A tattoo de Hwaro

Sempre acho muito inspirador conhecer novos tatuadores que respeitam o old school, mas entregam um trabalho diferente do clássico que vemos por aí. O sul-coreano Hwaro faz justamente isso: consegue manter as linhas tradicionais e coloca uma pimenta em seus desenhos os deixando com um ar de cartoon. Seu trabalho é consistente e divertido. Não deixe de segui-lo no Instagram.

Wigs by Vanity

Quando você adentra ao mundo drag, fica completamente atenta aos detalhes como: marcas de perucas, novidades de maquiagem, entre outros. As perucas ou as laces realmente são um show a parte e são essenciais para a transformação de uma drag (tirando as carecas como Ongina ou Sasha Velour, por exemplo). Eu, pessoalmente, costumo reparar primeiro na peruca do que na maquiagem porque uma boa lace chega primeiro no meu olhar. Uma peruca horrenda (tipo as da Dida, tadinha) pode comprometer um look todo, é triste. Inclusive, existe uma diferença gritante entre peruca e front (ou full) lace: a peruca normal se não possui um bom volume ou franja pode deixar a linha de frente aparente. Já a front lace vem com um parte de tule (lace) na frente que é colada e a lace desaparece na cabeça, dando a ilusão de como fosse o cabelo da pessoa mesmo. Aqui tem alguns vídeos explicando melhor.

Dito isso, faz pouco tempo que conheci Wigs by Vanity e fiquei completamente apaixonada pela front lace oferecida. A marca surgiu em 2003 quando as drags australianas Vanity e Courtney Act (sim, ela mesma) resolveram criar uma empresa com perucas inspiradas na própria RuPaul. Elas tinham dificuldades em encontrar front laces bonitas e diferentes que tivessem um valor digno, e viram uma boa oportunidade em abrir o negócio. Deu tão certo pela entrega de qualidade e preço acessível que atingiu um grande números de fãs, inclusive a própria RuPaul. Algumas perucas levam o nome de algumas drags como Raja, Alaska, Bianca etc e várias ex-participantes do show usam a marca.

De acordo com a descrição do site, as perucas são para drag queens, showgirls, crossdressers, bio queens, cosplay, teatro e muito mais, deixando o negócio mais amplo ainda. Segundo o site, as perucas são feitas com uma estrutura um pouco maior do que as normais a fim de que o encaixe fique bom para todos. Elas são feitas com fibras sintéticas de alta qualidade e com a linha de cabelo com tule bem fino.

A drag queen can exist without a wig, but an amazing wig is nothing without a drag queen – Vanity

Quem cuida do instagram da empresa é basicamente a Vanity que faz stories divertidos e mostra a produção das laces bapho. Inclusive, a semelhança das duas [Vanity e Courtney] é incrível, mesmo out of drag são parecidas. Pesquisei a respeito e descobri que foi a Vanity quem ajudou a Courtney a criar seu look atual, pois a mesma (Vanity) é umas pioneiras no estilo fishy na Austrália, tendo trabalhado com a Carlotta que, por sua vez, é uma lenda na Austrália e musa inspiradora do filme Priscilla, a Rainha do Deserto.

A marca física fica em Sydney, Austrália, mas entrega para todos os países. A média de cada lace é $250, valor muito bom pela qualidade e diferencial.

Vanity
Stand na DragCon ’17
Vanity out of drag

Para seguir: Facebook | IG

Grace and Frankie – sensibilidade ao envelhecer

Quem acompanha o blog faz um tempo ou me conhece pessoalmente, sabe que sou totalmente a favor do envelhecimento e defendo pessoas mais velhas com unhas e dentes. Existe falta de sensibilidade e muito preconceito com pessoas que passaram dos 50 anos e isso é um fato que a sociedade tenta esconder a qualquer custo. Como se envelhecer fosse um absurdo, sabe como? Nesta categoria aqui falo bastante a respeito disso. Dada a introdução, quero falar sobre um seriado que aborda esse assunto com maestria.

Desde que a Netflix disponibilizou (2015) Grace and Frankie, acompanho e sou apaixonada por esta série. Não sei porque cargas d’água nunca escrevi sobre ela, mas assistindo à terceira temporada e me emocionando em alguns episódios resolvi fazê-lo. O que me motivou a assistir foi basicamente o retorno da Jane Fonda (Grace) às telas e a Lily Tomlin (Frankie) que é outra atriz sensacional. A trama que é estilo sitcom e criada por Marta Kauffman (Friends) e Howard J. Morris, também me chamou atenção: dois advogados e parceiros de empresa com mais de 70 anos (Martin Sheen e Sam Waterston, respectivamente) saem do armário e decidem se casar, deixando as duas esposas perdidas.

