Richard Clayderman é guilty pleasure

Quero começar dizendo que fui assistir Richard Clayderman com minha mãe. Ele já tinha vindo para Curitiba, mas só dessa vez prestamos atenção. A senhora minha mãe obviamente ficou muito animada com a vinda dele, já que o pianista foi um mito das baladas românticas com ares de concerto – para o terror dos eruditões – nos anos 70/80. Sim, eu adoro Richard Clayderman. Escutei muito quando era criança e pré-adolescente. Lembro que ficava deitada no chão encarando aquela capa de vinil com um moço que parecia um príncipe e ainda tocava piano. Só na adolescência entendi porque a beleza dele me comovia.

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tenho esse vinil véio de guerra

Os medleys com música clássica eram muito comum nos anos 80. Eu era apaixonada pelo Hooked on Classics, por exemplo. Essa coleção tem medleys nervosos com Mozart, Beethoven, Bach (pai e filho), Debussy, Chopin, entre outros nomes sagrados e é muito odiado pelos OLDS SCHOOL. Richard Clayderman é desse tipo amado/odiado, ele é o clássico-pop. É genial para uns, guilty pleasure para tantos e aproveitador para outros. Francês, o pai dele era professor de piano. Phillippe teve formação clássica, sabe tocar uma Sonata n. 2 do Chopin sem dificuldade. Já o Richard toca o que a galera quer ouvir. Li que ele começou a tocar músicas mais populares justamente para ajudar o pai que estava doente. Empresário gostou, ele tinha look e ainda tocava bem. Cultura de massa taí pra isso mesmo. O bonitão talentoso conseguiu vender milhões de discos nos anos 70 e 80, tá boa? Em pleno 2016, época de Kanye West, faz turnê e tudo.

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tamo na atividade, hehe

O escutava em Brasília quando era bem pequena e minha mãe deixava o som dele rolar para “energizar a casa”. Em Paranavaí já era um pouco maior e colocava na vitrola por conta própria. Duas memórias diferentes e quem diria que um dia o escutaria ao vivo? E daria um vinil meu (da mãe, quer dizer) para ele autografar em pleno Teatro Guaíra? Porque sim, além de ser clássico-pop, ele é ROCK. Conversa com a plateia, faz piadoca, pede para bater palmas junto com a música, distribui as partituras para o público, assina meu vinil (cheguei no s’il vous plaît, haha) e ainda faz selfie. Estamos falando de alguém que também se apresentou no Theatro Municipal, no Rio de Janeiro. Pergunta se o nosso NELSON FREIRE faria isso? Faz nada.

~~MIX DE EMOÇÕES

Quando começou, fiquei toda nostálgica com nó na garganta e tudo. Música é coisa de louco, né? Te pega de jeito. Saudades da minha infância…

Na real, você sabe que no fundo o Richard Clayderman foi criado para mãe/tia/pai/tio do Powerpoint, sabe? O telão do show/concerto dele diz muito sobre isso. Aparece até uma timeline com algumas capas de seus famosos vinis (amei isso, sério). E obviamente não poderia faltar as love songs. Afinal, ele é considerado o rei do romance. Olha essa imagem:

Achei bacana as homenagens a diversos países (França, Itália e até a Argentina). Vale contar também que ele arriscou um português  (mas nem tocou um Jobim, pô).

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DO POVÃO

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Chega mais!
pra variar eu inventei um desafio que era tentar um autógrafo dele. levei um vinil dele no teatro. num é que consegui. não sabia que era fácil assim, hahaha
pra variar eu inventei um desafio que era tentar um autógrafo dele. levei um vinil no teatro. UM VINIL. e num é que consegui? não sabia que era fácil assim, hahaha

Pra mim o ponto alto foi quando ele tocou uma música do ballet de Romeo e Julieta. NOSSINHORA, fiquei tão feliz. É essa aqui:

Teve intervalo e quando ele volta, já está de terno vermelho. Um clássico do outfit dele <3

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Lembra desse terno? A cara do Rodrigo Hilbert, né

Confesso que conheço mais o trabalho dele dos anos 70/80, pois é o que tenho em casa. Daí você vê que o cara continuou na função mesmo. Tem até a música tema do TITANIC e não é só o da Céline Dion, mas também a parte instrumental da trilha. E com as cenas do filmes passando no telão. EITA.

