Música

Banks and Steelz – Paul Banks & RZA indahouse


Não é de hoje essa parceria, mas como faz tempo que não posto nada de música, né? Tudo começou com jogos de xadrez entre Paul Banks vocalista da minha amada banda Interpol e Robert Diggs, mais conhecido como RZA e um dos vocais do grupo de rap de respeito Wu-Tang Clan. Em 2011, os dois gravaram uma demo em que Banks – grande fã de hip-hop- improvisou os vocais com o beat criado por RZA. Pois bem, a brincadeira foi longe e em 2013 a dupla Banks & Steelz iniciou a gravação de um álbum.

Intitulado como Anything But Words, o disco foi lançado somente em 26 de agosto de 2016, já que Banks estava atarefado em 2014 com o projeto do quinto álbum do Interpol, o El Pintor (maravilhoso, por sinal).

Como estou em alguns grupos relativos ao Interpol, acompanhei quando foi lançado e também vi um pouco do show que eles fizeram no Coachella este ano (só não vi todo porque a o streaming tava uma droga). O álbum é excelente, bem diferente do que os dois fazem por aí, mas com a cara dos dois. Cheio de referência bonitas e participações como Florence Welch (Florence and the Machine, voz de fada), Ghostaface Killah, Masta Killa e Method Man (do Wu-Tang Clan) e Kool Keith. Para quem gosta de música que mistura conceitos diferentes, mas muito bem feitos, então esse álbum é perfeito. Sou grande fã de hip-hop clássico (anos 80/90) e louca pelo trabalho do Paul Banks e confesso que tinha tudo para ficar sem entender coisa nenhuma… Fiquei maravilhada com o resultado final. Ah, eles já estão com dois clipes, inclusive o Love + War traz ligação direta ao filme de Tarantino, Cães de Aluguel (lembrando que RZA é ator e já trampou com o diretor). Escute sem preconceitos e seja feliz, os fãs dos dois estão recebendo bem:

Bandas post-punk turcas

Se alguém pergunta qual o estilo musical que mais gosto, não hesito em responder “post-punk e new wave, fi”. Claro que minha playlist é bem variada, pois acho que ser limitado musicalmente é muito triste (e burro). Mas se tem sintetizador e um pouco de trevas, já tô rebolando com a parede.

Uma das delícias em assinar o Spotify é ter acesso ao Daily Mix (listas separadas por gênero feitas especialmente para você com base no que mais escuta). Ano passado conheci duas bandas atuais de post-punk da Turquia por conta de uma dessas playlists. Gamei mesmo e achei incrível ter bons exemplares atuais, ainda mais de um lugar tão diferente (geralmente bandas desse gênero surgem mais no Reino Unido, Alemanha etc). Se você gosta disso, bora conhecer essas belezinhas e ampliar esse teu bom gosto musical.

SHE PAST AWAY

A banda foi formada em 2006, na cidade de Bursa pelo vocalista e guitarrista Volkan Caner e o baixista İdris Akbulut. O que mais me chamou atenção – musicalmente falando – foi o fato em unir dark wave com a raiz do post-punk. Além disso, esbanjam um visual gótico em que posso comparar sem medo com Bauhaus, por exemplo. As letras são todas na língua nativa (turco), o que torna tudo mais mágico. Apesar de ter conhecido somente em 2016, She Past Away já veio para o Brasil em 2015 no Wave Winter Festival, um dos maiores festivais de new wave, post-punk, 80s gótico etc. Nesse mesmo ano, o baixista Ídris saiu e entrou Doruk Öztürkcan – produtor da banda e dono dos tecladinhos que tanto amamos. Aqui tem uma entrevista muito bacana com o vocalista sobre suas influências. Fanpage | Site

TO THE STATES

To The States nasceu em 2014, em Istambul e se auto intitula como “Eurasian New Wave”. Diferentemente de She Past Away, a banda não se encaixa estritamente no post-punk (aquela mistureba digna) e também não faz uso do “visu” gótico. Porém, não faz feio no sintetizador e a voz arrastada do Çağdaş Kılıçoğlu é de causar arrepios pra quem curte um darks da vida. AH, as letras são inglês mesmo. Fanpage | Site

