O estilo de Fifi Chachnil

Lingerie é algo tão bonito, né não? Às vezes é mais bonito do que confortável, verdade seja dita. Eu, por exemplo, costumo usar mais algodão mesmo, nada fancy. Porém, tenho algumas peças lindas que guardo para algo especial, bem típico. Apesar do meu relaxo na vida, confesso que acho LINDO. Babo nas lingeries que a Dita von Teese está produzindo e meu sonho de vida é ter algo da Agent Provocateur (já entrei numa loja em Berlim, mas teria de deixar meu rim para levar apenas uma meia calça).

Uma marca super bonita de lingerie é a francesa Fifi Chachnil criada em 1983 por Delphine Véron. No início, a estilista começou a desenhar roupas e, depois de um ensaio fotográfico com Pierre et Gilles, se especializou em peças íntimas. Em 1984, ela mudou seu nome definitivamente para Fifi Chachnil depois de uma viagem para o Egito e ainda gravou um álbum em árabe. Em 86, Fifi abriu sua primeira loja na  68 rue Jean-Jacques Rousseau, em Paris e em 1981 desenhou os figurinos da deusa alemã punk Nina Hagen.

Nina Hagen vestindo Fifi Chachnil e fotografada por Pierre et Gilles

Com estilo totalmente vintage, suas peças são glamourosas e sexies. Como não poderia deixar de ser, as coleções possuem nomes divertidos e safadinhos como toda pin-up gosta. Fifi também possui linha de perfume, vestidos e casacos. Obviamente algumas artistas amam a marca como Katy Perry, Vanessa Paradis, Lady Gaga, entre outras beldades que você pode encontrar no Instagram da maison.

Já o estilo de Fifi é completamente fiel ao que ela vende. Ela seria a Vivienne Westwood pin-up das lingeries, podemos dizer assim. Suas cores prediletas são rosa e azul (tom pastel), seda e lã angorá não saem do seu guarda-roupa. Sempre com uma atmosfera boudoir, a gata sempre aparece nas festas e desfiles com um look bem ajeitado no maior estilo retrô. Virei fã.

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Artista dujour: iamfiedler

Com influências de Keith Haring, Alejandro Jodorowski, Simon Landrein, Moebius, Shintaro Kagol, amigos, relacionamentos e internet, Marcelo Fiedler é um ilustrador curitibano que tem como foco de suas ilustrações a contradição do ser humano e o ambiente.

Em 2013 enquanto já trabalhava com ilustração, passei por um período de semi reclusão e adequação atrás de minhas referências e memórias de infância, onde consumi muito da cultura dos anos 80 e 90, para achar quem eu realmente era dentro do meu trabalho.

A cultura pop está presente na sua obra, sempre com a textura derretida e cores ácidas. Maravilhoso!

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Bate-papo com R. F. Lucchetti

O mestre do pulp fiction brasileiro está entre nós. Rubens Francisco Lucchetti, 87 anos, sete décadas de carreira com 1.547 títulos, 300 HQs assinados, 25 roteiros de cinema – sendo, inclusive, premiado com um Kikito no Festival de Gramado para “O Segredo da Múmia” (1982), de Ivan Cardoso e inspiração primordial para o Grand Guignol curitibano, a companhia Vigor Mortis. R.F. Lucchetti é uma dessas figuras do horror que jamais deve ser esquecida.

Depois de assistir a peça A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti, na Cia dos Palhaços (em Curitiba), segui o conselho dado para o público pelo diretor Paulo Biscaia Filho em entrar em contato com Lucchetti e angariar seu livro que vem com dedicatória. Assim o fiz e recebi a resposta do meu pedido (O abominável Dr. Zola e Museu dos Horrores) com tanta educação e presteza – algo muito raro nos dias atuais – que fiquei mais admirada ainda. Com mais um pouco de fôlego e aquela falta de vergonha na cara que já é conhecida por alguns – quem lembra dos meus encontros no portão do Dalton Trevisan? – resolvi chamá-lo para uma entrevista pra cá. Então, diretamente de Jardinópolis (SP), se deliciem com as dicas do pai da literatura brasileira do horror, R.F. Lucchetti.