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Quero citar Cinema Paradiso. Fiquei emocionada mesmo porque passava as cenas pontuais no telão. Coisa linda de película. Muito bonita a interpretação dele.

IMG_3130Só sei que o show foi divertido, nostálgico e cafona na medida certa. Ele fez tudo o que podia: do clássico ao popular, passando pelos regionais, baladas, jazz etc. O público era variado: dos senhores aos trintões, adolescente a criança. Sem contar que a Orquestra de Corda era excelente. Não é só sofrimento pra classe média não, também tem diversão! Merci, Richard Clayderman. Espero que um dia te entendam.

Inspiração pra look: Caroline Receveur

caroline receveurTempinho que não falava sobre blogueirinha estilosa aqui, né? Estou por fora, confesso. Mas nas minhas andanças pelo Pinterest conheci Caroline Receveur. A modelo/atriz/digital influencer francesa de 28 anos é linda, tatuada, estilosa e tem uma marca de chás naturais, o Wandertea, que diz ser o número 1 como chá detox. Caroline mora em Londres com o namorado e, além de ser uma mulher bem sucedida com um cabelo maravilhoso (vermelho com as pontas loiras), tem um estilo despojado chique. A garota consegue misturar bem as peças e texturas, sem deixar o visual monótono. O blog homônimo fala sobre lifestyle, viagens e moda, claro. Pra quem curte acompanhar essas meninas bonitas, empreendedoras e estilosas, fica a dica (sim, é humilhante).

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O meu cantinho em Berlim

Já vai fazer um ano que fiz uma viagem preciosa para comemorar meus 30 anos e jamais postei a respeito. Toda vez que tentei escrever, falhei. Ficava emotiva, com saudades, meio deprê. Ficava não, ainda fico, mas diminuiu bastante. Sempre achei exagero de quem fala que fica depressivo pós-viagem. Paguei com a língua. Existe mesmo essa possibilidade.

Uma das cidades que mais adorei visitar foi Berlim. Fui muito feliz lá, me diverti, comi bem e paguei pouco, tinha amigas brasileiras que me ajudaram (Bruna e Bianca), me emocionei e encontrei um cantinho que fui duas vezes. Imagine, você tá viajando e quer conhecer o que puder, não vai querer voltar num lugar duas vezes. Mas gostei tanto que voltei. Vou fazer assim: cada cidade que passei, vou citar um lugar que gostei muito. Assim deixo marcado aqui também, pode ser? Vou começar com a segunda que visitei, Berlim.

Ok. Lá em Berlim eu fiquei em Prenzlauer Berg (não sei pronunciar isso até hoje) em um apartamento muito bem localizado, perto da Schönhauser Allee (esse consigo falar). Na época do muro, esse bairro ficava na parte Oriental e era para operários. Essa área foi um pouco esquecida durante a guerra (ainda bem) porque nunca teve muito investimento, o que tornava tudo mais barato. Hoje em dia, é um bairro bem cotado e não é mais barato como antigamente, rolou a tal gentrificação por lá sim. Confesso que pesquisei muito no airbnb lugares nessa região e em Kreuzberg. Fiquei com o primeiro mesmo.

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ph: Michael Weck

Pois bem, no primeiro dia (16/10/15) que eu e minha mãe chegamos em Berlim, além de bem recepcionadas pelo dono do apartamento que ficamos hospedadas, também fizemos reconhecimento da área. Andamos pelo bairro todinho – perto de lá – a fim de memorizar placas (haha sou ótima nisso, sério), achar supermercado, mercadinhos e restaurantes. Nessa andança encontramos um lugar muito charmoso, o Kohlenquelle.

