Entrevista: Isabela Verri

isa verri

Quem me indicou a Isabela Verri foi a Jessica Oliveira, uma das entrevistadas aqui. Como a Jessica, Isabela também é tatuadora – e das boas. Natural de Goiânia, Isa hoje trabalha no estúdio Golden Daggers Tattoo Studio, em Los Angeles e manda muito bem num estilo bem único e fofo, sempre acompanhado de cores mais claras, mas com traço duro da old school. Bora conhecer:

1) antes de tudo, conte como surgiu o interesse em ser tatuadora. o que fazia antes?

Desde bem nova eu planejava todas as tatuagens que queria ter, mas nunca pensei em levar a sério como profissão, não sabia muito sobre a história da tatuagem, muito menos sabia desenhar. Larguei duas faculdades em dois anos, jornalismo e design de interiores. Juntei uma grana trabalhando e em 2010 viajei com uma amiga pra LA. Não disse pra ninguém que queria ser tatuadora, com medo de ser desencorajada. Mas, nessa viagem, consegui um aprendizado e acabei ficando mais um tempo. Voltei pro Brasil, trabalhei com meu amigo Leo Braz, que fez minhas primeiras tatuagens. Nesses dois anos com ele, descobri meu traço e o que queria fazer. Me formei em Design Gráfico enquanto tatuava uns amigos aqui e ali. Acabei parando aos poucos e decidi que ia ser ilustradora de livros infantis. Fiquei um ano sem tatuar, sentia muita falta, mas não sabia como voltar. Um belo dia, o Victor Rocha disse que precisava de alguém pra ajudar no estúdio novo dele e eu voltei a tatuar. (Valeu, Vito!)

2) conte um pouco sobre suas influências artísticas

No começo, sabia que queria fazer tatuagens tradicionais, mas não sabia por onde começar.  O estilo do meu primeiro mentor, Julio Martinez, é neotraditional e eu ia acompanhando as influências dele. Voltei pro Brasil, e além dos nomes grandes como Sailor Jerry e Percy Waters, conheci o trabalho de artistas como Diana Leets, Lucia Arnau, Jemma Jones e Matias Araoz. Na faculdade, me apaixonei  ainda mais por ilustrações antigas, principalmente as infantis, como as de Beatrix Potter e Mary Blair. Então, pensei em juntar uma coisa com a outra. Minhas referências são, basicamente, cartões postais antigos (bem bregas mesmo, com gatinhos de vestido, o mais kitsch possível!) fotografias dos anos 20 e livros infantis.

3) se pudesse ser tatuada por alguém que admira muito, quem seria?

São tantos tatuadores e tatuadoras que não consigo pensar em ninguém em particular. Mas, acho que além dos que citei acima, minhas primeiras grandes influências, seriam amigos e amigas que fiz ao longo dos anos, que infelizmente, moram longe.

4) quais são os projetos pra 2016?

Eu acabei de voltar pra LA e estou trabalhando com meu mentor novamente. Isso já foi uma conquista tremenda pra mim! Agora estou começando a investir na minha marca de produtos ilustrados, Belzeblu, algo que penso em fazer há uns anos.

5) qual dica você dá para quem quer começar a profissão como tatuadora?

Dedicar 100% do seu tempo pra tatuar e melhorar seu desenho – entender como funcionam as máquinas, agulhas, tintas… a parte técnica faz muita diferença. Ter muita paciência e não ter medo de encarar novos desafios. Eu me distraí com várias coisas pelo caminho, propositalmente, porque tinha muito medo de errar e isso atrasou muito meu aprendizado. Eu poderia estar tatuando há 5 anos, mas fiquei dois deles parada e aprender parcelado não dá! Tem que ser todo dia. É um caminho longo, mas compensa muito.

Isabela Verri 2 Isabela Verri 8 Isabela Verri 9

Para segui-la: Facebook | Instagram | Site15

Posteres Freak Show: Tatuados

975405e9e3bc1720cbb6bddecd1f01cb

Você sabia que a tatuagem era coisa de artista? De circo. De horrores.

Lá pelos idos de 1840 era muito comum os Freak Show Circus. O circo de horrores era um lugar onde era cobrado para que os curiosos pudessem ver pessoas que tinham algum tipo de mutação genética, doenças etc. Algo deplorável para ser tratado como comércio, porém uma forma que esses seres humanos poderiam viver “em sociedade” sem serem incomodados naquela época.

poster vintage tattoo freak show 16

Além de uma sorte de mulheres barbadas, gêmeos siameses, obesos mórbidos, pessoas com nanismo ou gigantismo, entre outros, os tatuados também eram encaixados como atração de horror. Além disso, era muito comum ter um tatuador para executar o serviço ao vivo. Apesar dessa curiosidade considerada assustadora, podemos dizer que muitas mulheres que eram atrações como Nora Hildebrandt, Betty Broadbent, Maud Wagner, Mrs. Williams, Lady Viola, Annie Frank e tantas outras, abriram nossos caminhos e quebraram muitos tabus. Sem contar os tatuadores da época que foram aperfeiçoando o trabalho como o caso de Samuel O’Reilly que tatuava sua mulher Emma de Burgh.

E sabe o que é mais incrível nisso tudo? Mesmo com a tatuagem sendo desmistificada hoje em dia, ainda encontramos na rua os tais curiosos assustados com nosso corpo pintado. Pessoas que nos encaram com cara feia e fazem perguntas idiotas. Talvez em 2616 não melhore? Eu, pessoalmente, levo meu corpo tatuado muito a sério. Não é modinha para mim, é algo que acho MUITO maravilhoso e encaro com respeito e admiração, vide minhas pautas aqui. Enfim.