1- Sr. Lucchetti, sei que é grande fã de cinema, principalmente do gênero horror/terror. O senhor poderia nos indicar dois filmes imperdíveis que lhe inspiraram em sua carreira literária?

O Solar das Almas Perdidas, com Ray Milland e uma atriz que passei a venerar: Gail Russell. Sangue de Pantera, que deu início ao ciclo de filmes de Horror produzidos por Val Lewton na RKO. A atriz do filme, Simone Simon, parece mesmo um felino. A fita foi dirigida por Jacques Tourner, que, anos mais tarde, nos brindaria com outro clássico do Horror: A Noite do Demônio.

Sangue de Pantera (1942) – um dos filmes citados por Lucchetti. Tem um remake “A Marca da Pantera” de 1982 com Nastassja Kinski e Malcolm McDowell em que trilha criada por David Bowie e George Moroder

2- Sabemos que o senhor tem uma biblioteca com um acervo invejável – e macabro, com perdão do trocadilho- com mais de 10.000 títulos. Qual obra de outro escritor que o senhor tem mais estima e foi crucial em algum momento de sua vida?

Poesia e Prosa (em três volumes, lançados pela Livraria do Globo, de Porto Alegre), do Edgar Allan Poe.

3- O senhor tem uma bibliografia extensa que inclui quadrinhos assinados e roteiros de filmes (inclusive com Zé do Caixão), qual livro de sua autoria que indicaria para quem quer começar a se aprofundar em sua obra?

As Máscaras do Pavor, que deu início a uma coleção com meu nome. Essa coleção irá publicar quinze títulos, reunindo as mais representativas histórias que criei.

MEUS LIVROS

Os dois livros escolhidos: Museu dos Horrores e O Abominável Dr. Zola. Chegaram num envelope datilografado pela sua Underwood 298 (<3) com dedicatórias queridíssimas. Fiquei muito feliz com o carinho de Lucchetti.  Você pode encomendar obras dele via Facebook.

Gelado, o suor escorre pelas nossas faces; os cabelos se eriçam. Um frio percorre nossas espinhas, os dedos crispam-se de emoção. O pavor toma conta de todo o nosso ser, enquanto o homem-lobo e o vampiro engalfinham-se numa luta de vida ou morte. Estamos hipnotizados pelos seres sobrenaturais e horripilantes. O medo nos atrai, nos emociona e nos cativa. Queremos fugir do nosso cotidiano sem emoção. Buscamos as histórias e os contos terroríficos, com a avidez dos viciados. Transportamo-nos para o universo do Terror, penetramos na dimensão do impossível. Estamos no mundo do Horror, um mundo onde é sempre noite e as ruas são becos escuros e encobertos por um eterno nevoeiro. Fonte
Nas noites de luar, quando o relógio marca meia-noite, ouve-se um uivo sinistro, fazendo gelar nosso sangue. É o uivo de um ser de corpo peludo e dentes aguçados que ataca os incautos viandantes noturnos. Durante o dia, é um homem comum; mas, por artes do mal ou por artes de algum gênio louco, transforma-se à noite num monstro que aterroriza os habitantes de aldeias longínquas e tranquilas, como a de Westmoreland, na Inglaterra. Somente a morte poderá trazer paz a esse pobre homem. Apenas a morte poderá amenizar-lhe o terrível sofrimento de ser transformado subitamente numa criatura horripilante com uma sede implacável de matar e destruir. Fonte

Vale a pena assistir ao documentário que a Vigor Mortis fez com o Papa do Pulp brasileiro também. A peça A Macabra Biblioteca do Dr. Lucchetti está agora em São Paulo até 14 de maio, no Cemitério de Automóveis. Recomendo MESMO.

Film Food: comida e cinema

Não sei vocês, mas sou daquelas pessoas lariquentas de filmes e seriados. Citando exemplos:

Já tive uma fase salada por causa do The Office e Michael Scott. Pedia muita salada, muita mesmo. Me sentia no seriado e até mais magra, hahaha. Só faltou comer papel mesmo.

Teve também a fase nojenta que foi com a Liz Lemon e o Cheetos. Aliás, se tem uma pessoa que me identifico 100% é com essa mulher porque até a forma escrota de comer é parecida. Tirando o fato que ela tá em forma e eu não.

