Pessoal

Sobre sentir raiva

A raiva e tudo que vem no pacote dela é perigoso. Contamina, te embaranga, te destrói, causa um amargor na alma que chega a doer. De sentimentos ruins, eu tava “acostumada” com a tristeza e a frustração. Agora com o ódio, de ferver o sangue e tudo foi um pouco inédito. Pelo menos nesse termos. E o arrependimento? Meu Deus, esse foi forte também. Arrebatador. O nojo, o ódio, os pesadelos, a encheção de saco alheia, a fofoca, as revelações etc. Logo eu? Com mais de 30 anos e mais ou menos bem resolvida (porque a gente nunca o é, verdade seja dita). Que karma é esse? 

Mas eu aprendi. Bastante. Da pior maneira e sem acreditar que tive que passar por mais uma provação desnecessária. Mas ó: não vou deixar que isso contamine possibilidades futuras porque estarei mais atenta. Faltou lucidez da minha parte e ter pena das pessoas pode ser perigoso também.

O ódio não faz mal para o outro, mas sim pra você mesma. De negatividade já basta a existência de algumas pessoas, o resto a gente dá uma equilibrada e mantem a serenidade e o amor (próprio e daqueles que te querem bem). Não desejo esse sentimento nem pro meu pior desafeto, de verdade. 

Depois dos 30

Quando completei 30 anos não consegui passar direito pela crise pré-balzaquiana. Quer dizer, passei por uma “crise” profissional que hoje vejo que valeu a pena, apesar d’eu ainda estar penando. Mas nada na vida é fácil, né não? Quando estava para completar 31, um mês antes para ser exata, passei por um turbilhão pessoal que foi extremamente necessário. Me vi como uma adolescente: bebendo vinho barato no bico no cavalo babão (curitibanos entenderão), perdendo celular caríssimo pelas ruas, tendo crush em pessoas beeeem mais novas, sentada no meio fio não entendendo bulhufas e rindo além da conta com um choro no final. Enfim, essas coisas que uma pessoa de 30 anos não quer se dar ao luxo em fazer, pois está muito maduro para tal. Me arrependo? JAMAIS. Só não perderia meu celular porque foi um dos maiores prejuízos de 2016, de verdade. Esse foi foda. No mais, eu precisava passar por essa experiência mais uma vez (porque né, não foi exatamente uma novidade – tirando o lance do celular).

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Depois da turbulência emocional e social, comecei a entender meu momento. Sempre tive essa coisa meio wild, meio vidaloca mesmo. Isso vai me acompanhar pra sempre, inclusive espero nunca perder. Então, surgiu uma boa oportunidade, digamos assim. Algo que sempre foi muito travado na minha vida e já escrevi muito a respeito por aqui. Os arquivos não mentem. Logo, sem muito medo, resolvi me dar ao luxo e a sentir, a tentar melhorar, fazer acontecer, sentir segurança e confortabilidade. Senti como algo que agrega, apesar de algumas diferenças que existiram e me fizeram amadurecer.

Como nada é lindo, comecei a questionar tudo a minha volta. A minha disponibilidade foi questionada e a minha paciência, testada. As pessoas me veem como amiga, como uma posse ou uma diversão temporária? Por que as pessoas gostam de mijar no meu pé para marcar território achando que vão me perder? Por que as pessoas gostam de competir comigo, sendo que não me vejo numa competição de egos e aparência? Preciso deixar claro que não vou me perder, que não irão me perder e que sempre estive ali, apesar do estágio novo que, no frigir do ovos, nem deu certo.

AMIZADES. Algo sagrado pra mim. Eu não sou amiga de quem não quero, já finalizei relacionamentos com sanguessugas, pessoas que me colocavam pra baixo. Amigo é pra te acordar quando você tá fazendo cagada, pra ter abraçar quando você tá na merda, pra você falar suas bobagens, bem como os assuntos sérios, para ficar feliz quando você tá muito feliz. É para confiar, é para se sentir seguro. A troca eterna, não importa se você tá perto ou não. Se você cair, ele vai estar atrás pra te segurar e aliviar a queda. Se não estiver por algum motivo pessoal, vai vir com um remédio pra curar a ferida. Não precisa ser grude, aliás, nem gosto, não sou daquelas que manda mensagem todos os dias. Às vezes peco com isso. Enfim, enxergo assim.

Também veio outro questionamento: quando você passa por momento passivo-agressivo, simplesmente porque sente que existe insegurança de outrem pela sua personalidade. Quantas conversas são necessárias para deixar alinhado e melhorar? Até onde vale a canseira, seja no amor ou na amizade? Mais perguntas do que respostas, claro. A vida é assim mesmo, parece uma criança aprendendo a andar: pega um impulso-cai-chora-levanta de novo-aprende.

nao

Depois dos 30, você acaba se dando o luxo em amadurecer a fim de sofrer menos. De ter mais entendimento, de tentar ser menos cruel e mais esperta com seus sentimentos. Se questiona, escreve texto, apaga linhas que talvez machuque alguém que gosta, mas deixa seu recado porque é necessário. Depois dos 30 as coisas melhoram sim, só ter calma, bom senso e amor próprio.