Para chamar a atenção, os donos dos circos de horrores criavam posteres bem chamativos com anúncios bem exagerados – como toda publicidade. Separei alguns da época para postar aqui. Confesso que os teria pendurado na parede como decoração.

poster vintage tattoo freak show 11
moça tatuada… VIVA
poster vintage tattoo freak show 9
a mulher e o homem tatuados

poster vintage tattoo freak show 12 poster vintage tattoo freak show 13 poster vintage tattoo freak show 15 poster vintage tattoo freak show1 poster vintage tattoo freak show2 poster vintage tattoo freak show3
poster vintage tattoo freak show5 poster vintage tattoo freak show6 poster vintage tattoo freak show7 poster vintage tattoo freak show8 poster vintage tattoo freak show9 poster vintage tattoo freak show13 poster vintage tattoo freak show14

poster vintage tattoo freak show
uma foto pra fechar! depois faço parte 2 desse post apenas com fotografias

Projeto Papelão

Projeto Papelão 5

Acredito que uma das coisas mais inteligentes do ser humano é saber reaproveitar objetos e oportunidades. O artista plástico Edgar de Camargo, por exemplo, idealizou em 2011 o Projeto Papelão em que reutiliza placas descartadas.

Ele coleta o material de acordo com a espessura, então corta e a transforma em um belo exemplar para decorar qualquer ambiente. As artes são feitas a mão e pintadas com efeito 3D, sempre com cores vibrantes. A inspiração de Edgar vem das tatuagens tradicionais, do religioso ao pagão e até animais e personalidades. Quero!

Projeto Papelão 4
Projeto Papelão 6 Projeto Papelão 7 Projeto Papelão 8 Projeto Papelão Projeto Papelão 2 Projeto Papelão 3

11001804_10206599479452338_4466828067175965232_n

É possível fazer encomenda pelo Facebook ou whats e retirar no estúdio True Love Tattoo, na Augusta, em SP.

Brincos magia: Doodad and Fandango

doodadandflamingo

Pra quem se amarra em acessório diferente e divertido, certamente vai adorar a marca australiana Doodad and Fandango.

Tudo começou quando Nikita Margarita, depois de uma visita para o Japão nos anos 90, se viu apaixonada pela explosão da street fashion do país. Inspirada pelas Harajuki Kids que são bastante estilosas, beirando ao teatral, Nikita que vive em Sydney, começou a estudar Fashion Design e resolveu criar uma linha diferente para acessórios e camisetas.

Logo, a Doodad and Fandango é o resultado de sua paixão por cores, pop art e plástico. As peças são inspiradas também nos anos 30 e 50 quando o metal era escasso e usavam resinas sintéticas como baquelite e galalite a fim de criar joias irreverentes. Apesar disso, os brincos da marca são feitos de Perspex que tem uma textura resinada. Fiquei totalmente apaixonada pela criatividade de Nikita que usa personagens kitschs como a vó Yetta do seriado The Nanny até pin-ups.Doodad and Fandango4
Doodad and Fandango3
Doodad and Fandango5

Doodad and Fandango Doodad and Fandango6 Doodad and Fandango7

Doodad and Fandango2

doodadandflamingo2 Doodad and Fandango8

Nikita
Nikita

Para seguir: Instagram | Fanpage

 

A ilustra de Camila Barbieri

Conheci a Camila Barbieri quando trabalhava no Lolitas Coiffure. Ela começou a fazer a sobrancelha comigo, virou minha cliente fixa e sempre vem em casa para eu atendê-la. Obviamente, a gente conversa bastante porque nessa área de beleza também podemos virar colegas da clientela (claro que não é todo profissional, mas adoro quem cuido) e descobri que a Camila é uma ilustradora maravilhosa. O trabalho dela é delicado, bem feito e inspirador.

A Cami tem 23 anos, formada em Design Gráfico pela UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná) e trabalha como ilustradora para animação na Looks Creative Studio, em Curitiba. Como desenha desde criança, nunca viu o hobbie como profissão e tinha até vergonha em mostrar seus desenhos. Na época da faculdade, Cami fazia Arquitetura e Design ao mesmo tempo e viu que estava no rumo certo quando largou o primeiro curso e começou a pegar freelas como ilustradora.

camila barbieri 2
Rótulo / Ilustra para cerveja

O processo criativo da Camila é bem variado, dependendo muito do foco: para o trabalho (o processo) fica mais engessado por conta do cliente. Já artisticamente, ela fica mais livre com seus sketchs onde desenha e redesenha até ficar como quer. Inclusive, um dos trabalhos que ela tem mais carinho foi o seu primeiro projeto gráfico do livro A Revolução dos Bichos (aqui) que os professores adoraram e as impulsionaram a seguir carreira. Outro job amado por ela é a série de ilustras do filme Freaks que nunca foi divulgado. Ou melhor, nunca tinha sido, pois Cami ofereceu para apresentar pela primeira vez aqui no blog. Que honra!

Não bastasse essa exclusividade toda, a danada ainda fez uma HQ especialmente pra mim (pro blog) com direito ao Caolhinho junto. No estilo do trabalho de Pulp Fiction – um dos meus favoritos. Tô in love!

leti-01

Mais trabalhos

Para segui-la: Fanpage | Behance