Teve a fase fast-food e aloca da geladeira quando assistia Dexter. Teve uma vez que fritei ovo às 01h da matina porque tava fazendo binge-watching dessa série e toda vez que aparecia aquela merda de abertura me dava 3 mil tipos de laricas.

E never forget do monstro Hans Landa (Bastardos Inglórios) em uma cena tensa pra caramba, mas comendo deliciosamente o strudel com creme. Incrível.

wait for the cream

Daí, no começo do ano, revi pela 4657444x o ~~meu~~ filme AMADEUS. Alguns historiadores dizem que o compositor Salieri realmente era bom de garfo e gostava muito de doce, principalmente um chamado Mamilos de Vênus ou Nipples of Venus ou melhor ainda, Capezzoli di Venere. No filme aparece várias cenas de um Salieri glutão e em umas delas, ele e Constanze Mozart devoram o tal doce com tanta vontade que é impossível não ficar lariquenta. E o meu desejo por ele (doce) vem desde os anos 90, quando assisti pela primeira vez.

Foi então que resolvi procurar a receita e achei um blog sobre comidas em filmes, o Film Food. Não é o mais completo do mundo, mas possui bons posts com cenas memoráveis de (com) comida. Vale a pena conhecer. Ás vezes tem uma receita aqui, outra acolá. Esse tinha também um pouco sobre o doce e vou traduzir pra cá:

Nipples of Venus (Capezzoli di Venere)

Nipples of Venus em Amadeus

O nome vem da Vênus, a Deusa romana do amor, beleza e fertilidade. O doce também aparece no filme Chocolat em que Juliette Binoche os prepara. É importante lembrar que não é o mesmo que o MozartKugel, outro bombom criado pelo confeiteiro de Salzburg, Paul Fürst, em 1890, uma homenagem ao compositor Wolfgang Amadeus Mozart.

Nipples of Venus em Chocolat

Existem algumas receitas do docinho e dizem que a original é feita com castanhas romanas encontradas em Viterbo, norte de Roma, além de cobertura chocolate branco, cacau, açúcar refinado e marzipan. Outra receita é usar trufas com chocolate amanteigado, castanhas com conhaque, cobertura de chocolate com a pontinha (o “mamilo”) de chocolate branco. Se um dia o farei? Não sei se tenho dinheiro para os ingredientes e habilidades de doceira para tal. Uma pena, não é mesmo? Mas gostaria muito de achar alguém que faça a receita original no Brasil. Aqui tem um post legal sobre a comida de Amadeus.

Sobre mudar de carreira

Sempre achei muito cruel ter de escolher uma profissão aos 17/18 anos. Afinal, é uma das fases mais chatas e complicadas da vida. É um misto de ebulição hormonal com insatisfação permanente. Eu, Letícia, soube que queria cursar jornalismo desde os 14 anos quando a escola em que estudava foi visitar a UEL (Universidade Estadual de Londrina) e achei tudo interessante. Então, coloquei na cabeça que iria ser jornalista e realizei tal projeto acadêmico. Assim que terminei a faculdade, usei a pós em Relações Internacionais como passaporte para mudar de cidade. Também tinha planos em ser diplomata (haha) ou repórter internacional (mais pauteira, na real). Bem, o que aconteceu? Trabalhei anos em agência de PUBLICIDADE – área que sempre fugi.

Em 2015, depois de alcançar a agência dos meus sonhos, parei tudo em Curitiba e fui para São Paulo por um mês para me formar como maquiadora profissional. Depois fiz um curso de sobrancelha e penteado em Curitiba. Maquiagem para mim sempre foi uma paixão, só que não me via trabalhando apenas com isso. Hoje realizo que foi uma das decisões mais acertadas da minha vida. Acredito que foi um timing excelente, pois a mudança aconteceu em uma idade digna (29 pra 30) e minha carreira como maquiadora deslanchou de forma natural e honesta. Já levei calote, deixei de comprar muitas coisas para mim a fim de investir na minha maleta, fiz até MEI (Microempreendedor Individual) e hoje freelo em um canal de televisão maquiando…. JORNALISTAS  (é por um período ‘x’, mas acho engraçado essas reviravoltas da vida). Sempre me atualizo e ainda tenho muitos sonhos para realizar nesta profissão, espero muito ser maquiadora por muito tempo da minha vida, já que é algo que tenho prazer em fazer e melhorar. Engraçado que analisando agora, não tive medo em parar de trabalhar em agências publicitárias como social media. Pelo contrário, fui muito na fé que minha decisão em trampar exclusivamente como maquiadora iria dar certo. Quando você tem muito amor, confiança e coragem, as coisas fluem muito mais! Para quem quiser conhecer meu trabalho (e me contratar, haha), só visitar meu Instagram e Fanpage.