Você enxerga uma portinha pichada de esquina e não dá nada. Na-da. Graças aos deuses minha mãe não é enjoada e meio que topa entrar em lugares “diferentes”. Quando entramos, pense num lugar com uma vibração incrível? Era lá, um restaurante-bar (nunca fui à noite). Eles servem almoço com um cardápio bem variado (sempre tem veggie por lá), além de servir drinks, cervejas, sucos e refrigerantes (pedíamos nossa amada FRITZ KOLA).

Kohlenquelle
credit

O moço do balcão foi muito educado e na segunda vez que aparecemos, ele nos reconheceu e cumprimentou de forma diferente. Eu ACHO que voltamos lá pela terceira vez, antes de irmos (não posso confirmar porque apaguei isso da minha mente). Ali é um lugar para todos: vi estudantes, mãe com crianças (tem uma creche perto), senhores lendo jornal, trabalhadores com uniforme e capacete, estrangeiros (oi!). O ambiente é limpo e com decoração simples, no estilo 50/60s. Tem até sofá nos cantos. A comida vem rapidinho com uma apresentação bonita e um valor beeeem amigo (confira o cardápio aqui). Realmente gostei bastante de lá e recomendo!

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credits

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euzinha, eita.

Kohlenquelle

Kopenhagener Str. 16
10437 Berlin–Prenzlauer Berg

Sad Girls, por Luiza Cassiano

Não é a primeira vez que Luiza Cassiano aparece aqui. Em 2014 eu a entrevistei quando ela trabalhava na bareMinerals e desde então nos acompanhamos pelas redes sociais. Sempre estou de olho nos desenhos que ela posta e pedi que me contasse sobre a l.sad girls em que o foco é ilustrar meninas fortes, engraçadinhas e que não escondam seus impulsos sexuais. As meninas tristes são empoderadas, mas ao mesmo tempo estão frustradas com algo e podem ser objetificadas. Aquele yin-yang que conhecemos, né?

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Luiza me contou que desde que voltou para o Rio de Janeiro, em 2014, a vontade em desenhar – que a acompanha desde criança – retornou e foi um alívio para um momento de crise. Mesmo não a conhecendo pessoalmente, sempre vi uma veia artística forte e não estava errada. Mesmo que o Sad Girls ainda seja considerado mais um hobby do que um projeto mega sério, existe um Instagram em que as ilustras são postadas e vendidas. O processo criativo é espontâneo e faz parte de momentos de isolação e introspecção em que Luiza consegue traduzir seus pensamentos em desenhos. Apesar de darem excelentes tatuagens, Lu ainda não pensa no assunto, mas deixa as possibilidades abertas.

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Gostou dos desenhos? Você pode encomendar pelo Instagram ou pelo e-mail: luizacassianoart@gmail.com

Elke, a Maravilha

2016 anda perdendo muita gente interessante. Bowie, Prince e agora Elke Maravilha. A russa mais brasileira que existiu. Pessoa inclassificável seja pela inteligência, autenticidade, beleza, talento, bom humor, garra e boas análises a respeito do ser humano. Desde criança a achava sensacional, enquanto outros falavam que tinham medo dela. Medo do que? De ser diferente? A achava exuberante, divertida, meio bruxa, meio drag queen, era ela inteirinha ali pra gente. Aquela risada alta e verdadeira. Como adoro pessoas assim.

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Esse ano ela veio para Curitiba em uma festa chamada “Brasilidades”. Nada mais apropriado, já que era filha de russos, mas também do Chacrinha. Infelizmente não consegui ir, mas dizem que foi incrível. A Elke vai, mas a gente fica – por enquanto – num mundo mais sem gracinha e esperando que pessoas como ela, Bowie ou Prince venham para dar um tchan nessa sociedade sem graça e quadrada. Aqui e aqui tem dois textos ótimos a respeito dela. Que ela esteja brincando de outras coisas nessa passagem.

elke-maravilha-no-programa-do-chacrinha-da-rede-bandeirantes