Na primeira temporada vemos o início do caô gerado pela revelação também por meio dos filhos dos casais que estão na faixa etária de 30 anos. Me identifiquei porque sou filha de uma mulher de 70 anos e tenho 31 anos, logo o entrosamento entre as mães (70+) e filhas (30+) é muito parecida, mesmo que seja um pouco fantasioso para oferecer o charme necessário ao telespectador. As duas mulheres que possuem personalidade completamente diferentes – Grace é a cocota egoísta e Frankie é a hippie neurótica – vão morar juntas na casa de praia da família e começam a se apoiar na dificuldade uma da outra, questionando o fim do casamento, a velhice e outras agruras da atual conjuntura delas.

A personalidade difícil de Grace é até compreensível, já que a mesma passou a vida com um homem de educação dura irlandesa, totalmente frustrado por ser gay que não compreendia sua própria sexualidade. Grace era CEO de uma empresa de cosméticos que agora é de sua filha Brianna (my animal spirit), então logo comandava seu próprio negócio. Já Frankie é easy-going até um determinado momento: ela é a tia maconheira legal e amável que ensina as coisas da vida, mas é que a tem mais dificuldade em aceitar o novo relacionamento do marido, já que os dois se davam muito bem. Também é compreensível a falta de compreensão (heh) de Frankie ao término do seu relacionamento: Sol parece ser claramente bissexual e a gente entende que eles eram extremamente apegados e parceiros um do outro. Deve ser muito frustrante sair da zona de conforto aos 70 anos e é isso que elas demonstram.

Na segunda temporada as duas já estão mais entrosadas e o relacionamento de Sol e Robert não é mais preocupação entre as duas, pois os exes estão casados e tudo está mais ou menos resolvido. O grande lance da segunda temporada é sobre o envelhecimento e a falta de respeito dos jovens. Para mim, chamar alguém de velho não deveria ser xingamento, bem como chamar alguém de gordo. É um estado físico, oras. Se você não morrer aos 20, obviamente envelhecerá e qual é o problema disso? Admirar senhoras e senhores que envelheceram com dignidade é maravilhoso porque foi entre os 20 e 30 anos que eles tiveram o bom senso em se cuidar. Eu, aos 31, tenho dores nas costas, muita fadiga, esteatose hepática e pedra na vesícula, e é provável que eu não chegue nem aos 50.

E verdade seja dita, para uma mulher envelhecer pode ser pior ainda porque a cultura da velha bonita e “pegável” ainda é um mito. O homem da barba branca e rugas é um charme que só, mas a mulher é considerada um maracujá que é esquecido na gaveta. Por isso, que amo e divulgo as advanced style, a Catherine Deneuve no alto dos seus 73 anos que ainda faz filme transando, a Vanessa Redgrave aos 79 numa campanha pra Gucci, entre outras quebras de paradigmas. Veja a Jane Fonda com 79 anos, meu Brasil! Que corpão, que pele, que cabelo! Veja minha mãe com 71 anos que finalmente deixou o cabelo embranquecer, tá amando ser aposentada etc. Uma cena dessa temporada que me chamou a atenção é quando as duas vão ao supermercado pra comprar cigarros depois de um momento difícil e não são atendidas. Quando aparece uma novinha, o funcionário atende prontamente. A situação é deplorável.

Outra parte emocionante na segunda temporada é o encontro das duas com a amiga Babe (Estelle Parsons) que representa uma grande virada na série. Babe é amiga de longa data das meninas que sempre foi muito independente: não teve filhos e não casou por opção e sempre estava viajando. Ao voltar para os EUA, descobre que está muito doente e escolhe o suicídio assistido (depois de dar uma festa). Tudo é apresentado com um humor muito incrível, sem ser piegas. A amiga ainda deixa um vibrador de presente e, ao usar, Grace diz que fez mal à sua artrite. Esse será o fim condutor da terceira temporada: elas decidem criar vibradores projetados para mulheres mais velhas. Eu lembro que fiz minha mãe assistir ao season finale porque foi tão incrível e inspirador para mulher de qualquer idade!