Da tristeza amorosa

Direto ao ponto: dos 28 para os 29 me coloquei num stand by amoroso que foi importante pra mim. Uma desintoxicação mesmo. Foi necessário, pois, infelizmente, sou dessas pessoas intensas. Não gosto desse lance de 8 ou 80. “Ai sou 8 ou 80, me aguentem”. Não, eu gosto de equilíbrio e gostaria muito de encontrá-lo para viver em paz comigo mesma e com quem convive comigo. Então, sozinha, eu encontrei isso e percebi que ser solteira é muito ok, já que traz uma paz de espírito maravilhosa (como escrevi aqui). Dos 29 para os 30 e depois indo para os 31 (dois anos) foquei quase que exclusivamente na minha nova carreira. Foi um momento de transição digna e no meio disso tive uma fase quase que adolescente que durou um mês. Parecia até uma despedida. Foi engraçado, mas acabei perdendo meu celular nessa época que foi um dos maiores prejuízos da vida, haha. Blé. Problemas que você resolve com freelas.

source

Um mês antes de completar 31, algumas coisas mudaram e resolvi aceitar, abraçar e me dispor. Parecia até um sonho bom, um presente divino (haha) de ter uma romaria -literalmente- na porta do meu prédio em um dia que foi especial. Mas nada é fácil, as pessoas carregam uma bagagem lotada de medo, frustração, monstros etc. Surgem aviltações e, você, que sempre gostou de ser como é, mesmo sabendo que ainda precisa mudar muito, se sente culpada por existir.  Nessa fase também existem intempéries nas amizades com mudança da rotina e comportamentos babacas, mas isso se resolve. Ainda existe a cobrança da sociedade online que até entendo, pois um “solteiro(a)” no Facebook – que é o RG virtual de 98% da população – pode abrir portas, né não? (essa pesquisa aqui não foi à toa). A pessoa te assume, mas não te assume por inteiro. E talvez você nem queira mais porque as coisas desandaram de tal jeito que só quer ficar encolhida no cantinho, vendo como sair do olho do furacão. Existem as coisas boas, claro, o carinho, a paciência momentânea, a parceria que tanto quis, o andar de mãos dadas, os elogios sobre sua aparência física que nem está tão boa assim, diga-se de passagem (hehe). Talvez fosse um teatro. E isso dói quando você precisa colocar na balança se prefere continuar vivendo numa masmorra amorosa onde recebe “prêmios sociais” como pseudo namorada ou se prefere escrever um texto catarse com óculos embaçado, pois sabe que o final realmente chegou. É uma dor tão cruel em saber que você se expôs tanto, se abriu e tudo mais. O meu sincericídio causa danos para todos os lados (80). Os meus engolir de sapos que não são bons para o meu peito (8). Foi uma pena que monstros e frustrações acabaram tomando conta disso tudo. Infelizmente eu idealizo relacionamentos: sei que serão difíceis, mas precisa existir respeito, amizade e muito amor que jamais vai fazer com que você solte os clichês culturais escrotos que ninguém merece ouvir. Nem você, nem ele. É uma pena mesmo que isso ainda é tão distante pra mim.

Meme 3 coisinhas e feliz ano novo

2017 chegou e ainda não tinha dado as caras por aqui. Fiquei meio atribulada com o final de ano (o que foi bom), logo não fiz mais nada por aqui. Continuo postando muito na fanpage, então não é um total descaso. Pra tirar o atraso de leve, vou postar um meme que achei no blog da mig Raquel sobre 3 coisas que….

3 coisas que me dão medo
gente mal intencionada
ódio gratuito
ignorância alheia

3 coisas que me dão preguiça
falar ao telefone
posers
chuva

3 coisas que eu gosto
dormir
viajar
assistir bons filmes, séries e shows

3 coisas que eu sei fazer
ter ideias para outras pessoas
organizar coisinhas
um draminha básico

3 coisas que eu não sei fazer
dirigir
dieta
comida

3 assuntos preferidos
filmes
tatuagens
maquiagem

3 assuntos que eu não curto discutir
religião
gosto musical
politicagem

3 cheiros preferidos
chulé de pata de cachorro ou gato
quando cai a chuva e deixa aquele cheiro característico
da granado