The Idiot, Iggy Pop

Estava rolando uma brincadeira (aka corrente) no Facebook em que você deveria postar uma foto de um álbum que teria muita importância na sua vida e indicar amigos para continuarem. Me marcaram e não quis pensar muito: citei The Idiot, do Iggy Pop. O escolhi porque desde o final de julho estava ouvindo incansavelmente e dei continuidade em agosto.

Acho esse álbum importante por tantos motivos, por exemplo: ele foi o disco de estreia do Iggy Pop em sua carreira solo (depois do Stooges), lançado em ’77 – ano muito próspero musicalmente e com colaboração intensa de David Bowie.

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Ele foi finalizado basicamente em Berlim, cidade que abrigou Bowie e Pop na tentativa de ambos em diminuir o consumo de drogas pesadas. As letras são exatamente sobre essa fase louca pero no mucho da dupla afinada (Funtime, Nightclubbing, Dum Dum Boys). Segundo Pop contou, Bowie e o produtor Tony Visconti pediam para que ele deixasse o tom punk e cantasse com uma frequência mais “leve”, prestando atenção no timbre. “Cante como a Mae West”, disse o camaleão para o roqueiro de vestido. Deu certo. Tanto é que quando escuto Baby (minha predileta), sinto a sedução na voz de Iggy Pop. E Nightclubbing – que foi regravada pela deusa Grace Jones – também é uma delícia soturna, arrastada. Imagino os dois andando por Berlim à noite, perambulando nas boates diferentonas da cidade.

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O nome do álbum foi inspirado no livro de Dostoiévski, O Idiota, que era adorado pelos meninos. Outro fato legal é que a famosa China Girl, original do The Idiot, foi regravada em 1983 por Bowie para o “Let’s Dance”. Gravado no estúdio Hamsa By The Wall, em Berlim, foi ali que também nasceram Low, Lust For Life e Heroes. Para o The Idiot – que seria o debut solo de Iggy – teve um atraso para finalização, já que Bowie pediu para que Visconti trabalhasse na mixagem. Valeu a pena a espera, pois o sucesso foi tanto que Iggy Pop conseguiu um contrato pela RCA.

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Nightclubbing, we’re nightclubbing. We’re an ice machine. We see people brand new people, they’re something to see
Dum dum boys are you Alive or dead
Dum dum boys are you
Alive or dead
Fun I'm gonna get stoned and run around All aboard for funtime
Fun
I’m gonna get stoned and run around
All aboard for funtime
Listen to me Sister Midnight You put a beggar in my heart Calling Sister Midnight
Listen to me Sister Midnight
You put a beggar in my heart
Calling Sister Midnight
I'm buried deep in mass production You're not nothing new
I’m buried deep in mass production
You’re not nothing new

Dizem que o Ian Curtis, do Joy Division, escutava The Idiot um pouco antes de se enforcar na cozinha de sua casa. Verdade ou não, na alegria ou na tristeza, na vida ou morte, esse álbum está no meu coração e ouvidos para sempre. Para finalizar, indico esse texto aqui que conta a saga de David Bowie e Iggy Pop em 1977.

THE IDIOT, IGGY POP

Lançamento 18 de março de 1977
Gravação julho de 1976 a fevereiro de 1977
  • Iggy Pop – vocal
  • David Bowie – teclado, sintetizador, guitarra, saxofone, xilofone, vocais
  • Carlos Alomar – guitarra
  • Dennis Davis – bateria
  • George Murray – baixo
  • Phil Palmer – guitarra
  • Michel Santangeli – bateria
  • Laurent Thibault – baixo

Richard Clayderman é guilty pleasure

Quero começar dizendo que fui assistir Richard Clayderman com minha mãe. Ele já tinha vindo para Curitiba, mas só dessa vez prestamos atenção. A senhora minha mãe obviamente ficou muito animada com a vinda dele, já que o pianista foi um mito das baladas românticas com ares de concerto – para o terror dos eruditões – nos anos 70/80. Sim, eu adoro Richard Clayderman. Escutei muito quando era criança e pré-adolescente. Lembro que ficava deitada no chão encarando aquela capa de vinil com um moço que parecia um príncipe e ainda tocava piano. Só na adolescência entendi porque a beleza dele me comovia.

