A psicodelia de tadanori yokoo

Ando numa fase muito oriental ultimamente, principalmente no que diz respeito ao design gráfico. Parece que tudo do Japão tem um toque tão bem acabado e sensacional que dá vontade de sair pesquisando tudo a respeito. Pois bem, depois do post de Keichi Tanaami, quero falar sobre Tadari Yokoo.

Nascido em Nishiwaki, Hyōgo Prefecture, Japão, em 1936, Yokoo é um dos designers gráficos mais reconhecidos em seu país (e fora dele também). Começou sua carreira como estagiário onde produzia flyers para um teatro em Tóquio e se destacou ao criar um poster em 1965 que foi deveras escandaloso para época (um homem pendurado numa forca com a frase “Having reached a climax at the age of 29, I was dead.”, aqui) . Desde muito cedo tinha influência direta do novaiorquino Push Pin Studios, principalmente dos designers Milton Glaser e Seymour Chwast, além do diretor Akira Kurosawa e do escritor Yukio Mishima – também citados como grandes influências.

Bem como Tanaami, Tadari Yokoo se interessou em misticismo e psicodelia nos anos 60, principalmente depois de sua viagem para Índia. Apesar de ser descrito como “Andy Warhol japonês”, Yokoo cria posteres especialmente intensos com muitas cores, camadas, texturas e originalidade. Muitos de seus trabalhos foram expostos em 1968 na exibição “Work & Image” no MoMA (Museu de Arte Moderna), em Nova York, o que deu reconhecimento internacional ao artista. Em 1970, o design criou capas dos discos de artistas como Miles Davis, Santana, Beatles etc. Produções como animações e fotografia também estão no currículo dele.

O trabalho de Yokoo traz elementos da cultura tradicional japonesa com sensações futuristas seja nas cores ou texturas que seus posteres oferecem; o que elevou a estética do design gráfico japonês para um grau altíssimo.

Aqui tem uma entrevista muito boa com ele

Sobre o artista Keiichi Tanaami

Para quem gosta de pop art e artistas clássicos é importante conhecer Keiichi Tannami. Nascido em 1936 em Tóquio, passou por muita coisa na infância, inclusive pela Segunda Guerra Mundial. Ele tinha apenas 9 anos quando Tóquio foi bombardeada em 1945 e essa experiência horrorosa acabou refletindo muito em seu trabalho.

O artista frequentou a Universidade de Arte de Musashino e desde 1960 trabalha ativamente como designer gráfico e ilustrador, sempre mantendo-se atento às mudanças da área. Na sua época de estudante, Tannami era ligado aos artistas como Ushio SHINOHARA e Tomio MIKI que são figuras do Neo-dada no Japão. Foi influenciado diretamente pela cultura psicodélica dos anos 60 e pela pop art, sendo amigo de Andy Warhol. Suas cores vibrantes e alucinógenas não negam do que ele é capaz.

Além de suas pinturas, o artista também fez filmes, esculturas, entre outros. Com 81 anos ainda mora em Tóquio e até hoje trabalha com questões da cena artística contemporânea como “arte e design”, “merchandise e arte”, e “conexão entre a vida diária e a beleza” em suas aulas na Universidade de Arte e Design de Kyoto, onde é presidente do departamento de Informação e Design.

anos 60
anos 70
anos 80
anos 00
2010

Quem quiser conhecer mais sobre esse maravilhoso, leia uma entrevista dele aqui.

joey cassina e suas tatuagens sensacionais

O garoto da Califórnia Joey Cassina faz um mix digníssimo para chegar ao seu estilo de tatuagem: anos 80 + old school americana. O resultado é um trabalho consistente, colorido, geométrico e divertido. Linhas duras e cores que vão além das primárias. Gostei MUITO do trampo dele e já quero um tigre com oclinho.

Ele atende no estúdio Ocean Avenue Tattoo, em São Francisco. Para segui-lo, vá aqui.

O Palácio Pink de Jayne Mansfield

Dia 29 de junho foi 50 anos de morte da atriz e bombshell americana Jayne Mansfield que faleceu em um acidente de carro aos 34 anos. Considerada um dos maiores símbolos sexuais das décadas de 50 e 60, ela chegou a ser playmate da edição de fevereiro de 1955 da Playboy. Como atriz foi vencedora de um Globo de Ouro e costumava fazer papéis com ênfase ao seu lado pin-up/sensual. Tanto que foi a primeira atriz a aparecer nua em uma produção hollywoodiana de 1963, o filme Promises! Promises!.

Jayne tinha predileção pela cor rosa e corações, e quando casou com o ator e fisiculturista Mickey Hargitay compraram uma mansão estilo mediterrâneo em novembro de 1957 com 40 quartos na 10100 Sunset Boulevard em Holmby Hills, Los Angeles. Em 1960, a revista LIFE fez uma matéria sobre o suntuoso espaço que Jayne, seu marido e filhos moravam.