3 cheiros que eu detesto
suvaco
comida podre
água sanitária

3 melhores comidas
sorvete
macarrão
hambúrguer vegetariano ou vegano

3 piores comidas
todo tipo de carne
espinafre
rúcula

3 piores redes sociais
facebook
snapchat
twitter

3 melhores redes sociais
pinterest
instagram
tumblr

3 melhores bebidas
vitamina de banana
suco de laranja
cappuccino e chás gelados

3 piores bebidas
cerveja aguada e quente
tequila
bebidas quentes demais

3 coisas que me acalmam
dormir
comer
caminhar

3 coisas que levam todo o meu dinheiro
maquiagem (material de trabalho)
acessórios
bares

3 coisas em que eu detesto gastar dinheiro
consertos de qualquer coisa
academia
comida ruim

3 coisas que me estressam
pessoas ruins
conversa desinteressante
verão

3 coisas que eu vou fazer essa semana
fazer caminhadas
organizar minha agenda pra trabalho
tentar postar mais no blog

3 coisas que eu fiz na semana passada
comecei uma reeducação alimentar
voltei a caminhar diariamente
assisti documentário

3 coisas que eu quero fazer em breve
viajar para alguma praia que seja perto
economizar mais dinheiro pra viajar pra fora de novo
mais posts pro blog

3 coisas que eu deveria fazer em breve
parar de pesquisar coisas que não posso comprar haha
andar com o camões
parar de procrastinar

3 coisas que eu não quero fazer
sair hoje de casa
arrumar meu quarto
sair da frente do computador

Sobre ser mãe

Quando você nasce mulher, já vem com uma obrigação social em ter filho. É um fato que quase toda mulher pensa a respeito, seja pro sim ou pro não. O homem, por outro lado, não vem com a missão certeira em ser pai. Mas não quero falar sobre gêneros, quero falar sobre querer ou não ser mãe. Devaneios:

Eu não sei. No alto dos meus 30 anos nunca senti aquela onda forte uterina, se posso chamar assim (inventei esse termo agora, sou dessas). Óbvio que me emociono com crianças, mães e tudo mais. Me emociono MESMO. Acho belíssimo, mas ser mãe de um ser humano é brutal. Digo assim, pois acredito que nenhum tipo de maternidade deve ser negada: você pode ser mãe de gente, de cachorro, gato, boneca, até de um chinelo. Se você cuida e ama incondicionalmente e se vê como mãe, sim, você o é. Não queira tirar o direito da maternidade de ninguém, ok? Mas sabemos que ter um filho humano é muito intenso, a responsabilidade realmente vai ao um nível louco. Isso é inegável.

madonna lou

Quando falo sobre maternidade lembro muito da fase Ray of Light da Madonna, logo que ela teve a Lourdes Maria. Tem uma música – Nothing Really Matters – que é a respeito da maternidade e suas mudanças, acho incrível a letra. Simples, forte e incisiva! O clipe então é coisa de doido, ela tá de gueixa! Foi uma mudança e tanto para alguém hedonista, né?

When I was very young
Nothing really mattered to me
But making myself happy
I was the only one

Now that I am grown
Everything’s changed
I’ll never be the same
Because of you

Eu nem sei que fase da Madonna me encaixo, mas não chega perto de ROL. Enfim, conheço uma pessoa que nasceu pra ser mãe: a minha. Ela enxerga a maternidade como algo sagrado – que realmente o é – mas indiscutível, muitas vezes. Por ter lutado muito para ser mãe, sempre achou um despautério uma mulher não querer sê-lo. Às vezes acho que entrei na vida dela até para balancear isso tudo. Nós somos yin e yang, mãe e filha. Hoje em dia, ela entende meu ponto vista. E tenho certeza que se eu engravidasse sem querer, mesmo não tendo condições em criar, ela daria o jeito dela. E não quero isso. A criança não tem culpa das cagadas dos adultos.

malevola

Acho que tenho medo em me vir como mãe. Serei aquela super protetora? A estabanada? A não carinhosa?

Marcar alguém é muito perigoso. A criação e formação intelectual/humana/religiosa-ou-não/cultural/etc de um serumaninho (hehe) vai depender bastante de mim. Estou pronta para fazer a criança correr este risco? A verdade é que nenhuma mulher está 100% pronta pra ser mãe, né não? Sempre existirá dúvidas, medos, entre outras agruras, por mais que esteja certa disso ou não. Ser mãe é uma profissão eterna de risco. Fato.

Eu, pessoalmente, não tenho esse preparo psicológico e nem físico. Fico nervosa com aquele barrigão esticado com um bebê dentro! É bonito, mas assustador ao mesmo tempo. Não me levem a mal, tá?

Ser mãe é lindo por demais, mas nessa altura da minha vida (ainda) não é para mim. Pode ser que eu sinta AQUELA contração uterina e venha a certeza que eu precisava (junto com estabilidade emocional e financeira para que eu possa amparar a criança com decência). Mas agora não, não é pra mim. No mais, tendo ser minha própria mãe porque preciso aprender a me cuidar também.