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tenho esse vinil véio de guerra

Os medleys com música clássica eram muito comum nos anos 80. Eu era apaixonada pelo Hooked on Classics, por exemplo. Essa coleção tem medleys nervosos com Mozart, Beethoven, Bach (pai e filho), Debussy, Chopin, entre outros nomes sagrados e é muito odiado pelos OLDS SCHOOL. Richard Clayderman é desse tipo amado/odiado, ele é o clássico-pop. É genial para uns, guilty pleasure para tantos e aproveitador para outros. Francês, o pai dele era professor de piano. Phillippe teve formação clássica, sabe tocar uma Sonata n. 2 do Chopin sem dificuldade. Já o Richard toca o que a galera quer ouvir. Li que ele começou a tocar músicas mais populares justamente para ajudar o pai que estava doente. Empresário gostou, ele tinha look e ainda tocava bem. Cultura de massa taí pra isso mesmo. O bonitão talentoso conseguiu vender milhões de discos nos anos 70 e 80, tá boa? Em pleno 2016, época de Kanye West, faz turnê e tudo.

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tamo na atividade, hehe

O escutava em Brasília quando era bem pequena e minha mãe deixava o som dele rolar para “energizar a casa”. Em Paranavaí já era um pouco maior e colocava na vitrola por conta própria. Duas memórias diferentes e quem diria que um dia o escutaria ao vivo? E daria um vinil meu (da mãe, quer dizer) para ele autografar em pleno Teatro Guaíra? Porque sim, além de ser clássico-pop, ele é ROCK. Conversa com a plateia, faz piadoca, pede para bater palmas junto com a música, distribui as partituras para o público, assina meu vinil (cheguei no s’il vous plaît, haha) e ainda faz selfie. Estamos falando de alguém que também se apresentou no Theatro Municipal, no Rio de Janeiro. Pergunta se o nosso NELSON FREIRE faria isso? Faz nada.

~~MIX DE EMOÇÕES

Quando começou, fiquei toda nostálgica com nó na garganta e tudo. Música é coisa de louco, né? Te pega de jeito. Saudades da minha infância…

Na real, você sabe que no fundo o Richard Clayderman foi criado para mãe/tia/pai/tio do Powerpoint, sabe? O telão do show/concerto dele diz muito sobre isso. Aparece até uma timeline com algumas capas de seus famosos vinis (amei isso, sério). E obviamente não poderia faltar as love songs. Afinal, ele é considerado o rei do romance. Olha essa imagem:

Achei bacana as homenagens a diversos países (França, Itália e até a Argentina). Vale contar também que ele arriscou um português  (mas nem tocou um Jobim, pô).

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DO POVÃO

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Chega mais!
pra variar eu inventei um desafio que era tentar um autógrafo dele. levei um vinil dele no teatro. num é que consegui. não sabia que era fácil assim, hahaha
pra variar eu inventei um desafio que era tentar um autógrafo dele. levei um vinil no teatro. UM VINIL. e num é que consegui? não sabia que era fácil assim, hahaha

Pra mim o ponto alto foi quando ele tocou uma música do ballet de Romeo e Julieta. NOSSINHORA, fiquei tão feliz. É essa aqui:

Teve intervalo e quando ele volta, já está de terno vermelho. Um clássico do outfit dele <3

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Lembra desse terno? A cara do Rodrigo Hilbert, né

Confesso que conheço mais o trabalho dele dos anos 70/80, pois é o que tenho em casa. Daí você vê que o cara continuou na função mesmo. Tem até a música tema do TITANIC e não é só o da Céline Dion, mas também a parte instrumental da trilha. E com as cenas do filmes passando no telão. EITA.