É sabido que o investimento para a compra da mansão foi de $81,340 ($693,607 em 2017) que foi um dinheiro que ela havia herdado de seu avô materno Elmer Palmer. Mansfield pintou a casa de rosa onde tinha cupidos envolvidos em luzes pink florescentes, carpete pink na parede dos banheiros, banheira (rosa, claro) em formato de coração e uma fonte de champagne pink. Sim, tudo bem over como mandava o figurino da atriz. Inclusive, quem construiu a piscina em forma de coração rosa foi o próprio Hargitay que era encanador e carpinteiro antes de torna-se bodybuilder.

E você pensa que ganhar mobília em troca de publicidade começou com as blogueirinhas millenials de plantão? Não! Jayne fazia justamente isso: pedia para fornecedores de construção e mobília mandarem amostras de graça em troca de divulgação gratuita feita por ela. E assim eles o faziam porque né? Era a JAYNE MANSFIELD. Ela recebeu cerca de $150,000 ($1,279,088 em 2017) em mobília e materiais, pagando somente $76,000 ($648,071 em 2017 dólares).

A mansão foi vendida para o beatle Ringo Starr e depois para Cass Eliott e Engelbert Humperdinck. Em 2002, Humperdinck vendeu a casa que foi demolida em novembro do mesmo ano.

amo esse banheiro!

Fotos de Allan Grant para a LIFE

Tem um documentário sobre o Palace Pink também:

Depois dos 30

Quando completei 30 anos não consegui passar direito pela crise pré-balzaquiana. Quer dizer, passei por uma “crise” profissional que hoje vejo que valeu a pena, apesar d’eu ainda estar penando. Mas nada na vida é fácil, né não? Quando estava para completar 31, um mês antes para ser exata, passei por um turbilhão pessoal que foi extremamente necessário. Me vi como uma adolescente: bebendo vinho barato no bico no cavalo babão (curitibanos entenderão), perdendo celular caríssimo pelas ruas, tendo crush em pessoas beeeem mais novas, sentada no meio fio não entendendo bulhufas e rindo além da conta com um choro no final. Enfim, essas coisas que uma pessoa de 30 anos não quer se dar ao luxo em fazer, pois está muito maduro para tal. Me arrependo? JAMAIS. Só não perderia meu celular porque foi um dos maiores prejuízos de 2016, de verdade. Esse foi foda. No mais, eu precisava passar por essa experiência mais uma vez (porque né, não foi exatamente uma novidade – tirando o lance do celular).

regret-nothing

Depois da turbulência emocional e social, comecei a entender meu momento. Sempre tive essa coisa meio wild, meio vidaloca mesmo. Isso vai me acompanhar pra sempre, inclusive espero nunca perder. Então, surgiu uma boa oportunidade, digamos assim. Algo que sempre foi muito travado na minha vida e já escrevi muito a respeito por aqui. Os arquivos não mentem. Logo, sem muito medo, resolvi me dar ao luxo e a sentir, a tentar melhorar, fazer acontecer, sentir segurança e confortabilidade. Senti como algo que agrega, apesar de algumas diferenças que existiram e me fizeram amadurecer.

Como nada é lindo, comecei a questionar tudo a minha volta. A minha disponibilidade foi questionada e a minha paciência, testada. As pessoas me veem como amiga, como uma posse ou uma diversão temporária? Por que as pessoas gostam de mijar no meu pé para marcar território achando que vão me perder? Por que as pessoas gostam de competir comigo, sendo que não me vejo numa competição de egos e aparência? Preciso deixar claro que não vou me perder, que não irão me perder e que sempre estive ali, apesar do estágio novo que, no frigir do ovos, nem deu certo.

AMIZADES. Algo sagrado pra mim. Eu não sou amiga de quem não quero, já finalizei relacionamentos com sanguessugas, pessoas que me colocavam pra baixo. Amigo é pra te acordar quando você tá fazendo cagada, pra ter abraçar quando você tá na merda, pra você falar suas bobagens, bem como os assuntos sérios, para ficar feliz quando você tá muito feliz. É para confiar, é para se sentir seguro. A troca eterna, não importa se você tá perto ou não. Se você cair, ele vai estar atrás pra te segurar e aliviar a queda. Se não estiver por algum motivo pessoal, vai vir com um remédio pra curar a ferida. Não precisa ser grude, aliás, nem gosto, não sou daquelas que manda mensagem todos os dias. Às vezes peco com isso. Enfim, enxergo assim.

Também veio outro questionamento: quando você passa por momento passivo-agressivo, simplesmente porque sente que existe insegurança de outrem pela sua personalidade. Quantas conversas são necessárias para deixar alinhado e melhorar? Até onde vale a canseira, seja no amor ou na amizade? Mais perguntas do que respostas, claro. A vida é assim mesmo, parece uma criança aprendendo a andar: pega um impulso-cai-chora-levanta de novo-aprende.

nao

Depois dos 30, você acaba se dando o luxo em amadurecer a fim de sofrer menos. De ter mais entendimento, de tentar ser menos cruel e mais esperta com seus sentimentos. Se questiona, escreve texto, apaga linhas que talvez machuque alguém que gosta, mas deixa seu recado porque é necessário. Depois dos 30 as coisas melhoram sim, só ter calma, bom senso e amor próprio.