A terceira temporada – a qual estou finalizei em apenas três dias, sempre com muito custo para não fazer binge-watching- tem momentos bem interessantes e começa com o preconceito que bancos americanos possuem em fazer empréstimo para pessoas mais velhas. Fala sobre irmandade (as filhas de Grace e os filhos de Frankie), sobre abrir negócios depois de velho e o marketing para essa classe (muito legal essa parte), sobre mulheres que contratam garotos de programa (gente, eu adoro a Brianna, sério), sobre mulheres de 30 com muitos filhos e outras que não querem, sobre realizar sonhos antigos (a exposição da Frankie), entre outros. Um assunto relacionado que me pegou de jeito foi sobre aposentadoria: Robert e Sol estão cansados do escritório de advocacia e pensam em se aposentar. O primeiro acha perfeito e uma escolha inteligente porque tá de saco cheio e quer aproveitar a vida. Já Sol ainda resiste em deixar o trabalho, mesmo tendo preparado seu filho de 32 anos, o Bud. Quando ele se dá conta que realmente tá na hora de aposentar é de partir o coração, eu até chorei:

Eu sou a Joan-Margaret

Me emocionei porque minha mãe também tinha dificuldade em se aposentar, era um misto de medo e achar que ia perder a capacidade. Um amigo deles ainda fala: “se aposentar é maravilhoso, se eu pudesse seria sempre aposentado” ou algo do gênero. Era isso que eu tentava passar para minha mãe, a pessoa trabalha anos e anos, agora tem independência financeira para curtir um pouco mais da vida, pra quê ficar se estressando à toa?

Grace and Frankie é uma série para todos, de qualquer idade, de verdade. É divertida, tem sacadas inteligentes, fala sobre sexo na terceira idade (as duas arrumam namorados ou paqueras), parceria entre mulheres de todas as idades, vícios, medos, frustrações, coragem, mãe e filha, pai e filho, mãe e filho, aceitação, negócios, homossexualidade depois dos 70 etc. Sempre de forma delicada, divertida e respeitosa. Ah, a fanpage oficial da série é maravilhosa e cheia de gifs, vale a pena seguir.

Apartamentos de filmes

Quem nunca sonhou em ter um apartamento próprio e montá-lo dignamente com móveis que combinem com seu estilo de vida e que não custem um rim? Pois trouxe algumas referências cinematográficas – algumas possíveis e outras para inspirar.

Bonequinha de Luxo

Amo tanto esse filme, nem sei quantas vezes assisti, já li o livro, enfim, amo. E amo mais ainda o apartamento da Holly. Ele era todo improvisado: sofá feito de uma banheira cortada, pallets, caixotes, malas usadas como decor e o famigerado violão. Espaço mínimo (mesmo sendo no Upper East Side), porém, nada que não dê para fazer uma festa. Não deixe de ver esse post do La Dolce Vita com o apto dela redecorado depois de conhecer o namorado brasileiro.

Laranja Mecânica

Este filme do Stanley Kubrick tem vários espaços interessantes: o apartamento dos pais do Alex, o bar (Moloko Vellocet), o apto da tia da yoga, do escritor etc. Resolvi focar no dos pais dele, pois adoro as paredes brilhantes da entrada com os quadros das mulheres de JH Lynch, o quarto minimal dele etc. É uma estética do anos 70 com um toque kitsch-futurista, o que é demais. Aqui tem um pouco das peças de decoração do filme.

Quero ser Grande

Pelamor que esse filme é incrível! Tom Hanks no seu melhor: ele fica adulto depois de fazer um pedido e de repente se vê morando num flat. Um flat que é decorado por uma criança (ele mesmo). Eu teria um pebolim em casa, hehe.

O Diário de Bridget Jones

Taí um filme que adoro! O apartamento da Bridget Jones de 2001 parece mega confortável para uma jornalista de 30 anos que mora sozinha, escolhe ficar em casa ouvindo Chaka Khan e tomando vodka.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain

Como deixar de citar o apê da Amélie Poulain, né? O diretor Jean-Pierre Jeunet usou algumas cores para compor o filme todo: vermelho, azul e amarelo que foram inspiradas no artista brasileiro Juarez Machado (já fui numa exposição dele quando morava em Maringá). O apartamento dela é bem decorado no estilo anos 50.  Aqui tem muitas curiosidades sobre o filme.

