislavski. Para além das lentes, ela se dedicou a causas sociais, abandonando a carreira para retribuir as pessoas, como um dia fizeram com ela durante a Segunda Guerra Mundial, se tornando então embaixatriz da UNICEF. Ela é um bom exemplo de alguém que usou sua influência em diversas áreas, como o cinema e a moda, para transformar o mundo. E sendo bem sonhadora, é isso que a gente quer, né? hahaha

Não deixe de visitar o site e fanpage para acompanhar os posts e eventos que são produzidos.

Entrevista com Juliana Lourenço

ju lourenço bags 6

Investir em acessórios (bolsas, brincos, colares etc) pode ser uma salvação para quem gosta de roupas mais básicas, mas quer dar um ar especial no visu. As bolsas lindas, originais e de excelente qualidade da Juliana Lourenço, por exemplo, cumprem muito bem essa função. Conheci a Ju – que é de Londrina – já faz um tempinho e pela internet mesmo. Comprei minha primeira bolsa (western thunderbird), acho que em 2012/13 e desde então a acompanho. Recentemente fiz outra compra (boca) e a chamei para uma entrevista pra cá, algo que até demorou muito para ser feito, tendo em vista que ela é um doce e sempre curtimos algo uma da outra. Aliás, impossível não amar as postagens de looks produzidos por ela que são homenagens às épocas maravilhosas de 50, 60 e 70, às musas como Sharon Tate, Dolly Parton, Elvira, Barbie e tantas outras. Um desbunde e tudo modelado por ela que é lindíssima.

Seu bom gosto não é à toa. Juliana é formada em Moda e pós-graduada em História da Arte pela Universidade Estadual de Londrina e tem sua marca homônima de bolsas desde 2004. Os produtos possuem uma pegada retrô e são confeccionados com materiais sortidos, tais como vinílicos, sintéticos, couro ecológico, algodões e mistos, ou seja, nada de origem animal. Os temas das coleções são variados como western, geek, retrô, divas darks, entre outros. Ah, os preços são justos e vem tudo bem caprichado pelos correios. Sucesso!

ju lourenço bags 3

Na entrevista a seguir, Ju gata conta sobre processo criativo, surpresas que estão por vir e influências:

1- Você tem sua marca já tem um tempo e cada ano que passa suas criações ficam mais lindas. Quando surgiu a primeira ideia, de fato, pra criar a primeira bolsa? Foi uma necessidade pessoal em não encontrar no mercado?

Tenho minha marca desde 2004, eu conciliava meu emprego de designer em uma fábrica de jeansweare e fazia as bolsas em casa depois que chegava da fábrica. Foi ficando muito corrido devido ao aumento de pedidos, dai pude largar meu emprego, que gostava muito também, e seguir meu grande sonho de ter minha marca própria.

2- Como é seu processo criativo e materiais que costuma utilizar para criar?

Geralmente eu faço o que eu gosto em termos estéticos, mas pesquiso muito tendências e o que meu público gosta. Não sigo um processo fixo, as vezes compro os materiais primeiro, só então penso numa nova coleção ou modelo, ou as vezes faço um briefing e vou atrás dos materiais que se encaixam nessa nova pesquisa.

juliana lourenço bolsas

3- Você está trabalhando em algum projeto no momento? Caso positivo, poderia nos contar?

Sim, sempre tenho novos projetos, inclusive sempre tenho novos produtos aqui em casa, mas não consigo lançar com a frequência que queria pois tenho muitos pedidos. Como sempre as novas bolsas vão vir com personagens queridos pelo público vintagelovers, aguardem que vai vir algo do Deus…..BOWIE!

4- Você tem algum modelo de bolsa que criou que guarda com muito carinho?

Tenho sim!!! Tenho duas bolsinhas que confeccionei em 2004, são bem pequeninas, mas que tem uns aviamentos de cerejinhas que eu gostava muito, só guardei essas de lembrança.

5- É fato que os anos 50, 60 e 70 são grandes inspirações para suas criações. Quais são suas outras influências?

Com certeza essas 3 décadas são minhas maiores influências, mas devido a grande possibilidade de pesquisas na internet e aumento do público alvo tenho me influenciado muito no mundo Geek e Kawaii.

6- Depois da maternidade, você pensa em criar alguma linha infantil de bolsas?
Sim, com certeza, só tenho que administrar melhor meu tempo, que agora está mais escasso ainda! Quero investir bastante nessa linha mamãe e filhinha retro, vai ser uma fofura!

7- Pra finalizar: quais dicas que você, como empreendedora, dá para quem está a fim de começar um negócio no ramo de moda?

Conhecer bem os anseios do seu público alvo, sempre pesquisar para trazer novidades.

Para segui-la: Facebook | Instagram