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Quero citar Cinema Paradiso. Fiquei emocionada mesmo porque passava as cenas pontuais no telão. Coisa linda de película. Muito bonita a interpretação dele.

IMG_3130Só sei que o show foi divertido, nostálgico e cafona na medida certa. Ele fez tudo o que podia: do clássico ao popular, passando pelos regionais, baladas, jazz etc. O público era variado: dos senhores aos trintões, adolescente a criança. Sem contar que a Orquestra de Corda era excelente. Não é só sofrimento pra classe média não, também tem diversão! Merci, Richard Clayderman. Espero que um dia te entendam.

Trilhas sonoras que amo

Dia desses estava ouvindo a trilha do filme “Segundas Intenções”, um filme que adorava quando era adolescente. Gostava tanto que comprei o cd. Música faz bem para qualquer coisa, inclusive para filmes e até novelas. Fiz uma listinha com algumas trilhas sonoras que se encaixaram perfeitamente no filme – o que não é fácil.

JUNO SOUNDTRACK

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De cabo a rabo: perfeita. Começa Barry Louis Polisar que, pra mim, é uma das melhores músicas pra começar um filme, passando por Kimya Dawson que escreveu bastante para o disco. Tem The Kinks, Belle & Sebastian, Velvet Underground e até o dueto dos atores Michael Cera e Ellen Page. Tem no Spotify aqui.

PEQUENA MISS SUNSHINE

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Podem me julgar, mas adoro as trilhas desses filmes alternativos e Little Miss Sunshine não seria diferente. A banda Devotchka produziu grande parte das músicas que compõem o filme, juntamente com Mychael Danna. Mas também tem  Sufjan Stevens, Rick James, entre outros. A que mais me lembra o filme é:

KILL BILL vol 1

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Falar de soundtrack e não citar nada do Quentin Tarantino seria muita birra da minha parte. Escolhi de Kill Bill porque já começa com Nancy Sinatra e tem Isaac Hayes, Bernard Herrmann, Quincy Jones, ou seja, muito respeito pelo RZA do Wu-Tang Clan que produziu essa belezinha.Você acha aqui.

MARIA ANTONIETA

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Confesso que nem acho esse filme tudo isso, mas AMO a trilha sonora. Tem muita banda boa dos anos 80 como Siouxsie and the Banshees, New Order, Adam and the Ants, entre outros, contando até com Vivaldi. Escute aqui.

TRAINSPOTTING

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Que delícia de trilha sonora, não é mesmo? Para ajudar, vai ter parte 2 com elenco original e no novo trailer tinha Lust for Life do Iggy Pop, uma das músicas-chave dos drogaditos queridos. A escolha para embalar a doidice é muito boa: Lou Reed, Blur, Brian Eno, Joy Division, New Order, entre outros. Disponível aqui.

500 DIAS COM ELA

Desculpa pelo overrated (deixa vir o próximo), mas acho essa trilha sonora uma graça! Tem Regina Spektor, The Smiths, Black Lips, Pixies, Carla Bruni e até She & Him (banda da Zooey Deschanel). Tem aqui.

AMÉLIE POULAIN

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Um clássico, um amor. Yann Tiersen ficou super conhecido graças a esta trilha sonora. Impossível não escutar e lembrar cada momento desse filme gracinha (era viciada nele). Você escuta aqui.

AMADEUS

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Última, mas não menos importante: Amadeus. Esse filme fez parte de todas as fases da minha vida, eu sei exatamente qual música vai tocar em cada parte dele. Inclusive posso falar de boca cheia que assisti uma parte desse filme na casa do próprio Mozart, em Viena. GRAZIE, SIGNORE!

E você? Qual a trilha sonora que mudou sua vida musical?