Os Guarda-Chuvas do Amor

Eu simplesmente detesto musicais. São poucos que gosto e infelizmente esse não é um que está na minha lista. É um clássico e muita gente adora, realmente não consegui porque cantoria demais me irrita em filme. Discurpa. Mas o apartamento que a personagem da Catherine Deneuve e sua mãe moram é lindo. Amo a paleta de cores utilizada, amo a decoração, amo os papéis de parede. Esse filme, visualmente, me agrada muito.

Para o post não ficar tão longo, acho que vou fazer parte 2.  Alguém tem mais um algum para sugerir? Lembrando que já escrevi sobre o apto da Mulher Gato aqui.

Top 5 – estilistas gringas sensacionais

Esse top 5 é muito pessoal, pois se eu tivesse grana vestiria as mulheres citadas (mesmo Comme des Garçons).

Coco Chanel

Gabrielle “Coco” Chanel é uma das estilistas mais lembradas e amadas da história da moda. Foi nos anos 20 que Mme Chanel nos libertou de muitas amarras da moda convencional e nos deu o direito em usar calças para facilitar o movimento e o conforto. O colete que até então era somente para homens foi questionado e desde então usamos. O cabelo mais curto que foi algo acidental também foi criação dela e leva seu nome até hoje, além do uso da bijoux com cara de joia, a jaqueta tweed, a bolsa a tiracolo e ele, o vestido pretinho básico. Afinal de contas, “a moda passa, mas o estilo fica”. Chanel era apaixonada pelo o que fazia e fez bonito até o final de sua vida. Aqui falo mais dela.

 

Elsa Schiaparelli

Elsa Schiaparelli foi uma estilista italiana mega conceitual pela qual tenho paixão. Nos anos 30, em parceria com Christian Bérard, Man Ray, Jean Cocteau e Salvador Dalí, Elsa entrou na onda do surrealismo e criou diversas peças lembradas até hoje como o chapéu-sapato de 1936, o vestido lagosta inspirado nas obras de Dalí e o uso do zíper sem ser escondido. Ela era o oposto da Chanel e muitos dizem que eram “rivais”. Isso realmente não importa porque cada uma fez maravilhas pela moda, cada qual com seu estilo e genialidade.

 

Vivienne Westwood

Quem curte um punk da silva, certeza que já viu o nome da Vivienne Westwood por aí. Ela e seu marido Malcom McLaren se conheceram em 1971 e juntos abriram uma loja inspirada nos anos 50 chamada Let it Rock onde criavam roupas para a periferia de Londres. Depois de problemas na justiça, mudaram o nome da loja para SEX. Malcolm virou produtor da banda Sex Pistols e Vivienne ajudou a criar grande parte do look dos músicos, sendo conhecida como a rainha dos punks. Até hoje, Vivi continua explorando sua excentricidade e sempre faz críticas sociais por meio da moda, sempre usando preto, vermelho, correntes, temas eróticos etc.

 

Anna Sui

Originalmente Anna Sui é de Detroit, EUA, mas seus pais são chineses que se conheceram na França. Segundo pesquisas, descobri que a estilista cidadã do mundo é descendente de uma dinastia nobre chinesa de estudiosos (filósofos, poetas, engenheiros etc) e desde os quatro anos já sabia que seria designer de moda. Graduada pela prestigiada Parsons The New School for Design, em NY, já morou na França onde teve Elizabeth Taylor e Richard Burton como sócios. A moda de Anna Sui é divertida, vibrante e chique. Adoro o IG que ela faz com muitas referências interessantes.

 

Rei Kawakubo

Uma coisa é fato: Rei Kawakubo não é para qualquer um. Precisa ter a ousadia certa para vesti-la. Digo certa porque não adiantar pagar de diferentão (e endinheirado, no caso) e não segurar o look, sabe como? A estilista japonesa fundadora das Comme des Garçons e Dover Street Market foi homenageada este ano no baile de gala do MET (Metropolitan Museum of Art). Sua mostra, que foi a segunda a homenagear o estilista vivo (YSL foi o primeiro em ’83), fica em cartaz até o começo de setembro desse ano. A rainha do ‘anti-moda’ sempre foi visionária desde que criou sua marca em ’69, mantendo a assimetria e aparência punk destroyed em quase todas criações.

Mas não vamos esquecer de outras deusas da moda como Sonia Rykiel, Carolina Herrera, Vera Wung, Kate Spade, Donna Karan, Stella McCartney, Diane von Fürstenberg etc.