Chamei duas amigas que mudaram de profissão e trabalharam comigo em ocasiões diferentes (a Grazi como cabeleireira e Guid como designer) para contar mais sobre a coragem em começar de novo ou melhorar o que já fazia e tornar aquilo o ganha-pão. Inspiração e bons conselhos:

GRAZI RIBEIRO

Sempre tive paixão por cabelo. Sempre mexendo e inventando moda no cabelo dos migue. Mas na hora do vestibular e do teste vocacional, só aparece profissão tradicional, né? Ai acabei me formando, fazendo pós e fazendo a tal da “carreira bem sucedida”. Essa pressão por uma “carreira estável” esmaga os sonhos da gente. Mas aos 28 deu uma ziquezira. Cansei, resolvi tentar meu antigo sonho. Fui atrás, reduzi meu padrão de vida drasticamente, vendi tudo o que tinha e recomecei. Há 3 anos sou cabeleireira, dona do meu negócio e uma pessoa profissionalmente muito feliz. Não tenho tempo pra quase nada, mas faço com muito mais prazer. E estudo MUITO, porque sei que preciso andar muito rápido do que alguém que começou mais cedo. Mas isso não me incomoda, porque quando você ama o que faz, ama estudar. Se pudesse dar um conselho pra quem quer mudar de carreira seria: estude aquilo que você acredita ser sua paixão. Se fluir legal, se você sentir prazer em fazer isso mesmo depois de um dia cansativo de trabalho, siga em frente. Claro que é importante que outras pessoas tenham interesse no que você faz. Não adianta ter paixão por algo que não tem público consumidor. Aí é hobby, não é ganha-pão. Sonhadores sempre, porém realistas, dedicados e focados em resultado, porque pagar os boletos em dia também é um pedacinho de felicidade. Para conhecer o trabalho lindo da Grazi e seus cabelos naturais: Instagram | Facebook

GUID MEINELECKI 

Depois de trabalhar em agências, startups, empresas com design digital, eu resolvi mudar. Sempre tive aquela vontade de ter meu próprio negócio, veio no sangue, meus pais são empreendedores. Na hora de escolher o que fazer, o hobby falou mais alto e resolvi assumir a minha paixão por moda. Vi o potencial que a moda tem de ajudar as pessoas, de aumentar a auto-estima e com isso transformar o mundo com pessoas mais confiantes e melhores com elas mesmas. Meu trabalho passou a ter um propósito, e acho que era isso que eu sentia falta antes. Agora acabei juntando todo conhecimento que já tinha em marketing digital e comecei a estudar moda. Já sou consultora de imagem e estou fazendo pós graduação em produção de moda e styling. Tudo pra transformar conhecimento em conteúdo para o meu blog e canal no youtube. Amando a nova fase de aprendizado e também muito perrengue, não é fácil ter a própria empresa, mas é bem gratificante. Site | Instagram | Facebook 

Também tem o caso da minha amiga Bianca Annibelli, advogada que está insatisfeita com mercado de trabalho e pretende fazer algo a respeito:

Bom basicamente o motivo de eu querer mudar de profissão é a insatisfação juntamente com a sensação de se sentir inútil. Quando sai da faculdade criei todo um estereótipo do que seria pra acabar caindo numa rotina que não me agrada já a algum tempo. Foi toda uma sequência de vitórias para cair num mercado de trabalho mal remunerado e de uma classe desunida. Ainda não criei coragem para deixar tudo pra trás e começar do zero. Quando pensei que faria engravidei e tive que adiar os outros sonhos por mais um tempo, mas a verdade é que me imagino mais feliz se eu trabalhasse com psicologia, letras ou algo relacionado a beleza.